Aos Fratricidas, por Jean Pierre Chauvin

Aos Fratricidas, por Jean Pierre Chauvin

Seria rematada pretensão supor que esta postagem fosse lida por mais que uma ou duas dezenas de internautas. Isso porque não devo ser professor de qualidade. Não apareço na “grande” mídia. Mal recebo incentivos pecuniários por eventuais palestras sobre literatura, história e outras matérias de perfumaria. Não publico um livro para gourmetizar lugares-comuns a cada seis meses.

Mas, acima de tudo, até de Satã, o Estado-Violência, o Estado-Hipocrisia de “Justiça” seletiva ainda não me cooptou, ops, convidou para justificar genocídios, defender terraplanismo, armamento (assim como a lei?) “para todos”. Apesar de não ser gente de renome, creio que possa expressar o que incertas coisas me parecem.

Sucursal miserável dos EUA, o Brasil tornou a ser o que não deixara de ser, desde 1822: terra arrassada, terra de ninguém. Aqui, os três poderes de Montesquieu quase sempre se misturam. E o poder que, talvez proviesse dos céus, fingiu que é perfeitamente razoável ir contra tudo o que Lutero defendia no início do século XVI.

A comercialização de indulgências fica a cargo de “missionários” (melhor dizer “mercadores”) da fé, instalados em templos faraônicos. A reaproximação entre as esferas da crendice e do pseudoEstado fica por conta de gente que não ultrapassou o limiar de protozoários, bestas (não me refiro ao quadrúpede) que nem o livro Apocalipse conseguira descrever.

No que se refere às leis, trocamos as Ordenações Filipinas (de 1603) pelo arbítrio de carreiristas que não se importam em associar a sua imagem, já questionável, a sujeitos que odeiam e gritam com o povo que fingem amar.

A destruição do Estado é chamada de “reforma”, substantivo que transfere para o que restou da classe média, e para os mais pobres, a responsabilidade de salvaguardar os salários indecentes, mil, duas mil vezes maiores que o salário, efetivamente, abaixo do mínimo para sobreviver.

Em seu papel de “formadoras” de “opinião” – numa terra em que não se faz conta de cabeça, não se juntam palavras que façam sentido, e onde não se cultiva nem palavra impressa, nem há preocupação com a qualidade do que se diz – as emissoras de rádio e televisão escoam a ideologia do patrão, do empresário, do distinto PJ.

Também aprendemos que a responsabilidade da crise é nossa (foi o que li numa revista para empreendores, ontem, 15 de janeiro): “A crise está dentro de você”. Deve ser muito gratificante alçar a si mesmo como megaindivíduo supremo e “bem-sucedido”, numa terra de trânsito, loteada por latifundiários, pistoleiros e falsos profetas e lotada por miseráveis.

A solução, é evidente, está em mais câmaras de segurança (copiadas da China), mais rastreamento via celular, mais armamento para acabar com qualquer hipótese de discussão. Terra arrasada, não demora o dia em que proporão um novo hino nacional, a celebrar as listras que enfeitam a bandeira dos EUA – imitada, há décadas, pela província de São Paulo. Ora, se não? Amém.

 

2 Comentários

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Lâmpada

- 2019-01-16 20:52:45

Apoiaria, mas...

Seria preciso mudar o ano, de 1822 para 1889, em: "Sucursal miserável dos EUA, o Brasil tornou a ser o que não deixara de ser, desde 1822: terra arrassada, terra de ninguém." . Até 14/11/1889 havia um Estado que desenvolvia um projeto de nação. Só alguns exemplos: a rainha Vitória teve que pedir desculpas pela "Questão Christie"; o Exército de Caxias se empenhou na unidade nacional e em evitar "perturbações geopolíticas" nas vizinhanças; e, os títulos do tesouro eram um patrimônio seguro que até estrangeiros procuravam para deixar como herança. Não fosse o Estado existente até 1889, não existiria Brasil.

AMORAIZA

- 2019-01-16 19:17:27

Um novo hino nacional

[video:https://youtu.be/QfprLt7yNZE]

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