A Hebraica em Bolsonaro, por Rui Daher

A Hebraica em Bolsonaro, por Rui Daher

Não duvidem, estamos no pior momento da história recente do País. Quem lê as folhas e telas cotidianas em que escrevo estão cansados de reconhecer a subjugação de qualquer anseio social confrontado com a opção única pelo rentismo ao desenvolvimento produtivo. Os outros, bem, os outros são os que lucram com essa opção.

Agora mesmo, em sua coluna de 06/04, na Folha de São Paulo, Jânio de Freitas nos lembra o significativo progresso social promovido por Rafael Correa, no Equador, e suas sucessivas vitórias eleitorais. Servem para nos envergonhar de abandonarmos um projeto distributivista para Michel Temer, Gilmar Mendes e as famílias que mandam na mídia nacional. Somos nada.

Mas o que, hoje, me traz aqui é evento mais pontual. Fora da metrópole, em andanças sertanejas, só agora soube da presença do sem qualificação publicável, Jair Bolsonaro, na Hebraica, clube que agrega a colônia judaica.

Minha descendência é árabe. Meus avós vieram da Síria e do Líbano para São José do Rio Preto, no Brasil, a trabalhar na riqueza da cultura cafeeira. A maior parte de seus descendentes ainda lá permanece. Somos tantos assim país afora. Na capital paulista, onde moro, celebro a resistência do povo palestino frequentando com mulher, família, filhos e amigos o restaurante, bar e centro de cultura palestino, AL JANIAH.

O mesmo fazem os judeus quando se reúnem na HEBRAICA. Festejo-os, muitas vezes para lá convidado por amigos, onde compareço com prazer amigo, libertário e solidário com seu passado de perseguições.

Uma diferença: no JANIAH, não corro o risco de ouvir Jair Bolsonaro. E não me venham com essa de que se precisa ouvir todas as opiniões para sermos democráticos. Dele, não. É um facínora do pensamento humano, quiçá da vida, não importa a raça.

Soube que, no Rio de Janeiro, parece, a plateia riu, sobretudo quando o palhaço, que não duvidaria em fazer o papel dos nazistas em Auschwitz, Buchenwald, falou que em visita a um quilombo “o afrodescendente mais magro pesava sete arrobas e que sequer para reproduzir serviria”.

A HEBRAICA ouviu sem protestar. Achou graça, não sei se toda ela, mas mesmo que parte não, como os presentes puderam voltar às suas casas pensando no que aconteceu com seus ancestrais? Judeus rindo de minorias quilombolas? Estanho País, este; estranha colônia, aquela.

Sei que houve reações de protestos de parte da colônia na frente do clube. Pequena, pouca, diante da reconhecida combatividade que Israel exerce em seu território.

Trabalhei em algumas empresas da colônia judaica. Ajudei-os e recebi ajuda. Formei amigos e padrinhos que ainda amo. Este, pois, não é um texto de crítica gói. Se alguma queixa tenho é pessoal: entre todos os meus amigos judeus, nenhum comprou meu livro “Dominó de Botequim”.

Ainda é tempo. Em breve, estarei fazendo seu lançamento na Saraiva, de São José do Rio Preto. Unam-se aos Descendentes da Família Daher, para um “Arak da Paz Contra Bolsonaro”.

 https://www.youtube.com/watch?v=YcesjG4aJyI

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