A criação de uma guarda pretoriana no Brasil para definir quem serão os presidentes nos próximos 50 anos, por Rogério Maestri

A proposta feita pelo Capitão Augusto é muito mais importante do que se pensa, pois na realidade cria uma verdadeira Guarda Pretoriana, que pode inclusive fazer frente ao próprio exército

A criação de uma guarda pretoriana no Brasil para definir quem serão os presidentes nos próximos 50 anos

por Rogério Maestri

Como pertenço a academia, mas no ramo das ciências da engenharia, apreendi a ler as poucas informações que uma parca bibliografia que nos dias de hoje a maioria são artigos pagos (e caros) de revistas técnicas, com isso todo o pessoal da área tem que tirar leite de pedra. Porém meus colegas acadêmicos da área da ciências sociais tem volumosos livros que são editados todos os dias em vários idiomas que para alguém se manter atualizado deverá passar o dia inteiro lendo e uma boa poupança para ler livros e artigos e tirarem de cada um desses no máximo uma dezena de parágrafos com alguma informação nova.

Vejo que há algumas semanas tem surgido uma dezenas de artigos, livros e longas digressões na Internet sobre um assunto que descobriram como uma imensa novidade, a tendência neofascista do atual governo e a possibilidade de um golpe militar que é datado para 2022. O surpreendente é que esse humilde engenheiro vem teorizando sobre a possibilidade de um golpe militar, pós eleição de Bolsonaro desde o dia 01/09/2018 onde escrevi um artigo intitulado “Bolsonaro e sua Guarda Pretoriana, o maior temor da direita.”Antes e depois desse artigo escrevi mais de uma dezena de artigos sobre as contradições que um golpe baseado nas polícias militares, que até há alguns poucos meses eram totalmente fiéis ao tenente-presidente, nesses artigos desenvolvi alguns tópicos que mostram não só as facilidades que levariam um autogolpe militar dado pelo tenente, mas o mais interessante a quem não deseja um governo fascista, as imensas dificuldades e contradições geradas por esse autogolpe, pois quem não está interessado numa situação dessas deve trabalhar em mostrar as contradições do que as vantagens.

Mas voltando ao primeiro parágrafo do texto, que motivou a sua existência, foi perder tempo em assistir uma entrevista de um acadêmico de barbas brancas, com a imagem ao fundo de uma enorme biblioteca onde uma jovem senhora fazia perguntas mais longas e mais complexas que o entrevistado como estivesse ela levantando a bola para ele cortar. Porém, apesar do levantamento ser preciso quase olímpico, o corte saía fraquinho e curtinho não conseguindo desenvolver nada de novo em termos de previsões e detalhamento das dificuldades de um autogolpe dado com concurso das polícias militares.

Tenho chamado atenção nos artigos que desenvolvo, que tanto o grande capital nacional como a oligarquia imperialista não desejam esse tipo de golpe e talvez em algumas semanas veremos por que as forças armadas, principalmente o exército abominariam tal golpe. Vimos que durante uma seção do congresso foi tentado passar uma lei que faria com que o exército ficasse uma tropa auxiliar das polícias militares!

Todos pensam que o objetivo da lei era de impedir que os governadores trocassem ao seu bel prazer o comando das polícias militares e que esse comando passasse a ser escolhido por uma lista tríplice escolhida pelo estado maior dessas forças, porém o objetivo dessa lei estava muito mais acima do que apresentado na grande imprensa e na imprensa alternativa.

A proposta feita pelo Capitão Augusto é muito mais importante do que se pensa, pois na realidade cria uma verdadeira Guarda Pretoriana, que pode inclusive fazer frente ao próprio exército, vejamos porquê. Quando foram instituídas as polícias militares na época dos governos da ditadura militar se tomou determinadas precauções para que não sucedesse como na república velha onde as equivalentes as polícias militares eram mais poderosas do que o próprio exército. As razões eram simples:

  1. O armamento era definido pelo próprio estado da federação e não controlado pelo exército, por exemplo a Brigada Militar do Rio Grande do Sul possuía metralhadoras Ponto 50 e possuía aviação.
  2. As tropas estaduais não tinham subordinação ao exército.
  3. Os contingentes eram compostos de tropas profissionais aquarteladas.

Com os governos militares as armas ficaram sob o controle do exército assim como eram subordinadas a esse quando convocadas.

A proposta atual é mais ousada do que as polícias militares do passado;

  1. O comando é escolhido por uma lista tríplice a partir da indicação do estado maior.
  2. Cria-se cargos militares até o grau de general, ou seja, hierarquicamente igual ao exército.
  3. A supervisão de empresas privadas de segurança sai da polícia federal e vai para as polícias.
  4. O armamento fica a critério das polícias militares.
  5. O fardamento é unificado em todo o país. Não só simbólico, mas permitiria o deslocamento dentro do território nacional sem chamar atenção (vide próximo item).
  6. Como as polícias militares atuam e se deslocam dentro do território nacional e o deslocamento de uma tropa de um estado a outro passaria despercebido o exército ficaria à mercê de qualquer complô contra ele.

Em resumo, teríamos uma força armada agindo dentro de todo o território nacional, composta de soldados profissionais com a possibilidade de criar um estado maior unificado com armamento do mesmo nível do exército, em que as tropas são constituídas de conscritos sem a mínima experiência de combate.

Finalmente, se aprovada essa lei teremos uma guarda pretoriano que governará o país conforme o seu interesse.

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2 comentários

  1. O fato é que o tenente expulso odeia o Exército e, sociopata como é, jamais perderia a oportunidade de se vingar.

    Não foi por falta e este artigo é outro aviso contundente.

  2. Se o nível intelectual dos generais do exército é igual a Pazuello e Heleno, em breve eles virarão tropas auxiliares as polícias militares.

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