contramão, por Zê Carota

| contramão |

por Zê Carota

pela primeira vez em décadas, um papa adota as posições e discursos humanistas que se espera de uma liderança religiosa com tamanho poder de contribuição à civilidade mínima, mas tal postura, no momento em que o capitalismo, mundialmente, e como nunca, decidiu investir somente no ódio como fonte de lucro, provoca erros de interpretação à esquerda e à direita, e taí o Brasil que não me deixa mentir.

para boa parte de nossas 413 esquerdas, Francisco I é “socialista”.
tsc, tsc…

já entre nossas duas direitas, as opiniões se dividem: para a nossa direita que não baba, “hummm… esse papa, viu, sei não…”; enquanto para a direita hidrófoba, devota do ódio, seja este encarnado por uma hiena, um parafuso de tanque de guerra, um pinscher megalômano (ou, preferencialmente, a soma dos três a que, sozinho, corresponde bolsonaro), Francisco I é “comunista”, “esquerdista”, “petralha” e mais 1 ou 2 adjetivos que conseguem decorar sem que precisem escrevê-los em seus cascos.

foi o que se viu, essa semana, na investida que fizeram contra o papa, em seu perfil no Twitter, em reação à sua declaração de que esperava que governantes investissem mais em tudo que promova desenvolvimento, em vez de gastarem tanto dinheiro em armamentos.

repito a primeira frase deste post: pela primeira vez em décadas, um papa adota as posições e discursos humanistas que se espera de uma liderança religiosa com tamanho poder de contribuição à civilidade mínima.

credos à parte, o mundo ansiava por isso – menos, vê-se, toda elite e 98% da classe média brasileiras.

para estas, perfeito era bento XVI (ratzinger, no RG e na ficha – assinada voluntariamente – da juventude hitlerista), que, além de contemplar à perfeição seu (delas, elite e classe média hidófobas) ódio a pobres, negros e gays travestido de virtude moral e cristã, ainda calçava Prada – e este, vendo isso, deve estar se consumindo pela culpa de ter cedido à pressão de recolher-se à sua abjeta insignificância humana.

BraZil, essa contramão na História.

é #LulaLivre ou Deus nos livre.

 

 

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