A crise terminal que não é, vai sendo, por Cesar Cardoso

A crise terminal que não é, vai sendo, por Cesar Cardoso

Para lembrar e mudar algo que escrevi em outros tempos:

Os golpes e as crises políticas – na expressão do Renato Rovai – não são, vão sendo; os ventos mudam, as forças mudam, as correlações mudam, e cenários vão se formando. E, entre todos os planos, correlações e maquinações, sempre aparece a realidade, teimosa como ela só. E, de vez em quando, aparece um cisne negro.

A crise sem fim iniciada pela greve dos caminhoneiros – que já foi greve, já foi locaute, já foi greve E locaute, e agora foi sequestrada pelas milícias ruralistas vivandeiras de quartel – foi talvez o grande cisne negro que apareceu na cena nesses já 5 anos de crise política permanente no Brasil. Em 8 dias, encerrou o governo Temer, colocou o até então intocável Pedro Parente contra a parede, pôs de joelhos os três Poderes, destruiu qualquer discurso sobre recuperação da economia, paralisou o País… E ainda não acabou, já que a entrada das milícias ruralistas vivandeiras de quartel embaralha ainda mais todo o jogo.

A crise atual se tornou, também, a crise terminal da aliança golpista do golpe de 2016: prostrados perante um movimento que tem a velocidade e a efemeridade de organização surgidos do encontro entre a era das redes sociais e uma das categorias mais precarizadas e individualistas do mundo do trabalho, o “Grande Acordo Nacional” está atordoado, apesar das tentativas de Temer e sua trupe de fingir que governam, e a República das Castas Estatais está atônita, apesar de tentarem passar uma impressão de normalidade com a volta da perseguição ao preso político Lula.

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É bem difícil fazer qualquer análise num quadro desses, já que ninguém tem ideia do que pode acontecer nem de quem são ou quais são as chaves para sair da situação atual; qualquer movimento que se tome (por exemplo, pedir renúncia já ou não) é um risco enorme porque o quadro pode estar completamente modificado no dia seguinte. Para completar, a decisão dos dois lados da aliança golpista de manter Lula encarcerado tira qualquer chance de haver um conciliador minimamente capaz em qualquer um dos lados.

Dias e semanas difíceis esperam pelo Brasil.

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1 comentário

  1. A Imprevisibilidade do Brasil afugenta os investimentos

    Qualquer semelhança da atual imprevisibilidade do Brasil com o quadro constatado por George orwell em 1943 não é mera coincidência. De acordom com George Orwell:

    “Vivemos em um mundou louco onde os contrários se convertem continuamente entre si: os pacifistas se descobrem adorando Hitler, os socialistas tornam-se nacionalistas, os patriotas, colaboracionistas, os budistas oram pela vitória do exército japonês e a Bolsa sobre se os russos preparam uma ofensiva”.

    Se eu fosse um investidor, eu jamais investiria no Brasi num cenário de incertezas como o atual. Pelo contrário, se eu tivesse feito investimento, eu retiraria todo o capital investido, ainda que com prejuízo.

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