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A Pandemia é um problema político, não técnico, por Rogério Maestri

A Pandemia é um problema político, não técnico

por Rogério Maestri

Há uma enorme mistificação no enfrentamento da atual pandemia, o erro de dizer que essa deve ser tratada como um problema técnico e que os políticos deveriam deixar para os técnicos a definição das ações que deveriam ser tomadas.

Esse tipo de discurso não se sustenta sobre o ponto de vista científico nem um instante qualquer, pois os pressupostos da ciência moderna indicam que a falseabilidade de qualquer afirmação científica é uma característica da ciência não a transformando em uma religião.

Os erros cometidos pelo coletivo dos cientistas têm deixado bem claro que tratar a pandemia como algo a ser gerenciado por cientistas é uma falácia imensa e só é superada pelo erro de deixar essa mesma ser tratada por políticos dogmáticos e sem a mínima capacidade de entender o que se passa.

A experiência internacional ao longo dessa pandemia demonstrou que os países que estão se saindo melhor na luta contra a morte são países em que os governantes baseados em um sólido grupo de técnicos tomaram decisões políticas fortes e ultrapassando em muitas vezes as próprias opiniões dos técnicos.

Vemos que países como o Vietnam e subsidiariamente a ilha país Nova Zelândia, que utilizou sabiamente a vantagem de ser uma ilha, grande, mesmo assim uma ilha, conseguiram de forma correta levar a um número mínimo de mortes. O Vietnam, fazendo fronteira com a China e outros países assumiu seriamente uma política de preservar a sua população, já outros países ilhas ou países com fronteiras perfeitamente isoláveis, como o Reino Unido, Irlanda, Chile, Polinésia Francesa e outros foram retumbantes fracassos. O Reino Unido é um exemplo de governantes cercados por melhores cientistas do mundo e um serviço de saúde pública razoável, seguiram uma política de um governo perfeitamente idiota que colocou-o no topo dos países com maior número de mortos por habitante superando em 33 vezes mais mortes por habitantes que o pequeno Uruguai que além de reagir com rapidez a epidemia utilizou toda a excelência cientifica que dispunha, como o biólogo celular Gonzalo Moratorio, um cientista formado e pós-graduado na Universidade de Montevideo, ou seja, um bom produto nacional. Cito o Uruguai, mas poderia citar dezenas de outros países africanos ou países socialistas, como Cuba, que com toda a dificuldade econômica e técnica ultrapassaram em mais de 100 vezes o êxito de países do primeiro mundo. O que levou esses países ao sucesso não foi um corpo fantástico de cientistas, mas sim governantes responsáveis que sabendo que seus países não dispunham de meios técnicos e financeiros como Bélgica, Itália, Espanha, Reino Unido, França, Estados Unidos, Suécia e Suíça deveriam mandar seus governantes fazer estágios de responsabilidade social na África para apreender que respeitar a natureza é muito melhor do que contar com a ignorância dos brilhantes cientistas e famosas instituições e universidades demonstraram na atual pandemia. Para demonstrar o grau de respeito ao poder da natureza teve um país africano que os seus governantes chegaram a fechar as fronteiras sem que houvesse nenhum caso suspeito dos doentes no seu país.

Lá pelo fim de janeiro e início de fevereiro fui a farmácia mais próxima e comprei três caixas de máscaras cirúrgicas que ninguém estava comprando e ao mesmo tempo escutei nas rádios e TVs médicos e pesquisadores notáveis que nem falavam na necessidade do uso de máscaras para uma doença que já se sabia que era transmitida por vias aéreas. Todos falavam em lavar as mãos, usar álcool em gel, mas as máscaras diziam que ó serviam para os médicos!

A palhaçada sobre as máscaras, que os nossos cientistas, a maior parte formados em caras instituições científicas de primeira linha do primeiro mundo, foi uma verdadeira repetição da mesma imbecilidade que o governo francês cercado de cientistas de institutos de renome internacional, como o Instituto Pasteur, chegaram a dizer publicamente (mensagem da porta-voz do governo francês) que as máscaras não serviam para nada (exceto para os médicos). Como não havia máscaras do tipo SP2 nem para as equipes médicas, simplesmente o governo francês MENTIU publicamente em emissão de TV que as máscaras de pano eram inúteis, isso não é uma questão retórica, a porta-voz do governo disse com todas as palavras que as máscaras de pano não serviam para nada.

Continuando no assunto máscaras de pano, como não havia nenhuma divulgação das CENTENAS de trabalhos científicos que foram feitos ANTES da epidemia sobre o uso de máscaras de pano, mas como nenhum dele tinha sido feito com experiências adotando ensaios de duplo cego (algo impossível para o caso das máscaras) e randomizados (também impossível) ainda em publicações técnicas de agosto de 2020 saem conclusões do tipo:

“…sugerimos que medidas destinadas a melhorar a higienização das mãos, distanciamento social e o uso de máscaras pela população sejam consideradas como estratégia não farmacológica efetiva na prevenção para o COVID-19. Não vou citar o artigo para não comprometer os esforçados e medrosos pesquisadores.

Ou seja, em agosto de 2020 pessoas com formação científica, chefiadas por pós-doutores ainda SUGEREM como estratégia de prevenção. Ou seja, isso que é a ciência é preconceituosa contra soluções simples que se diminuírem um pouco a contaminação, vamos dizer em uns 50%, já seriam milhões de infectados e centenas de milhares de mortes a menos. Para ter certeza (certeza absoluta, como isso existisse em ciência!) ficam aguardando ensaios randomizados de duplo cego para dizer que algo que já se sabe que é muito mais eficiente do que nada.

Há uma falácia real que é da ciência como algo que paira sobre o bem e o mal, que é apolítica e que trás verdades como se fosse uma religião e isso causa mais problemas a humanidade do que um bom gestor público com enormes orelhas para escutar, com capacidade de procurar ver todos os lados e decidir ao bem de todos. Fico do lado do governante africano, que no primeiro sinal de perigo fechou as fronteiras do que os científicos que rodeiam os poderosos e com uma visão sempre parcial e com viés político emitem opiniões que não tem a coragem nem de se retratar no futuro.

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