Breve Dissertação sobre o Riso, por Jean Pierre Chauvin

Breve Dissertação sobre o Riso, por Jean Pierre Chauvin

Creio que o melhor seja começar este “post” sem epígrafe. Assim, evito ser chamado de pedante. No entanto, fica faltando algo… Já sei! Para compensar a falta daquele texto de efeito, no canto superior da página, emendo uma de minhas citações preferidas: “O riso brota conforme a inteligência” – fala da personagem Gonzaga de Sá, em um dos melhores romances de Lima Barreto.

Mas, não se preocupe. A sanha acadêmica está passando… já passou. Não recorrerei à definição aristotélica de que o o homem é o animal que ri e (naquele tempo), quatro séculos antes de Cristo, faz(ia) política. Também não recorrerei ao Le Rire, de Henri Bergson; nem me arriscarei a comentar o ensaio de Sigmund Freud sobre o chiste. Ora, ora, quem perderá tempo com definições relacionadas ao âmbito da psiquê, não é mesmo?

Longe disso. E, infelizmente, muito perto de nós. Eles estão nas padarias, nas filas de supermercado, nos corredores que precedem as cabines de votação. São os eleitores de um candidato que sorriem enquanto fingem “discutir” política. Não levam suas vidas a sério; que dirá, a existência dos outros, não é mesmo? Nada mais espantoso que argumentos fascistoides (sim, porque são ainda piores que os de Mussolini, nos anos 30) sejam encobertos ora pela ameaça verbal e violência física; ora pela gargalhada, no balcão do bar.

Entre um gole e outro de cerveja; entre um cliente e outro, na fila para pagar pelo consumo, um habitué da casa chega vociferando o seu voto, para “resolver a parada”. Um ou outro reagem com meio sorriso. Na ausência de clientes em fila, o caixa embala o nome do candidato com uma sonora gargalhada. Ele não se dirige apenas aos demais funcionários do estabelecimento; quer contagiar quem almoça ou parou ali para bebericar um café e… coitado, espairecer.

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Infeliz do país em que uma caricatura “humana”, rodeada de sujeitos embrutecidos, eleitores hipócritas, robôs cibernéticos e autores de virulentas fakenews (nas redes sociais e grupos de whatsApp) adquire o estatuto de “salvador da pátria” – entreguista do país aos EUA, como já declarou ser. Não há nada de novo no discurso e na atitude desse candidato. Mas, tudo bem, né? Para que nos preocuparmos? “Puxe um banquinho. Vamos pedir uma cerveja. Você está tenso, precisa relaxar. Ou vai perder amigo por política?”

 

 

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3 comentários

  1. A gente faz o que pode

    Rir da propria estupidez e ignorância não falte a quem, agora compreender uma sutil ironia não é dado a todos… Como não ha mais graça nessas eleições, nem os humoristas profissionais estão conseguindo fazer rir, vamos beber nossa derrota, pois afinal eles é que são tontos. 

  2. Crítica
    Goiânia, 18 de outubro de 2018.

    Esse texto sobre o riso é um assinte à inteligência do leitor, o cara se acha, e o acho com cara de tolo. Incluir dentro de um texto uma barbárie de idéia dessa totalmente descontextualizafo, respeita rapaz. Faça como Adelaide Carrero, vá escrever sobre ou teria.

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