Coronavírus: As cadeias de suprimento poderão ruir em intensidade defasada no tempo, por Rogério Maestri

A queda das pedras do dominó estão sendo retardadas pelas ações de controle sanitário dos países que estão defasando no tempo as paradas das máquinas industriais

Coronavírus: As cadeias de suprimento poderão ruir em intensidade defasada no tempo

por Rogério Maestri

Empresas em todo o mundo estão, devido ao coronavírus, parando por falta de suprimentos fornecidos pela China. Entretanto, os técnicos da área não estão levando em conta que esta falha poderá e será feita em cascata por todo o mundo e isto pode ser bem pior do que somente a China parando.

Várias empresas estão em compasso de espera para poder encontrar um outro fornecedor que custará não dez nem vinte por cento do vendido pela China, mas sim valores da ordem de 100% ou mais, porque uma coisa é fornecer continuamente a um grande cliente e outra coisa é receber uma encomenda que talvez dure por poucos meses, se o surto de Coronavirus não cair e cair muito na China, os custos de produção ou subirão astronomicamente ou simplesmente as indústrias terão que entrar e férias ou mesmo demitir seus empregados.

Por outro lado, o que se vê que as ações sanitárias nos países desenvolvidos estão conseguindo simplesmente retardar a entrada da epidemia, isto será ótimo para os países poderem se preparar melhor e péssimo para as chamadas cadeias produtivas globais.

A China até a semana passada era a bola da vez, começando já há algumas semanas a ser substituída por outros países asiáticos como Coréia, Vietnam e Japão, porém de súbito aparece na industrializada região no norte da Itália um surto que também vai bloquear a produção de uma série de insumos para todo o mundo. Talvez na próxima semana teremos os Estados Unidos e daqui a quinze dias a Alemanha ou a França, ou seja, a queda das pedras do dominó estão sendo retardadas pelas ações de controle sanitário dos países que estão defasando no tempo as paradas das máquinas industriais, por exemplo, o setor automobilístico que desmontou as indústrias de autopeças relocalizando-as em outros países por conveniências diversas, conforme a queda das peças do dominó poderão voltar a produzir com uma intensidade mínima, mas contínua daqui há três o mais meses, pois num automóvel temos componentes que veem de diversos países e continentes.

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Talvez algo que ninguém note é que o caso da atual pandemia não é por esta pandemia ser forte e altamente mortal, mas sim porque uma palavra chamada estoque foi substituída por uma nova expressão, “just in time”. Com dezenas de anos de estabilidade no comércio internacional, as ideias brilhantes dos administradores de empresas ou economistas que não conhecem a história da economia é um verdadeiro terror. Se uma empresa tivesse um estoque de peças de difícil substituição para dois ou três meses, o que ganharia da concorrência numa situação como essa, cobriria décadas de manutenção do estoque, mas nenhuma empresa faz testes de resiliência a pequenos e grandes contratempos, todos contam com o estoque que está dentro do navio vindo para o porto mais próximo, mas nenhuma pensa que o navio poderá parar de vir por um curto espaço de tempo, dois ou três meses.

Se o cenário catastrófico se restringir a poucos países, somente alguns milhões de empresas vão a falência em todo o mundo, porém se houver uma queda em câmara lenta dos fornecedores, a economia mundial poderá cair numa recessão muito mais grave do que a de 1929. Só o futuro dirá.

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4 comentários

    • Meu caro.
      Antes de escrever este artigo tive o cuidado de ler uma série de artigos de revistas especializadas em cadeias de suprimento e de transporte, logo o que escrevo, diferentemente de comentaristas de botequim, são coisas que não tiro simplesmente da minha cabeça.
      É extremamente importante não ficar nas platitudes tipo, o governo fez isto ou aquilo, se estás acostumado a ouvir ou ler sempre as mesmas coisas, vá para a Globo.

  1. Rogério, todo produto sai da linha de produção com um ponto de obsolescência. De automóveis a geladeiras, de impressoras a máquinas de lavar, de modo que com tempo definido de vida, que normalmente não ultrapassa um ano, (o tempo máximo de garantia), não há porque fazer estoque de qualquer coisa, mesmo que seja para a produção corrente. É mais fácil partir para o próximo modelo.
    Veja que os revendedores de produtos e insumos chegam ao cúmulo de oferecer seguro com garantia de troca por um novo, se um produto, vendido novo, der defeito.
    Tudo hoje é descartável, de modo que não há como uma empresa ter uma filosofia de manter estoques a longo prazo, a menos que seu produto seja muito diferenciado.

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