Cristiano Ronaldo é craque. Lula é craque e mito, por Rita Almeida

Fotor Francisco Proner

Cristiano Ronaldo é craque. Lula é craque e mito

por Rita Almeida

Desde quarta-feira passada que estou querendo escrever um textão sobre o gol de bicicleta do Cristiano Ronaldo na Liga dos Campeões da Europa. O lance foi tão magistral, que a torcida adversária aplaudiu o CR7 de pé; uma verdadeira obra-prima do futebol. Eu chorei na hora e quis muito escrever sobre o fato, mas aí veio toda a movimentação política com a iminência da prisão do Lula e isso mexeu tanto comigo, que o texto ficou em suspenso, mas latejando aqui nos meus ouvidos. Sim! Eu ouço vozes.

Ontem o texto voltou a falar comigo, misturado às de horas de agonia que antecederam a prisão do Lula, me levando a essa mistura de política com futebol que eu vou trazer aqui. Dois temas que eu adoro, aliás.

Futebol é lindo! – eu acho – e alguns jogadores fazem dele um verdadeiro espetáculo. Cristiano Ronaldo é um deles. Domínio dos fundamentos, capacidade física e motora, habilidade técnica, dedicação, são fundamentais para fazer um bom jogador, mas os realmente geniais possuem a Inteligência de um campeão de xadrez: conseguem antever uma jogada muito antes que ela aconteça. Só que, diferentemente do jogador de xadrez, o jogador de futebol não têm muito tempo para pensar, então, precisa se tornar uma espécie de viajante no tempo, e estar sempre alguns segundos à frente do tempo real; tanto para tocar a bola naquele espaço vazio onde seu companheiro ainda irá chegar, quanto para se antecipar para o espaço vazio onde a bola ainda não chegou. Assim sendo, o toque ou a movimentação do craque é quase uma premonição. Ele, de algum modo, sabe o que vai acontecer antes de todos, e tira proveito disso.

O gol de bicicleta de Cristiano Ronaldo, na semana passada, foi um exemplo claro dessa capacidade, elevada à perfeição. Quem conhece futebol sabe que, toda bicicleta nasce de um passe errado. Ela é usada como recurso quando a bola não chegou baixa o suficiente para se tocar com o pé e nem alta o suficiente para se tocar com a cabeça. Além disso, só pode funcionar quando o jogador já passou do “ponto” da bola. E como, quase sempre, a intenção da bicicleta é o gol, trata-se da última tentativa, um último recurso para se corrigir uma jogada, que o jogador anteviu que será fracassada, e finalizar em direção à meta. Conseguir o gol, nesse caso, é um feito extraordinário. Agora, alcançar a perfeição da jogada a ponto de fazer a torcida adversária aplaudir de pé, é talento de alguns poucos fenômenos, como é o caso de Cristiano Ronaldo.

O que Lula fez entre o momento que decretaram sua prisão e a prisão de fato foi nada menos que um gol de bicicleta perfeito. A capacidade estratégica de Lula para fazer um gol de placa depois de receber um passe que, para a imensa maioria, seria um desastre completo, é de uma genialidade inigualável. Lula, em poucas horas, e sem desobedecer completamente a ordem de prisão, conseguiu fazer tudo que precisava ser feito para ser definitivamente coroado como um mito da política, não apenas nacional, mas mundial. Lula trouxe todos os olhos do Brasil e do mundo todo para si e sua condição, uniu as esquerdas como há muito não se via, lançou líderes que poderão lhe suceder, caso não consiga ser candidato este ano, transformou a tristeza e a raiva da militância em força e mobilização, e fez um discurso arrebatador, capaz fazer explodir o “lulismo” com toda força, até nos que achavam que já o tinham superado – assim como eu.

Com seu gol de bicicleta, Lula – como sempre fez, aliás – usou a adversidade abissal que seria a humilhação de uma prisão em rede nacional (e mundial), e transformou-a em uma espécie de assunção à condição de mito, em vida. Enquanto alguns ingenuamente acreditavam que, decretar rapidamente sua prisão faria com que ele não tivesse tempo ou agilidade para responder, Lula mostrou que estava, pelo menos, duas jogadas à frente do seu adversário. Sabia exatamente o que estava fazendo. E ao dizer: “eu não sou mais um ser humano, eu sou uma ideia”, Lula usa sua própria morte para ficar vivo como nunca antes nesse país – para usar suas palavras – algum líder já esteve. Lula é gênio. Lula é raro. Lula é um fenômeno a ser respeitado e aplaudido de pé, até mesmo pela torcida adversária. Sorte de quem tem ele no time. E eu que não sou besta de não me aproveitar desse craque.

Rita Almeida

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

5 comentários

  1. Rita Almeida fiquei seu fã.

    Rita Almeida fiquei seu fã. Vou guardar  esse texto. Lula é o maior craque que o Brasil já teve. E é um previlégio ter vivido para conhecer esse homem extraordinário.

  2. Os craques dos nossos corações

    Eu não sou muito fã de futebol e adorei o texto. A associação entre o drible de um craque no futebol e de Lula é muito boa. Espero que Lula ainda dê uma grande reviravolta nesse jogo que parece perdido. Saudades do magrão!

  3. Lula é craque mas a Lavajeteiros são pernas de pau

    Mas basta o Lula ser craque, os adversários, como bem admitiu o Gilmar Mendes, têm que respeitar as regras do jogo democrático. Sem respeito a essas regras, a genialidade do Lula não vai dar em nada, senão nessa arbitrariedade, que vai se estender a todos os que se opõem a essa violência estatal.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome