A política não será mais autorizada? Por Fábio de Oliveira Ribeiro

Imperativo categórico é a preservação do sistema neoliberal que se comprometeu a garantir salários acima do teto e aposentadorias abaixo da moralidade

Foto: Agência Brasil

A política não será mais autorizada?

Por Fábio de Oliveira Ribeiro

Num dos seus livros e em várias de suas palestras que estão no YouTube, Yanis Varoufakis narra de maneira eloquente como foi a primeira reunião no Eurogrupo em que ele participou como Ministro da Economia da Grécia. Quando ele afirmou que havia sido eleito para desafiar os compromissos assumidos por seu país, o representante da Alemanha teria olhado firme para ele e dito “A política não está autorizada a modificar a economia.”

No Brasil a política econômica inclusiva desenvolvimentista e moderadamente nacionalista de Dilma Rousseff foi substituída pelo neoliberalismo escravocrata dependente através do golpe “com o Supremo, com tudo” disfarçado de Impeachment. A (in)Justiça que trocou a democracia por aumento salarial para os juízes, participa de uma nova patifaria: o acordão feito para manter Jair Bolsonaro no poder.

Agora que os banqueiros estão lucrando horrores enquanto a maioria da população é abandonada à própria sorte desempregada, faminta ou sem direitos trabalhistas, sociais e previdenciários, a (in)Justiça se comprometeu a não interferir na política. O imperativo categórico do acordo é a preservação do sistema econômico neoliberal que se comprometeu a garantir os salários acima do teto e as aposentadorias abaixo da moralidade dos juízes.

O passo subsequente me parece evidente. A política será simplesmente desautorizada. As eleições que desafiarem o neoliberalismo serão descartadas ou simplesmente não realizadas. Uma nova ditadura bancária-judiciária-militar foi consolidada.

A realidade nua e crua é simples: o autoritarismo político será apenas um consequência inevitável do acordo neoliberal “com o Supremo, com tudo” que garante imunidade total à bandidagem da familícia. Com ou sem Bolsonaro na presidência a democracia brasileira foi sacrificada no altar dos juros altos sob os aplausos dos rentistas que odeiam os trabalhadores, desdenham o mercado interno e não se preocupam com a destruição da floresta amazônica, do cerrado, da mata atlântica e do pantanal.

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