Desertor ou redentor, egóico ou magnânimo, a escolha é sua, por Francisco Celso Calmon

Derrotar o genocida no primeiro turno será retirar dele a possibilidade de contestar uma eleição que terá eleito um Congresso e governadores

Desertor ou redentor, egóico ou magnânimo, a escolha é sua

por Francisco Celso Calmon

A história não o absolverá, mas está sendo generosa com Ciro Gomes.

A última oportunidade de redenção diante de sua deserção do segundo turno na eleição de 2018 é a de colaborar para o crescimento de seu partido, PDT, para a qualidade do Congresso Nacional e para colocar a pá de cal na derrota do Bolsonaro já no primeiro turno, candidatando-se a deputado federal.

Derrotar o genocida golpista no primeiro turno será retirar dele a possibilidade de contestar uma eleição que terá eleito um Congresso (513 deputados e 27 senadores) e governadores dos 26 estados e mais o do Distrito Federal.

Por mais que Ciro seja hábil em construir sofisma e discurso de lógica formal para justificar suas idiossincrasias, os historiadores não olvidarão de registrar a verdade de sua omissão no segundo turno da eleição passada, contribuindo para a vitória do presidente protofascista, ou, no mínimo, deixando de agregar votos na chapa do Haddad e Manoela.

Candidato a deputado federal, Ciro contribuirá para que a legenda do PDT eleja três ou quatro deputados a mais. No congresso, Ciro poderá despontar como líder da maioria ou da minoria ou, quem sabe, do governo.

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Parte significativa do seu potencial eleitoral à presidência seria desviado para Lula.

 Além disso, ainda seria uma voz potente junto à essa frente ampla em torno de Lula e Alckmin para denunciar o processo golpista do Bolsonaro, inclusive usando de seu arrebatamento para enfrentar as parcelas dos militares aderentes à trama bolsonarista, destacando-se como defensor assertivo e corajoso das instituições democráticas, provocando e fomentando-as de seiva pelo seu exemplo.

Por fim, evitaria mais uma derrota e manteria o seu handicap eleitoral, sem mais subtração, que corre o risco de ainda vir, por efeito do voto útil, comum às vésperas das eleições. 

Que a covid que o acometeu tenha deixado uma sequela de humildade e um olhar à frente do próprio umbigo.

Francisco Celso Calmon, coordenador do canal pororoca e ex-coordenador nacional da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça

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1 Comentário

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PC Gama

- 2022-05-17 08:54:14

A análise é perfeita e aponta o que seria melhor para o país, racionalmente. Resta saber se Ciro terá alguma grandeza ou o mínimo de racionalidade em momento tão delicado à nossa democracia.

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