Como se mentir em duas horas e vinte e quatro minutos de imagens, por Rogério Maestri

Mas o mais patético do documentário é o fim, que é uma reprodução do que fazem no início, falam vagamente sobre a revolução russa

Como se mentir em duas horas e vinte e quatro minutos de imagens

por Rogério Maestri

Hoje tive o prazer de assistir um belíssimo exemplo inglês de como falsificar a história em duas horas e vinte e quatro minutos de imagens, assisti um super documentário sobre a primeira guerra mundial com o título “Doomsday – World War I”.

As imagens do documentário são fantásticas, filmes totalmente recuperados da época com muitos trechos com colorização, ou seja, algo muito bom para ser assistido desde que conheças a história e tire do documentário várias partes da história da época que são totalmente esquecidas ou fatos importantes resumidos a trechos de alguns minutos.

O vídeo começa com cenas da Belle Époque onde a origem da primeira grande guerra é justificada pelo assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austríaco, e sua esposa no dia 28 de junho de 1914, que o documentário diz literalmente que ninguém deu muita atenção, mas em questão de segundos após as imagens sobre o assassinato a Europa como um todo estava em guerra, uma verdadeira abordagem simplória sobre todo o processo. Para ficar mais emocionante eles colocam as ridículas atuações de Hitler, dos futuros generais Montgomery, Paton e De Gaulle todos de ação nula na primeira grande guerra como tivessem para o bem ou para o mal apreendido algo nessa guerra, o que na verdade parece que nenhum salvo dDe Gaulle apreendeu algo.

Mas o mais patético do documentário é o fim, que é uma reprodução do que fazem no início, falam vagamente sobre a revolução russa, dizendo que Lenin foi um ditador mauzão e que foi utilizado pelos alemães para trair a pátria mãe (do Czar, é claro).

Em resumo, se cortarmos algumas partes o documentário até se sustentaria pela qualidade das imagens, mas as intervenções dos personagens, o início e o fim são patéticos e falseiam o máximo toda a política que se desenvolveu na primeira guerra, transformando algo que poderia ser bom num pastiche.

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