A entrevista de Lula, por Rui Daher


Foto: Ricardo Stuckert

Por Rui Daher

Porra! Hoje será a 4ª vez que tentarei terminar este texto.

Comecei a escrevê-lo às 23:30 horas do 20º dia de dezembro deste infausto ano de 2017. Foi-se a primavera e chegou o verão. Continuei tentando, mas nas estradas de meus caminhos chovia torrencialmente. Se cafezais e cafeicultores sorriam pelo que esperavam ansiosos, a incapacidade do limpador de para-brisas do carro não vencia o aguaceiro.

Chego tarde e cansado ao hotel. Volto do sul de Minas Gerais para São José do Rio Pardo/SP, onde me hospedo, e amanhã continuarei a andança de caixeiro viajante da agricultura. Em Pardo, invariavelmente, janto no bar-restaurante “Seu Divino”, onde proprietários e garçons me oferecem mais do que eu mereço. Sabendo disso, o Divino Sobre Todas as Coisas concorda e me faz sair de lá ainda lúcido. Nem sempre foi assim. História que fica para algum “Dominó”.

 

Mais uma vez, tento voltar ao texto. Chego disposto ao costumeiro hotel, quase-fazenda e flora e fauna quase-amazônicas, sento-me numa dessas cadeirinhas de ferro, desenhadas em rococós, mesinhas redondas iguais, pintadas de branco, e ponho-me a ler a reprodução que Luís Nassif fez da entrevista que Lula deu a alguns poucos cidadãos que merecem ser chamados jornalistas, por supuesto.

 

Assim, não. Preciso aprofundar a leitura. E vou deitar. Numa primeira leitura, emocionada, provavelmente, explodiria uma daquelas cadeiras rococós de ferro branco nos vidros da recepção, o que faria Nei, do turno da noite, estranhar tal comportamento do sempre educado senhor Rui.

Mais um dia longe do texto. Muzambinho, Guaxupé, Guaranésia, Juruaia, Nova Resende, Petúnia, Arceburgo Conceição de Aparecida. Cansa. As estradas de Minas não repetem as de São Paulo.

Paro no Empório da Roça. Como o mais delicioso curau do país, compro farinha de mandioca bem temperada, outra de milho flocado, e uma cachaça de rolha de Muzambinho (15 mangos o litro.) A ideia é estourá-la no Ano Novo, como champanhe fosse, sem o incômodo do estampido.

Esvaziada a garrafa, a rolha depositarei, junto a buquês de astromélias, sobre o túmulo onde estão meus pais, no cemitério do Araçá. Eles sabem o filho que fizeram.

Hoje, sexta, mais compromissos e vendas. Se as digitais pagassem a quem bem escreve, teria mais tempo. Ou não. Creio que nunca largaria a missão de tornar a agricultura sustentável e os causos que ouço há 42 anos pelos rincões rurais brasileiros. Querem um novo livro pra fazerem quase encalhar?

Um reparo: lembrem-se, para a gente pobre desta favela de relevo irregular, clima subtropical e biodiversidade fantástica, nunca houve ano que não fosse infausto. Onde a merda?

A entrevista de Lula? No “Dominó”, no domingo, Darcy, Ariano, Melodia e Walther Salles, aprofundam discussão. Não poderei participar. Nestor e Pestana estarão em meu lugar. Cuidado. Trouxe uma de Muzambinho para eles.

Apenas deixo impressão certeira. Nunca deixei de votar em Lula. Se deixarem, votarei nele mais uma vez. Me encanta, relembra os anos de ouro que passamos com ele, sinto saudade daquele Brasil, e quero que volte.

Quem discordar pode desafiar minha AK-47 ou TNC, o que preferir.

https://www.youtube.com/watch?v=99RXIWojQXw width:700 height:394

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora