E as domésticas?, por Régis Eric Maia Barros

O inconsciente de Guedes o traiu. Ele certamente, depois da repercussão negativa da sua fala, vai querer se justificar e dar outra interpretação. No entanto, não haverá jeito.

Foto Amanda Perobelli - Reuters

E as domésticas?

por Régis Eric Maia Barros

Já se escreveu muito sobre a fala do Ministro da Fazenda. Portanto, não pretendo chover no molhado. Trarei pequenas reflexões de natureza psicanalítica.

Todos nós temos uma estrutura mental chamada de inconsciente que guarda um bocado de coisas. Coisas guardadas no fundo baú das quais até esquecemos que existem ou que queremos esquecer ou que queremos não ver ou que queremos que ninguém veja.

Mas, esse depósito psicológico nos trai. Vez por outra, de forma espontânea e descuidada, ele vem à tona. Ele nos entrega. Se houver sensibilidade e capacidade de decodificação, pode-se perceber o que estava escondido de forma bem desnuda.

O inconsciente de Guedes o traiu. Ele certamente, depois da repercussão negativa da sua fala, vai querer se justificar e dar outra interpretação. No entanto, não haverá jeito. É isso mesmo que pensa o número um da economia brasileira. Ele, que está a frente da pauta econômica, não compreende que os menos favorecidos podem e devem ter acesso ao que é de melhor e ao que é desfrutado pelos mais abastados.

É isso que ele pensa. Não adianta justificativas semânticas. O inconsciente o traiu.

Não é de se assustar, pois, antes disso, o consciente já havia falado.

Para perceber, basta ler e estudar as diversas reformas governamentais que açoitarão, sobretudo, os pobres e beneficiarão os que tem mais.

A ideia é quase calvinista, ou seja, se você nasceu pobre, aceite seu estado de vida. Por que você quer ir para Disney? Deixe isso para quem merece.

Leia também:  Paulo Guedes, o Caco Antibes racista da vida real, por Djefferson Amadeus e Arthur Almeida

Como dito por Cazuza, “Brasil mostre a sua cara…”

Régis Eric Maia Barros – Médico Psiquiatra

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3 comentários

  1. Não me pareceu nada inconsciente. Foi simples perversidão explicita. O que dizemos é sempre o que queremos e ponto. O famoso “não foi isso que eu queria dizer” é refúgio para covardes. Quem não segura um barbarismo verbal destes, não o fará com um prosaico pum em público.

  2. PGuedes, persona que era quase que inteiramente desconhecida dos brasileiros até chegar ao Ministério, não chegou onde chegou por acaso, ele é o homem da banca e somente a ela responde.
    O rol de asneiras do economista começou pelo “modelo chileno” de capitalização, fórmula mágica imediatamente abandonada quando do início das conturbações no tal país-modelo, o Chile, e seguiu ao ritmo das ordens que recebe, enfiando goela abaixo do Congresso uma reforma previdenciária completamente desnecessária, uma vez que a Previdência não dava prejuízo, mas que privilegiou imensamente a banca, fazendo o Congresso de idiota também durante a discussão da reforma trabalhista.
    Como o poder da banca é praticamente ilimitado, o ministro não se preocupa com ninguém, seja a mídia, setores da sociedade e até mesmo o governo federal.
    Assim como tantos outros no passado, PGuedes não tem a menor idéia do que venha a ser gestão pública, daí a completa inabilidade que demonstra para ocupar a cadeira de ministro, ele nunca demonstrou qq apreço pelo país, está onde está para obedecer e, lá na frente, sair com uma bela $$ bolada no bolso.
    Esta demonstração de extremo pouco caso em relação aos que mais precisam nunca foi novidade, haja vista as diversas medidas de ordem econômica que já adotou, nenhuma delas favorável aos mais simples.
    A cereja do bolo será o dia da partida do dito cujo, que chegou ao governo como um desconhecido, ali destruiu a perspectiva de futuro de milhões de brazucas e sumirá na poeira sem que quase ninguém consiga, uns três anos depois, lembrar daquela figura nefasta, em resumo, o golpe perfeito.
    As pessoas, e não todas elas, somente irão se lembrar dele quando sentirem no bolso aquilo que lhes foi tirado por um racista.

  3. O que eu disse não foi o que eu queria dizer e o que eu queria dizer não foi o que eu disse.

    Desculpem a farra das empregadas domésticas na Disney

    Vida de Empreguete
    (Cheias de Charme)

    Todo dia acordo cedo
    Moro longe do emprego
    Quando volto do serviço
    quero meu sofá!

    Tá sempre cheia a condução
    Eu passo pano e encero o chão
    A outra vê defeito
    até onde não há!

    Queria ver madame aqui no meu lugar
    Eu ia rir de me acabar!
    Só vendo a patroinha aqui no meu lugar
    Botando a roupa pra quarar

    Minha colega quis botar
    aplique no cabelo dela
    E gastou um extra
    que era da parcela!

    As filhas da patroa
    a nojenta e a entojada
    Só sabem explorar
    não valem nada!

    Queria ver madame aqui no meu lugar
    Eu ia rir de me acabar!
    Só vendo a cantora aqui no meu lugar
    Tirando a mesa do jantar!

    Levo vida de empreguete
    só pego às sete!
    Fim de semana, salto alto
    e ver no que vai dar!
    Um dia compro apartamento
    e viro socialite
    Toda boa vou com meu ficante viajar!

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