As escolas ou “igrejas radicais” da economia, por Nelson Barbosa

 
Jornal GGN – Do lado dos ortodoxos, a receita da “Igreja da Microeconomia” é defender a austeridade fiscal como solução para todos os problemas econômicos do país. Do lado heterodoxo, a “Igreja da Ressureição em Keynes” quer a expansão fiscal.
 
“Cada igreja baseia sua fé em alguns milagres comprovados, pois a história econômica registra episódios de ‘contração fiscal expansionista’, como defendem ortodoxos, e de ‘expansão fiscal não inflacionária’, como argumentam heterodoxos”, resume Nelson Barbosa, ex-ministro da Fazenda, e do Planejamento, em artigo para a Folha
 
Segundo Barbosa, que é professor da FGV-SP e doutor em economia pela New School for Social Research, as convicções sobre quais medidas adotar em casos de crises econômicas partem de “polemistas disfarçados de analistas”, em um debate marcado por “extremos, sobretudo na era de redes sociais”.
 
Mas entre tantos debates, a prática costuma adotar o “meio-termo”, que, segundo Barbosa, justifica porque a política econômica “é sempre mais pragmática” do que esse campo de extremos. 
 
E se o discurso tenta acalorar qual seja a escola radicalizada, “ou ‘igrejas’ de pensamento acadêmico”, como descreveu o ex-ministro no artigo da Folha de S.Paulo, a história demonstra que o governo deve adotar ações anticíclicas, de redução de atividade quanto a economia está superaquecida e vice-versa.
 
Combinando ações fiscais e monetárias neste meio tempo. Por isso, Nelson acredita que “apesar da retórica oficial de ajuste”, as medidas adotadas pelo governo em 2016 foram nesta linha, de “elevação do déficit primário, injeção de recursos parafiscais na economia e redução, ainda que tardia, da Selic”.
 
Adotando a sua própria linha, de que “na expansão, não a recessão, é o momento certo para austeridade”, tal medida não deve ser exposta “às duas igrejas, pois você será excomungado”.
 

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