Bolsonaro: destruidor do futuro, por Samuel Pinheiro Guimarães

Seu principal instrumento é armar a população, as polícias e as milícias que pretende usar no golpe fascista, que tentará dar em 2022.

Recorte de foto Agência Brasil

Bolsonaro: destruidor do futuro

por Samuel Pinheiro Guimarães

Ainda que sejam aspectos relevantes de sua personalidade e de seu comportamento e que não devem ser minimizados, não é correto afirmar que o Presidente Jair Bolsonaro é um psicopata, desvairado, incoerente, manhoso, ignorante, violento, fascista e genocida e que seu governo é incompetente e sem rumo, sem um projeto para o Brasil.

Bolsonaro é tudo isto e pior do que isto tudo. Seu governo tem um projeto e este projeto tem como objetivo a destruição do futuro do Brasil.

O projeto econômico de Bolsonaro é um projeto ultra neoliberal cujas premissas são simples: todos os problemas econômicos podem ser resolvidos pela empresa privada; a empresa privada ainda não os resolveu devido à nefasta ação regulamentadora e empresarial do Estado.

A política econômica de Bolsonaro procura, com ardor, desregulamentar as atividades econômicas; privatizar as empresas do Estado; vender os bens do Estado; permitir a auto-regulamentação pelas empresas de suas atividades; reduzir os direitos dos trabalhadores.

Na área externa as medidas econômicas têm, com objetivo, abrir amplamente a economia ao capital estrangeiro e às importações; “aferrolhar” essa política econômica neoliberal pela adesão do Brasil à OCDE e a obrigação de seguir seus “códigos”; negociar acordos de livre comércio e neles abandonar a possibilidade de usar tarifas de importação; transformar o Mercosul em uma área de livre-comércio.

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O projeto social de Bolsonaro é uma reversão aos valores mais conservadores da sociedade.

O projeto social de Bolsonaro para o Brasil tem como premissa que marxistas estimularam e implantaram o ateísmo; atacaram a religião cristã e seus padres e prelados; agridem os princípios da Família; atacam os valores da Pátria e da Nacionalidade; incentivam a libertinagem sexual.

Bolsonaro afirma que o interesse do indivíduo é sempre superior ao interesse coletivo; que a corrupção é causada pelo Estado; que a intervenção do Estado na educação é a causa principal da perda dos valores; que as reivindicações das minorias são indevidas por serem essas minorias “inferiores”; que o uso da força para preservar valores é legitimo.

A política de Bolsonaro faz tudo para eliminar a ação cultural do Estado e limitar as iniciativas culturais privadas; beneficiar ao máximo as entidades religiosas cristãs, em especial evangélicas; privatizar o ensino e legalizar o ensino “em casa”; ridicularizar a ciência, os cientistas e os professores; estimular o desprezo e ódio às minorias étnicas, às mulheres, aos LGBTQIA+; fortalecer as polícias e o Ministério Público para combater a corrupção e “enquadrar” seus “inimigos”.

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O projeto político de Bolsonaro é a implantação de um sistema político e governamental autoritário, uma ditadura fascista que garanta a liberdade para as empresas e a submissão dos trabalhadores; consolidar na legislação valores sociais ultraconservadores e a própria perpetuação dessa ditadura.

Seu principal instrumento é armar a população, as polícias e as milícias que pretende usar no golpe fascista, que tentará dar em 2022.

Instrumentos desse projeto político são passar competências e recursos da União para os Estados e Municípios; contratar pessoal sem concurso; nomear indivíduos inexperientes e contrários à ação do Estado em cada área; reduzir recursos das entidades e empresas públicas e assim “justificar” sua privatização; controlar o Poder Judiciário pela nomeação de juízes conservadores.

Bolsonaro ofende os Poderes do Estado; acusa seus adversários de serem comunistas, ateus e pervertidos; acusa o sistema eleitoral de fraudulento; acusa o Congresso e o Judiciário de “não deixá-lo trabalhar”; desacredita os juízes do TSE; afirma que “ pessoas desejam matá-lo”, ofende a imprensa e jornalistas, negou a existência e hoje minimiza a COVID-19 e ridiculariza os que a temem.

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Na política externa, Jair Bolsonaro revelou e continua a revelar sua admiração pelos governos e líderes de extrema direita; sua devoção irrestrita aos Estados Unidos e sua fiel adesão às posições americanas à época de Trump; sua admiração por Israel; seu antagonismo em relação à China; e segue a orientação de Steve Bannon, o americano ideólogo e articulador da extrema direita nos EUA e no mundo.

Jair Bolsonaro dedicou-se a destruir a política externa brasileira em seus fundamentos. Assim retirou o Brasil da CELAC e da Unasul; participou, com outros Governos de direita, na criação do Prosul; designou um general para integrar o IV Comando Americano; permitiu a presença de tropas americanas em treinamento no Brasil; participou das manobras de golpe de Estado na Venezuela; anunciou a mudança da Embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, em afronta às decisões do Conselho de Segurança da ONU.

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Derrotado nas eleições de outubro de 2022 Bolsonaro tentará o golpe de Estado, sua única possibilidade de escapar dos numerosos processos que terá de enfrentar na Justiça pela enormidade e diversidade de seus crimes contra os brasileiros e o Brasil.

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Samuel Pinheiro Guimarães é professor, diplomata e economista brasileiro. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil em 1963, ingressou no Itamaraty nesse mesmo ano. É mestre em economia pela Universidade de Boston.

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1 Comentário

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ZedoTokoPaes

- 2022-05-19 09:43:01

Sim destruidor, mas, convém ressaltar,que as intituições que o apoiaram no golpe,e o colocaram no poder, têm a maior responsabilidade sobre esse desastre, e os mesmos devem reparara merda que fizeram

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