É preciso continuar caminhando, por Ricardo Cappelli

Se não houver nenhum milagre, só Lula é capaz de tirar Lula da cadeia. O ex-presidente tem papel central na construção de uma saída para o país.

Foto Ricardo Stuckert

É preciso continuar caminhando

por Ricardo Cappelli

“Se estiver passando pelo inferno, continue caminhando.” Winston Churchill

O julgamento da suspeição de Moro reacendeu a esperança no campo progressista. As revelações do The Intercept são categóricas.

Diante de tantas evidências de conluio, por que Lula continua preso?

O golpe tragou os partidos e asfaltou o caminho do obscurantismo. Restaram duas correntes políticas: o bolsonarismo e o lulismo.

A aliança bolsonarista é formada por olavistas, militares, empresários outsiders, setores evangélicos e o partido da Lava Jato. Na outra ponta, o lulismo.  As demais forças políticas estão fragmentadas, tragadas pela polarização Bolsonaro x Lula/PT.

Não existe ainda liderança ou programa que aglutine forças capazes de conformar um terceiro polo, que se apresente como alternativa de poder real.

Esta situação interessa ao Capitão. Moro desnudado? “Querem livrar Lula”. Para qualquer erro ou ataque ao governo, a resposta é sempre a mesma: “culpa dos petistas”.

É uma manobra inteligente. A maior Frente Ampla existente continua sendo contra o PT.

Se os mesmos fatos revelados pelo jornalista Glenn Greenwald envolvessem outro personagem, muito provavelmente o ministro Celso de Mello, conhecido como garantista, teria votado pela suspeição de Moro.

A defesa do Estado Democrático de Direito é uma bandeira ampla, desde que ela não bata de frente com a outra Frente Ampla, que recusa a volta do PT ao poder.

A suspeição do ex-juiz levaria naturalmente à anulação da condenação de Lula. Já imaginaram Luiz Inácio saindo da cadeia inocentado? Sairia de Curitiba direto para Roma, onde seria canonizado em vida pelo Papa. O Nobel da Paz seria barbada.

O povo brasileiro não tolera injustiça. A facada vitimizou Bolsonaro e lhe foi fundamental. A anulação do processo seria a “facada” decisiva de Lula. A eleição viraria um mero problema técnico-temporal para sua volta ao Planalto.

Existe correlação de forças na sociedade para um movimento desta envergadura? É ilusão imaginar poderes técnicos, isolados da luta de classes.

Um movimento tático de Lula, de se “misturar” numa Frente, desmontaria a estratégia do inimigo e poderia isolar Bolsonaro.

Numa guerra assimétrica, enfrentar o inimigo de peito aberto é suicídio. De qualquer forma, não é simples a maior força política aceitar uma manobra tática defensiva que lhe tire protagonismo.

Seria uma estupidez, uma ignomínia dizer que o ex-presidente continua preso por sua culpa. Entretanto, é pouco provável que ele saia da cadeia sem uma alteração na correlação de forças. A polarização alimenta o exército adversário. Não haverá uma guinada à esquerda.

Se não houver nenhum milagre, só Lula é capaz de tirar Lula da cadeia. O ex-presidente tem papel central na construção de uma saída para o país.

Para quem nasceu marcando posição e conseguiu chegar ao poder, não é uma decisão fácil, mas como disse Churchill, é preciso continuar caminhando.

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6 comentários

  1. Até que enfim o Ricardo Cappelli, analista e participante ativo dos bastidores da Política, revela o que eu já intuía mas não tinha condições de afirmar por ser apenas um cidadão comum. LULA é o único obstáculo para a formação da Frente Ampla para reconstrução do Estado Democrático de Direito.
    Lula entende que deve ser o único PROTAGONISTA por causa de sua liderança política. Essa liderança é real, mas insuficiente para uma inflexão no processo político.
    Depois da eleição na qual a estratégia de Lula foi derrotada e permitiu a prevista assunção de Bolsonaro, o campo progressista NÃO aceitou mais as imposições hegemônicas do PT.
    Se a Frente Ampla tivesse sido constituída, as revelações do The Intercept já teriam proporcionado a queda de Moro e o Lula Livre. Mas Lula continua preso à sua Vaidade.

  2. Ao que me parece o articulista pretende que haja uma nova “anistia”, em que Lula, por ter se defendido das ameaças fascistas e ter sua destruição como objetivo evidente da lava jato, se retire do jogo ou assuma um papel secundário, deixando o caminho livre para sabe-se lá o que.
    Dessa vez o Brasil tem que ser passado a limpo, com a punição criminal de quem cometeu crimes (lava jato e asseclas, PSDBistas etc), política de quem agiu politicamente de forma covarde e de má-fé (Ciro é o exemplo).
    Achar que a covardia ou o oportunismo vai resolver o problema do Brasil beira a ingenuidade.
    A maré está virando e a paciência do povo estar se esgotando.

  3. Essa discussão vem com um ano de atraso pelo menos. Frente ampla era uma questão colocada para as eleições do ano o passado e não ocorreram, entre outras coisas, pelo desejo de Lula ser candidato até depois de inviabilizada sua candidatura. Não me parece que nada tenha mudado desde então.

  4. Tudo bem para a hipótese de uma frente ampla mas sem essa de querer tirar o protagonismo de Lula, fazendo-o aceitar disfarçar-se para não parecer que o “perigo está de volta”. Já está na hora de crescermos compreendendo que a volta de Lula ao posto que devia ser seu (se não fossem os cafajestes de plantão) é a resposta mais honesta que os brasileiros podem dar. Afinal, quem e quantos são os cafajestes que não o aceitam? Quem ainda comunga do anti-petismo na compreensão da política? Quem são essas merdas fardadas e entreguistas que não podem ser mandadas para a cadeia, junto com Moro, Dalagnol, Boçalnaro e filhos das putas restantes? O que importa é o resultado das eleições e elas devem ser convocadas imediatamente assim que o boçalnarismo for mandado pro inferno. E é nas eleições que diremos quem deve nos governar, não importa se Lula ou não, mas desde que ele possa concorrer SIM, sem melindres para com os anti de plantão. A esses anti, o que resolve é bala, facão, paulada….desde que nós, povo, tenhamos vergonha na cara de mandar os safados pro inferno mais cedo. Lula merece o pedestal do qual não devia ter sido tirado desonestamente pelos reaças filhos da puta….

  5. A grande maioria dos brasileiros ainda não conseguiram entender que o golpe político-midiático-judiciário, “com STF com tudo”, foi um golpe orquestrado do exterior, na esteira da remoção de governos populares na América Latina, de tendências esquerdistas. A estratégia utilizada pelos canalhas sionistas khazarians, através de suas agencias de espionagem CIA/ANS, vem sendo utilizada de forma idêntica, em sucessivos golpes de estado ocorridos na região – Honduras, Paraguai, Uruguai, Argentina, Equador, Brasil, Peru, Nicarágua, Panamá – e outras tentativas frustradas – Bolivia, Venezuela, entre outras. Todos os golpes obedecem a um modelo chamado de “lawfare”, onde a mídia corrupta sensacionaliza os aspectos de “corrupção” dos governos populares e provoca uma intervenção parlamentar-judicial para remover os partidos ditos “de esquerda” do poder, variando a forma e intensidade dos diversos mecanismos utilizados, de acordo com a situação política do país-alvo. No caso do Brasil, a descoberta dos campos petrolíferos de petróleo e gás do pré-sal, além do crescimento da importância política do Brasil no cenário internacional, mercê da participação no BRICS – e essa repercussão no cenário economico atual, já que representa considerável parcela do PIB mundial, além das sucessivas vitórias nas eleições desde 2002, aceleraram a decisão da canalha khazarian de remover a presidente Dilma Roussef, reeleita para a função em 2014 via eleições livres e democráticas. Com a ajuda da mídia canalha Globo e outras de menor expressão, replicaram o modelo de destruição da imagem do governo, com o sensacionalismo e especulação da “operação Lava Jato”, também conhecida como “Farsa Jato”, tendo um inexpressivo juiz de primeira instância, ligado aos serviços de espionagem da USA Inc. e encarregado de evitar a eleição de Lula no pleito de 2018, objetivo criminosamente obtido, com a participação inclusive dos tribunais superiores (TRF-4, STJ e STF), numa demonstração muito clara que é chegada a hora do povo brasileiro tomar consciência da responsabilidade histórica de preservar a democracia brasileira e garantir a sobrevivência do país como pátria altiva e confiante no seu futuro. Caso contrário, continuaremos a ser o “país do futuro”, com o povo oprimido e o país sendo espoliado por interesses internacionais espúrios e por uma minoria apátrida, condenando nossos filhos e netos a uma existência miserável.
    Como disse acima o Carrasco, várias considerações feitas aqui não estão sendo publicadas, porque parece que existe uma censura para certos assuntos. A alegação é que os comentários são repetidos e, continuamente, surge a mesma mensagem.

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