A revista Capricho acerta ao abrir espaço para as garotas negras, por Matê da Luz

A revista Capricho acerta ao abrir espaço para as garotas negras

por Matê da Luz

A revista Capricho, pra quem não sabe, é um marco extremamente formador de opinião, desejos e metas praquelas que têm entre 35-40 anos atualmente. Estrelaram as capas da revista Ana Paula Arósio, Pietra Ferrari, Luana Piovani (que surpreendeu segurando uma camisinha), Piera e Giane Albertoni. A internet nem engatinhava pra nós, as adolescentes daquela época, então a Capricho era um guia, dona dos temas que discutiríamos e conversaríamos sobre até a próxima edição, temas estes que despertavam nas meninas uma série de pensamentos que, claro, eram moldados tanto pelo discurso da revista – o certo e errado da moda, os colírios, moços bonitos que passavam na televisão, o consumo de roupas, maquiagem, sonhos e viagens (a edição especial da Disney, que sempre aparecia no mês de Julho, era aspiracional, item de colecionador) – quanto pelo contorno das modelos. Por menos esqueléticas que fossem, ainda assim eram magras e belas e respeitavam o padrão de beleza da época. 

A enorme maioria, modelos brancas.

A Vogue, título especialíssimo de moda e beleza no país, estampou a primeira modelo negra na capa no ano de 2011. Isso mesmo: 2011. Pode clicar aqui pra conferir. 

A Capricho, por sua vez, trouxe Tais Araujo na capa em 1995, em uma edição comemorativa ao aparteid na Africa do Sul.

Passa tempo, entra movimento, a Capricho se reformula, atendendo tanto ao pedido do público, que hoje tem internet, velocidade, opinião, comparativos mil vezes mais borbulhantes do que nós tínhamos naquele passado, e toma a sábia decisão de se posicionar como pilar de voz um tanto mais próxima da realidade e abre um espaço lindo, estruturado e confortável para que as meninas negras, antes representadas em um ou outro momento, encontrassem pares, modelos, falas e problemáticas de identificação.

Leia também:  Tudo que é puro no Brasil, destrói: a lição de Bolsonaro, por Francy Lisboa

[vídeo: https://www.facebook.com/capricho/videos/10159696072870252]

Demorou? Sim, demorou. A Capricho ainda é um título elitista, com conteúdo de consumo, moda e de certa forma direcionado a uma fatia específica da população? Sim, sem dúvida – assim como o é todo e qualquer veículo de comunicação. Acontece que mesmo assim é importante, muito importante e feliz que estejam abrindo este espaço, destacando e celebrando a existência da variedade de pessoas, adolescentes, meninas e mulheres que, quem sabe, estejam pensando que antes tarde do que nunca, mas que nem por isso deixam de preencher com louvor, beleza e coragem os espaços por onde aparecem.

Vida longa à Capricho. Vida longa àquelas que reconhecem a importância desta conquista. E vida longa pra quem batalha com unhas e dentes para que este não seja um projeto especial, mas sim uma constante em todos os aspectos e esferas da vida, simplesmente porque assim deveria ser. 

11 comentários

  1. Será que as mulheres negras

    Será que as mulheres negras do Brasil estão mesmo

    interessadas em “ser capa da revista Capricho”?

    Os donos dessa revista estão se lixando prá elas.

  2. Danusa Leão voltou menos

    Danusa Leão voltou menos classista e racista ou é só impressão minha? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Quanta vulgaridade e desconhecimento da questão negra! 

    Revista Capricho? 

    É que nem usar a VEJA, da mesma cepa para falar sobre política. 

    Claro, isso só pode ser provocação de uma branca ao escrever uma barbaridade dessas.

    Coisas do GOLPE!

    Provavelmente nunca leu Fanz Fanon, Kabengele Munanga e a longa e atualíssima bibliografia histórica, sociológica e antropológica sobre os negros brasileiros desde que resolvemos que BRANCO NÃO AUTORIZADO POR LUTAS NÃO PODE FALAR SOBRE NEGROS E SOBRE A OPRESSÃO BRANCA.

    Vou começar a falar de feminismo, sendo homem para esta senhora concretizar do que falo (óbvio que não posso fazer isso, mas o óbvio para algumas pessoas, parece ter se deslocado para além de Teeran!)

    E esta pessoa continua a nos desafiar com esses posts de auto-ajuda agora abordando frivolamente a temática negra e óbvio nos provocando escancaradamente.

    Pode isso?

    Capricho? 

    Vai conhecer o quanto mulheres negras têm contribuido para o avanço deste país em todos os campos do conhecimento antes de escrever barbaridades racistas como estas!

    Você não tem leitura o suficiente para escrever sobre mulheres negras.

    Você não tem leitura e nem o DIREITO de abordar a questão negra de forma tão frívola num espaço democrático como este ainda mais nesta quadratura histórica!

    Sua abordagem não educa. Sua abordagem é de auto-ajuda. Pare com isso já!

     

    • #pas

      Ah, é mesmo, esqueci que ainda vivemos num mundo onde não posso divulgar minha opinião sobre um acontecimento público e, ainda, que existem os intelectuais comentaristas, estes que devem produzir estudos tão profundos e opiniáticos e não têm onde publicar. Fique à vontade pra me mandar seus artigos, viu?, gosto mesmo de auto-ajuda mas abro uma excessão pra ajudar um outro alguém. Ops, para publicar um outro alguém, desculpe o ato falho. 

      • Você tem todo o direito de

        Você tem todo o direito de divulgar o que desejar, ao seu bel prazer. Só não pode politizar a questão negra com uma matéria tão rasa e despropositada. Vivemos tempos de luta e de extrema conscientização dos negros sobre a negritude e nos movimentos negros (são muitos) a revista capricho não é referência, so sorry mam!

        Mas vou além no seu comentário e especialmente a respeito do trecho “…e não têm onde publicar.”

        Evidentemente fosse você alguém dentro da luta dos negros saberia que não ter onde publicar não poderia jamais ser objeto de júbilo, de jactância ou de demonstração cabal da superioridade dos seus argumentos (que são toscos, posto que despolitizados). 

        Em verdade você deveria se lamentar por isso, posto que é mais uma prova do cerceamento de espaços aos negros neste país. Prova do racismo estrutural que perpassa todas as instituições. Bola fora novamente.

        Seu cínico ato falho a propósito é expressão do seu racismo do qual você não se livrará escrevendo textos de auto-ajuda para jovens negras. Ele está impregnado em nossa cultura. Está impregnado em você. Você prova isso com sua EXCESSÃO (sic) para “ajudar” um outro alguém a quem você reputa precisar de alguma ajuda de antemão, sem mesmo conhecê-lo.

        Publicada a lei áurea em 1888 os fazendeiros e barões donos dos engenhos aqui no nordeste muito se revoltaram com “repentino” desejo dos trabalhadores negros de pegarem a estrada, buscando novos caminhos para suas vidas. Se preocupavam paternalisticamente com esta libertinagem que poderia levar à vagabundagem, ao ócio e aos vícios. Trataram de toda a forma de tutelar os negros e negras, de “ajudar” esses “alguéns” a aprender sobre a liberdade e seus “riscos”.

        Recomendo a leitura do fascinante livro de Walter Fraga(professor e doutor negro da UFRB aqui de Cachoeira, Bahia) Encruzilhadas da Liberdade. Com o tempo posso te passar outras leituras mais conceituais sobre a negritude já que você está “bondosamente” me concedendo este espaço.

        kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

        • Em momento algum me disse

          Em momento algum me disse alguém “dentro da luta dos negros”. Me posiciono como contadora de fatos, histórias e celebro conquistas, todas elas. 

          De novo: se quer espaço para publicar seus pensamentos profundos, concedo sem choramingar e, no mais, preferia que não investisse seu precioso tempo sendo (mais um) hater-comentarista que só liga para assuntos profundos e pertinentes e, no entanto, volta de novo e de novo para agredir minhas publicações. 

           

  3. mais uma bola fora

    dessa sra pretensamente politizada, pretensamente engajada que acha que sabe das e coisas e mais do que tudo “se acha”…cultura rasa e ignorância profunda das questões negras. Mas…o que esperar de leitora de Capricho?

    • acho engraçado

      …que exijam conteúdo única e exclusivamente acadêmico e não tenham lugar em si para processar pequenas vitórias. Que sociedade tão profunda e politizada vocês vivem, hein? A que eu vivo celebra e assimila temas leves, temas rasos, temas profundos, temas diversos… Dialoga e respeita cada um deles. Evidentemente a problemática negra, especialmente a da mulher, tem uma discussão muito mais profunda do que a revista Capricho – o que não desemerece o espaço, a abertura, o acontecimento. Credo! 

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