A guerra nuclear e o fastio dos meios de comunicação brasileiros, por Gustavo Gollo

A guerra nuclear e o fastio dos meios de comunicação brasileiros

por Gustavo Gollo

Ontem, 26 de abril, houve uma reunião dos senadores americanos, convocada pela Casa Branca, para uma preleção sobre a Coreia do Norte, com o secretário de estado, o secretário de defesa e o diretor da inteligência nacional americanos. A convocação extraordinária suscitou a suspeita de um pedido de autorização para a guerra nuclear, para um ataque contra a Coreia, e, eventualmente, contra seus aliados: China e Rússia.  Como nada relevante foi divulgado sobre a reunião, podemos considerá-la tendo sido apenas um ato leviano e inconsequente, uma espécie de espetáculo com bichinhos amestrados, conforme descrição de um dos senadores. Mentes inquietas, no entanto, talvez arrisquem elucubrações sobre uma possível autorização secreta para o ataque.

Digna de menção foi a desconsideração da reunião pelos meios de comunicação brasileiros, que quase nada informaram sobre o fato. Tenha sido inconsequente, ou não, a reunião causou apreensão e curiosidade: para que, senão aprovar uma guerra, teriam sido convocados os senadores para a Casa Branca? Convém contrastar a irrelevância com que foi tratada a convocação, com o destaque dado dias antes à notícia de um místico predizendo uma guerra nuclear. O contraste me sugere a pretensão de transformar a temática “terceira guerra mundial”, no Brasil, em um tema místico e nada sério, uma futilidade digna apenas de fofoquinhas supersticiosas.

Além do referido evento, teve início ontem uma reunião do grupo ASEAN cuja perspectiva é de solução das desavenças relativas a questões territoriais no Mar da China, a solução dessa questão trará enorme tranquilidade, enquanto a indecisão sobre o tema pode ser motivo de conflito. No mesmo dia também ocorreram intensas manifestações de força norte-coreanas, e o início da implantação do polêmico sistema de mísseis THAAD pelos americanos na Coreia do Sul, sob fortíssimos protestos de chineses e russos. Outro evento digno de nota ocorrido no mesmo dia foi o lançamento ao mar, pelos chineses, de seu segundo porta-aviões, o primeiro construído por eles mesmos.

Leia também:  Um Quixote pós-moderno, por Aquiles Rique Reis

Dia estranho o de ontem, mas sem nada especial sob os olhares de nossos meios de comunicação. Por aqui continuam pintando um país paupérrimo, governado por um líder louco que não permite que seu povo coma gulodices nem assista a filmes americanos, justificativa para que todos por lá sejam arrasados, assassinados aos milhões e dispersados como refugiados pelo mundo.

Parem a guerra.

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9 comentários

  1. Ssshhhh….

    Silêncio! 

    A colônia não precisa saber das atividades da metrópole no resto do planeta, senão vai começar a desconfiar que talvez os EUA estejam fazendo aqui o que fazem lá fora.

    E, por favor, nada de visão própria sobre questões geopolíticas. Se quiser saber alguma coisa sobre isso, consulte os grandes meios de comunicação americanos.

    Ah, e essa imagem de Pyongyang é obviamente propaganda comunista. Todo mundo sabe que na Coréia do Norte só tem choupanas e taperas.

  2. Pedro e o Lobo

    Assim como novela vista ameaca de guerra de americano contra norte coreano  beira o desininteresse. `E mais um episodio do Chaves.

    Ademais, ja temos os nossos proprios problemas, que nao sao poucos. Tambem somos noticia.

  3. Os mano marinho acabarão

    Os mano marinho acabarão noticiando tudo sobre o assunto. Afinal, eles, assim como todos, também irão sair torradinhos dessa pendenga. A não ser que – pensando bem – tenham construído um abrigo nuclear embaixo do triplex da ilha de Parati. No que diz respeito aos mano, tudo é possível. 

  4. Abrigo dos Marinho Brothers em Paraty

    Ô Cafezá, gostei de sua colocação, porém aí pode estar uma dica para o Sérgio Moro incluir na Lava Jato os filhos do “Doutor” Roberto Marinho, ou alguém ainda duvida de ter sido a Odebrecht a construir, caso se confirme, o tal abrigo subterrâneo na Baía de Paraty, bem debaixo da Paraty’s House e com elevador privativo, of course!

    Quanto aos recursos que financiaram esta “obra”, se não saíram de algum contrato na Petrobrás, tiveram origem no BNDES em tempos de Governo FHC.

  5. O Complexo Industrial Militar é pode deflagar a guerra nuclear

    Afinal, é a população trabalhadora dos EUA que vai sofrer as consequencias de possíveis retaliações, já que os poderosos estarão em seus abrigos anti-atômicos até que a poeira baixe. Ficarão se empanturrando, tomando bebidas caríssimas e fazendo outras bobajadas

  6. Sem paranóia

         Não existe a minima possibilidade de um enfrentamento nuclear, a midia exagera demais, academicos procurando publico entram nesta onda, e proclamam besteiras, então menos, a “bola” esta baixa, é só show – algo necessério tanto a Donald como ao garoto norte coreano, nada alem disto, e claro que o Almirante Harris ( C-in-C Pacific ) colocou “pilha” ontem visando uma maior , ou pelo menos manutenção, de suas verbas orçamentarias, a serem aprovadas pelo Senado.

          A do THADD na Coréia do Sul, é mais outra “boutade”, pois para defender a Coréia do Sul – especificamente Seoul – não serve de nada, afinal é somente uma bateria ( 4 lançadores com 8 missies mais 50% de recargas), uteis para interceptação de ogivas de ICBMs e IRBMs, mas completamente inuteis contra misseis de curto alcance* ( só locam alvo acima da camada ), então servem contra misseis chineses que demandarem a territórios norte-americanos, tanto que “sitios THAAD” originais situam-se, no caso do Pacifico, em Guam, Havai, California e em construção no Alasca e outro no Canadá ( NORAD ), o problema deste sistema, para a China, não são os misseis, mas o sistema de radares dele e o datalink.

           * misseis de curto alcance : SRBMs – Seoul fica a menos de 100 Km da DMZ, assim como as tropas da UN relativas ao armisticio, portanto os MUITOS misseis NK-02 norte-coreanos ( uma evolução do sistema 9M79 Toshka soviético ), em tese possuem alcance de mais de 200 mn, e capacidade convencional de mais de 400 kg, portanto compativeis a transportar carga nuclear a esta distancia, e pelo perfil de voo, um THAAD não o abateria, e possivelmente seria “saturado”.

            Academicos e “comunicadores sociais” falam e escrevem muito sobre “guerra”, mas entendem tanto dela quanto os politicos, mas possuem uma vantagem : Não morrem.

    • Nao sabia!

      “Seoul fica a menos de 100 Km da DMZ”

      Caramba… nao sabia. É a metade da distância entre o Rio de Janeiro e Resende…

      SP-Rio: 400km!

      :-O

      *

      P.S.: vc viu o comentario em algum outro post (acho que do Andre) com documentario sobre a conferencia de Yalta?

      P.P.S.: da uma olhada no post sobre a eleiçao francesa!

      Abs

       

    • Caro aureliojunior50:
       
      Estou

      Caro aureliojunior50:

       

      Estou nessa lista que voce cita, formada por “academicos, “comunicadores sociais” e politicos”, que nada entendem sobre guerras.

      Agradeço ate  a Deus por isso.

       Prefiro dirigir minha curiosidade a  outros assuntos mais leves e construtivos.

      Mesmo assim registro minha opinião sobre o tema do post.

      A guerra, se começar, não tera inicio com um trump avisando ao presidente chines que esta apertando um botão para lançar uma bomba atomica no seu quintal e recebendo como resposta que uma outra esta se dirigindo a NY.

      Nunca foi assim que as guerras começaram.

      Elas acontecem em consequencia de crises politicas que não se resolvem.

      A questão se resume ao desencontro entre os “politicos que não entendem de guerras” e os outros que entendem de guerras, mas não entendem de politica.

      Ai se esconde o perigo.

      Bem provavelmente, no inicio dos anos 30 do seculo passado, algum “especialista” em guerras deva ter feito afirmações semelhantes as que voce expos aqui. Algo como, ” não existe a minima possibilidade de uma guerra mundial e muito menos de alguem jogar uma bomba atomica sobre algum pais”.

      So precisou de um cidadão meio amalucado se aproveitar de uma grave crise internacional para tornar a “impossivel” guerra possivel.

      Aconselho rezarmos para o maluco atual não ser tão louco como o outro, que, em passado não tão distante, se aliou aos japoneses para conquistar o mundo..

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