Campanha de Serra em 2010 construiu alicerces do Fascismo Político Pós-Moderno, por Alexandre Tambelli

Campanha eleitoral de José Serra em 2010 construiu alicerces do Fascismo Político Pós-Moderno no Brasil

por Alexandre Tambelli

Quem começou esta fratura social brasileira que culminou com o fascismo político e social pós-moderno de hoje foram José Serra do PSDB em dobradinha com a velha mídia capitaneada pela Rede Globo, Veja & Cia. em 2010.

Serra é um candidato marcado pela ausência de carisma para com o eleitorado e utilizador dos bastidores sujos da Política para se beneficiar eleitoralmente via dossiês de campanha contra adversários dentro e fora do partido que é filiado. Ele teve, em 2010, a impossível missão de derrotar a candidata de Lula, Presidente com seus mais 80% de aprovação popular e com Governo exitoso economicamente, socialmente e internacionalmente. Sem contar que o seu partido e sua candidatura representam a plataforma neoliberal semelhante ao que FHC praticou e Temer pratica hoje no Governo, plataforma que explicitada não rende votos no Brasil e plataforma da velha mídia patrocinada, desde há muito, pelo mercado financeiro.

Serra tentou até, no início da campanha eleitoral, se passar por “Zé” o amigo de Lula e o churrasquinho na laje na produção de uma favela Fake em estúdio de publicidade para alavancar sua candidatura. O que não surtiu efeito desejado.

Como perdia dia a dia terreno eleitoral para Dilma nas eleições presidenciais daquele ano, nasceu ali, o início da onda Fascista pós-moderna no Brasil, nasceu via campanha eleitoral de José Serra do PSDB e apoiada numa campanha de ódio e destruição da dignidade e humanidade do adversário político: o PT, disseminada pelos meios de comunicação hegemônicos capitaneados pela Rede Globo de Televisão e revista Veja.

Serra contratou em 2010 um Guru Indiano que havia feito a campanha do candidato republicano nas eleições norte-americanas de 2008 e que seguia a estratégia eleitoral de uma corrente de notícias falsas contra o adversário principal, no Brasil contra o partido, a candidata e quem era o seu cabo eleitoral fortíssimo, respectivamente, o PT, a Dilma e o Lula.

Essa corrente do mal era sinônimo do site de campanha do Serra, onde, lá no site não existia campanha (programa de Governo, propostas) alguma, apenas um campo para preenchimento do e-mail de seus simpatizantes (eleitores) que eram comunicados que receberiam por e-mail informações da campanha do tucano.

A pessoa se cadastrava e recebia e-mails.

Nos e-mails, ao invés de campanha, havia uma coleção de Fake News, que por ter o remetente de uma página Oficial de Campanha se tornava, para muitos, verdade! E que formando uma grande corrente do mal invadiram as caixas de correios de e-mails de milhões e milhões brasileiros.

E o que diziam esses e-mails?

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Diziam clássicas mentiras da Internet e do anedotário popular:

1) Dilma foi uma terrorista e assaltante de bancos;

2) Se Dilma vencesse iriam dividir a nossa casa com os pobres;

3) Se Dilma vencesse o comunismo do Foro de São Paulo se instalaria no Brasil;

4) Lula perdeu 1 dedo para receber uma aposentadoria por invalidez;

5) Se Dilma vencesse o MST iria invadir e tomar posse de um monte de fazendas Brasil afora. Etc.

Partindo do site oficial de campanha de José Serra e contando com a boa-fé, ingenuidade de muitos e má-fé de alguns em repassar os e-mails Fake News estava inaugurada a fase onde a disputa Política minimamente civilizada deu lugar para produção de mentiras sobre o candidato e partido opositor e passou-se da disputa entre dois adversários políticos para a disseminação da ideia de que o adversário político de Serra é um inimigo da sociedade brasileira, é um sujeito sem escrúpulos, é um corrupto, um anticristão, não tem dignidade e condição humanas, é violento e antidemocrático e assim por diante. Lembro bem que essas “notícias fakes” na véspera da Eleição estavam afiadas e decoradas como verdadeiras na boca dos eleitores de Serra. 

Não à-toa Serra foi apelando para todos os tipos de jogadas rasteiras para tentar ganhar a Eleição em sua dobradinha com a velha mídia, pois não tinha campanha política possível para quem não elaborou um Programa de Governo e sim uma campanha Fake News.

Então, Serra, em dobradinha com a velha mídia, foi o candidato da desconstrução do adversário, do inimigo a ser abatido, não foi um candidato com propostas, mas, o anti petista por excelência, o que pensou vencer pelo ódio, pelo medo e pela mentira.

Daí sua campanha se desenhou no plano das Fake News noticiadas como verdades na Globo, Veja & Cia:

Dilma Terrorista (Ficha Falsa da Dilma) – bandida;

Dilma Abortista – anticristã;

O sensacionalismo da quebra do sigilo bancário da filha Verônica Serra – Dilma sem escrúpulos, envolve até a família de Serra em sua campanha;

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A destruição eleitoreira da reputação da Subchefe da Casa Civil de Dilma: Erenice Guerra – Dilma acobertando corrupta ao seu lado na Casa Civil.

A simulação de um atentado violento de petista, o caso da bolinha de papel em passeata no Rio de janeiro – PT e petistas violentos e antidemocráticos.

Da Eleição de 2010 em diante se construiu uma nova forma de agir da direita política representada pelo PSDB em sua dobradinha com a velha mídia, ela não mais agia dentro de mínimas regras do jogo político em uma campanha eleitoral civilizada respeitando humanamente a candidatura petista.

Petista passou a ser inimigo, porque ao perder pela 3 vez consecutiva para ele, não enxergava, o PSDB e seu aliado velha mídia e patrocinadores, perspectivas de voltarem ao Poder tão cedo.

Claro que antes de 2010, em 2005 e a campanha de derrubada de Lula no Congresso via “Mensalão” na voz de Roberto Jefferson para a Renata Lo Prete ou em 2006 e o dossiê dos aloprados com a montanha de dinheiro “petista” na véspera do primeiro turno já se fazia presente a dobradinha velha mídia e direita política, certo? Só que ali tínhamos um jogo sujo eleitoral, mas não, ainda, um processo de inserção da sociedade (o eleitor de e da direita) na transformação do adversário político/ideológico em um inimigo, uma sub-raça, um inimigo a ser abatido e banido socialmente e politicamente como se processou a partir de 2010. 

Nós convivíamos tranquilamente com as diferenças ideológicas e quase ninguém queria matar “petista” nem se confundia petista com comunista, bolivariano, se me entendem e não tinha fratura social e Fascismo no convívio social antes daquela Eleição.

Serra foi quem iniciou, em sua campanha eleitoral, o processo inserção na sociedade da lógica do inimigo político, não mais tínhamos ideologias e visões de sociedade e Estado diferentes, éramos divididos em dois grupos, o do bem (honestos, superiores, vencedores por mérito e trabalhadores) – seus eleitores e o do mal (corruptos, inferiores, indolentes e mau-administradores) – petistas e aliados a serem exterminados. Daí para a fratura social continuada foi um pulo.

E se aprimoraram com o tempo as formas de ódio e de produção do inimigo interno dos fascistas (por exemplo: os nordestinos por votarem no corrupto do PT por causa do recebimento do bolsa família), incorporando partes do Judiciário no desafio de vencer o PT e retomar o Poder a qualquer custo.

Surgiram, então, o Julgamento do “Mensalão” e a “maior corrupção da História” e a Lava-Jato e a “destruição da Petrobrás”, todas ações concomitantes com o período de intensificação da campanha eleitoral de 2012 e 2014, que culminaram em 2016 com o Golpe de Estado e a ascensão da extrema-direita e seu candidato Bolsonaro, aceita como ator social relevante no período pré-Golpe, necessária por ser a massa de manobra social, boa parte dela – havia os incautos, que foi legitimar na Avenida Paulista o Impeachment sem crime de responsabilidade da Presidenta Dilma.

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De característico do período pós-2010 é o crescimento e manutenção do discurso narrativo eivado de ódio e disseminado diariamente nos microfones da velha mídia e nos submundos da Internet de extrema-direita, colocando os petistas, o Governo Dilma, Lula, Dirceu e o PT como uma “quadrilha” que assaltou e quebrou o Estado brasileiro, enriquecendo os “companheiros” via corrupção desenfreada e que destruiu a maior empresa brasileira: a Petrobrás.

De tanto ódio e Fake News repetidas a exaustão se construiu o caminho para a produção social do Legislativo mais corrupto e sem humanidade da História em 2014, Legislativo que produziu o Golpe do Impeachment fraudulento colocando Temer e sua camarilha para comandar a chave do cofre do Governo Federal.

Criou-se, ainda, este caos econômico e psicossocial e a anarquia jurídico-parlamentar-governamental no Brasil colocando nas redes sociais e nas ruas o monstro do Fascismo.

Monstro do Fascismo nascido da campanha irresponsável de Serra em 2010 e perpetuado até hoje por Veja, Globo, Istoé & Cia. e seus jornalistas amestrados + Joaquim Barbosa, Sério Moro, Dallagnol, etc. a partir de 2012 com a entrada do Judiciário na campanha de destruição do PT para retomada da chave do cofre federal.

Uma perseguição e ódio sem freios ao PT, petistas, Dirceu, Lula e Dilma e, agora, a todas as correntes políticas de esquerda, que ousam vencer as eleições presidenciais no Brasil e a todas as minorias e movimentos civis e sociais com bandeiras progressistas. 

Trazendo para hoje podemos dizer que a morte da Vereadora do PSOL Marielle Franco, negra, homossexual, socialista, nascida na favela, ativista de direitos humanos e sociais é, por assim dizer, resultado desse processo Político Fascista, que se produziu nesta década no Brasil.

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9 comentários

  1. Isso aí começou no movimento

    Isso aí começou no movimento Cansei financiado por uma empresa de artigos eletronicos,

     

    tinha umas mocreias da rede golpe, e uma cantora desavisada, fizeram um comicio idiota na Praça da Sé, foi o primeiro movimento que tentou insuflar a população contra o governo, deu com os burros n´água, mas a engenharia ficou………..

     

    • Naldo!

      Foram ensaios, sim! E ficaram no ar.

      Serra como disse pro bfcosta trouxe o processo de transformar adversário político em inimigo para o centro de uma campanha eleitoral e incorporando seu eleitor nesta empreitada inicial de ódio contra Dilma, Lula, petistas e o PT.

      Abraço,

      Alexandre!

  2. tudo a ver

    Alexandre,

    Ali, o dueto serra-globo consegiu detonar uma verdadeira bomba-relógio de ódio e perseguições que atingiu a milhões de desavisados, foi quando o conceito de politicamente correto foi vergonhosamente manipulado por diversas vezes ( cabe lembrar o depoimento de brasileira que foi aluna de Monica Serra, que falou em sala de aula ter feito um aborto), com a mentira servindo de pano de fundo para inúmeras bandidagens – como não lembrar da bolinha de papel com certificado do molina e tudo o mais?

    O canalha tem um livro de 350 páginas dedicado a ele, um sem número de processos na Justiça que parecem não existir, um histórico como governador capaz de fazer corar qualquer recém-nascido e, ainda assim, foi chanceler, é inacreditável.

    A Dilma é terrorista, mas se você disser a um tucano que ele votou em um ladrão de bancos (aloysio nunes ferreira, neste momento o chanceler e um traficante ( aecio nves e o helicóptero com 470 kg. de cocaína), ele tomará um susto. Não por acaso, este é o perfil do grupo político que vem destroçando o país. Bolsonaro é candidato? Tudo a ver.

    • Cabe lembrar, sim!

      Alfredo!

      Eu não coloquei a informação no texto, porque fiz só pontuações básicas para mostrar que a campanha do Serra foi de associação de Dilma e do PT a tudo de execrável que exista. O manjado jogo do bem contra o mal. A menção do aborto praticado por Mônica Serra foi numa aula de Dança na Unicamp.

      Abraço,

      Alexandre!

  3. Eu havia escrito artigo mostrando isso, mas abordando o PIG/PPV

    Em 2016 escrevi um artigo no qual mostro que 2010 foi o ano da ruptura descrita com detalhes no texto in comento (https://jornalggn.com.br/noticia/2010-e-o-ano-da-ruptura-de-qualquer-pudor-ou-verniz-por-joao-de-paiva). O enfoque foi a atução dos veículos de mídia, que atravessaram o rubicão servindo à campanha de josé serra, como Alexandre Tambelli demonstra de forma competente neste artigo.

    • bfcosta

      Com certeza existiram movimentos na direção Fascista dentro da sociedade pós-eleição de Lula e antes do Serra.

      Lembremos do Diogo Mainardi e do Reinaldo Azevedo e o Jornalismo de Esgoto da Veja.

      Porém, penso eu, que era uma situação de guetos, um público específico e não disseminado por toda a sociedade.

      O Serra trouxe para o centro de uma Eleição a estratégia de transformar um adversário de campanha em inimigo.

      Ele ajudou a universalizar este processo de ódio, o que era de parcelas sociais, adentrando o ódio em periferias até, levando personagens como alguns pastores protestantes para dentro desse processo de facistização da sociedade.

      Antes, o Cansei era uma classe média-alta e uma elite reacionárias. Com Serra pessoas inofensivas que conheço adentraram nesta loucura de odiar o PT, Lula e Dilma, sem se darem conta das atitudes nem saber distinguir uma Fake News de uma notícia real. 

      Eu tinha uma namorada, em 2010 fiquei um tempo sem conversar com ela e um dia calhou de falar de Eleição. Ela sabia decór cada uma das Fake News conhecidas, ela recebeu tudo por e-mail e isso se amplificou no convívio diário com outros que receberam as mesmas mensagens. 

      Pessoas além da extrema-direita foram contaminadas com a campanha de Serra e o “Mensalão”, a “Lava-Jato”, o Aécio em 2014 e o Golpe do Impeachment. 

      Abraço,

      Alexandre!

       

  4. Eu sempre disse isso. Se

    Eu sempre disse isso. Se juridicamente este este apocalipse que nos assola começou com aquela coisa de “eu não tenho prova contra o Dirceu mas vou condená-lo porque a literatura me permite” , politicamente esta onda gigante fascista que atravessamos teve início naquele slogam sectarista ” o serra é do bem”. Ali os retrógadas de toda estirpe tiveram o pretexto exato pra sairem do armário e se confessarem amigos do hilter. 

  5. *

    Depois da derrota, a campanha de Serra divulga um vídeo para mostrar como seria o governo Dilma. Ou como a falta dele, Serra, como presidente o destino pais seria o caos. Na época com toda a euforia da vitória de Dilma aliada com o momento do país, o vídeo parecia uma coisa de derrotado e de maluco, que em grande parte era mesmo. Mas a mensagem não deixava de ser intrigante, sem querer ser visionário dos fatos passados. Coisas como caos, impeachment e etc estava ali mostrado, inclusive o ano 2013. Obviamente que a narrativa dos fatos é o samba do crioulo doido, e o vídeo não é nenhuma premonição. Mas parecia qual era os objetivos que a turma dos apoiadores de Serra iriam trabalhar a partir daquele momento.

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=-JKLKT8Z-jc align:center]

     

     

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