A inviabilidade de governos distópicos, por Rogério Maestri

Em alguns casos excepcionais da história da Humanidade surgiu uma tentativa de um governo completamente distópico, caso do Nazismo

A inviabilidade das Distopias
Por Rogério Maestri

Eu adoro assistir filmes e séries que tratam de situações em que por governos ou pela ausência dos mesmos o cenário se torna totalmente distópico. Gosto tanto deste tipo de filme não porque tenho qualquer percepção que haverá alguma situação, mesmo transitória em que uma sociedade se torne totalmente distópica, e diria que nem perto disto.

Não acredito em sociedades distópicas não porque como aparece em vários filminhos ou séries de segunda linha em que grupos de “subsersivos”, “rebeldes” ou qualquer nome que coloquem nos grupos de resistência que lutem por um sentimento vago que eles denominam de democracia, mas na verdade seria a luta pelo retorno da “democracia burguesa”, inclusive em muitos destes filmes é colocado de forma abstrata a luta por uma teórica desordem de uma democracia burguesa, a repressão sem controle de um sistema autoritário.

Na verdade o que eles querem emular é um fruto das ações bem programadas pelos serviços de inteligência ingleses (mais do que os norte-americanos) que durante a guerra fria mostravam o terror que era a União Soviética, onde não havia nenhuma “democracia” que contrapunha aos países do mundo livre em que todos que tinham dinheiro e poder para tanto eram livres.

Mas deixando de lado as intenções propagandísticas de uma imensa parte destes filmes que retratam uma sociedade distópica, que, por incrível que possa parecer, é totalmente abandonado por pessoas que tentam comentar seriamente estes filmes, a sua intenção real propagandística.

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Porém alguém pode dizer que já existiram na humanidade situações beirando a distopia, onde um ditador procura impor uma mudança na sociedade que contraria todos os cânones civilizatórios de milhares de anos de evolução da sociedade humana. Em alguns casos excepcionais da história da Humanidade surgiu uma tentativa de um governo completamente distópico, caso do Nazismo, mas não é por acaso e não por conveniências políticas que inimigos mortais, como os ingleses e norte-americanos e os soviéticos se uniram para combater o nascimento de uma sociedade completamente fora do tolerável.

Começaria a dizer sobre a inviabilidade de uma sociedade distópica simplesmente analisando o seu antônimo, a UTOPIA.

A única certeza que temos é que 95% dos humanos normais, amam a ideia de UTOPIA, uns podem achar que é o caminho, outros dirão que é impossível atingi-la mas se perguntassem a estes incrédulos se eles gostariam de viver numa sociedade utópica, excetuando os 5% dos humanos não normais, como aqueles que acham que o homem nasceu para ser infeliz e que só com a morte conseguirão a felicidade junto ao criador (se acham que não existe isto, acreditem em mim e não assistam um vídeo de um astrólogo que propaga a infelicidade).

Ou seja, o ideal do homem normal é a utopia, e salvo na boa ficção científica em que é criado um imperador malvado e superpoderoso que controla a mente de todos, nem os próprios gestores de uma sociedade distópica seriam favoráveis a ela. Poderiam dizer que sou romântico e sonhador neste item, mas o que posso dizer que uma sociedade distópica é antes de tudo contraditória consigo mesmo e trás dentro de si mesmo o germe de sua destruição.

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Outros mais politizados de esquerda, diria que estamos indo na direção de uma sociedade capitalista com componentes já evidentes de uma distopia. Respondo simplesmente, há alguns séculos no passado, a sociedade e o seu comum achavam certo que pessoas morressem de fome e de doenças pelas ruas e viviam na opulência. Sim achavam, e o mais surpreendente era que isto era propagado por vários pregadores da fé, que julgavam algo que era uma ação da providência divina.

Esta visão era muito comum na época do colonialismo, onde se afastava o máximo possível e através do colonialismo por racismo e outras desculpar se tolerava isto. Mas a medida que o capitalismo progride e chega cada vez mais perto a miséria a própria noção de culpa vai progredindo na maioria da população.

Há todo um processo de invisibilização da miséria que os meios de comunicação tentam transmitir à maioria da população, entretanto este processo para tornar invisível a pobreza, levam a guetificação representado pelos condomínios fechados e pelos edifícios comerciais controlados. Porém, este processo tem seus limites, pois os próprios membros das milícias particulares destes condomínios (guardas de segurança) passam a ser os próprios agentes de insegurança para os moradores dos guetos da grande burguesia. O exemplo da progressão das milícias saindo das favelas e indo para o asfalto é um exemplo claro disto.

Há limites para tudo, inclusive da maldade humana.