A gente (não) vê por ali, por Jean Pierre Chauvin

Obra de Jim Warren

A gente (não) vê por ali, por Jean Pierre Chauvin

Alguém poderia discorrer sobre a antiga capacidade das emissoras de tevê em abordar superficialmente assuntos que pouco, ou nada, dizem respeito às questões que nos afligem. Não ignoro que haja estudos sério sobre isso — bastaria lembrar o excelente trabalho do Grupo Marcuse, que demonstrou como — desde o século XIX — o interesse dos anunciantes determinam a pauta e o tom do que é veiculado nos jornais (impressos, eletrônicos e audiovisuais).

Isto posto, vamos mudar de assunto. Afinal, comentar documentos que comprovam as atrocidades cometidas na década de 1970, nesta neocolônia, com o aval dos Estados Unidos da América é tema fadado ao esquecimento. E bem sabemos: o que não logra maior índice de audiência deve ser atirado na lata de lixo da amnésia.

De que vamos tratar? Vejamos…

Ah, sim. O anunciado casamento milionário de um príncipe inglês com uma atriz estadunidense, no próximo sábado, dia 19 de maio de 2018 d.C., televisionado pela Rede Globo de Televisão. O evento é tão significativo para o Estado* do Brasil, que a apresentadora de um matinal breakfast de superficialidades avisa ao telespectador que o programa que ela apresenta cederá a vez ao evento das bandas de cima.

Também poderíamos considerar o simbolismo de um pedaço de parede, em que acabei de reparar. Na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, há um estabelecimento sob a direção de um português. Num dos cantos do lugar, ao lado da cruz com Cristo há uma câmera de circuito interno de tevê. A custódia de um; a guarda da outra. A violência continua a ser tratada não como sintoma, mas como maldade absoluta.

Ah, bem, o tópico é hard to handle. Deixe-me ver…

Leia também:  Hora de perdoar a Globo, por Ricardo Cappelli 

Poderia comentar que não tinha notado a beleza da paisagem e a simetria das linhas, que agora percebo na Avenida da Liberdade. Em certa medida, ela remete à rua da Consolação. É como se um pedaço da Vila Buarque e Higienópolis tivesse sido transferido para o bairro que acolhe os povos que vieram do oriente. Consolação e Liberdade… estamos a precisar.

*A designação não saiu assim por descuido; refere-se a uma das formas como este território foi considerado, enquanto éramos colônia de Portugal, entre os séculos XVI e XVIII.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome