É urgente um pacto de não agressão entre os candidatos da esquerda, por Leonardo Avritzer

É urgente um pacto de não agressão entre os candidatos da esquerda

por Leonardo Avritzer

Acho que vale a pena tentar uma interpretação dos dados das últimas pesquisas que mostram um crescimento do Bolsonaro e a estagnação do Haddad . Acho que têm dois fatores por trás do avanço do Bolsonaro. O primeiro deles, é uma certa antecipação do segundo turno na medida em que o Haddad cresceu e a campanha do Bolsonaro passou a ser atacada. Ao que parece o #elenão também teria tido um papel neste processo de antecipação do voto no Bolsonaro (desculpe minhas amigas feministas mas parece que houve este efeito).

Todos os que a princípio o apoiavam ou poderiam fazê-lo e estavam em outras candidaturas se movimentaram na direção dele para ancorar uma candidatura anti P.T. Se de um lado, isso fez com que a candidatura dele rompesse a marca dos 30% dos votos, eu acho que torna o segundo turno mais difícil para ele porque ele já conseguiu a maior parte dos votos fáceis. Vale a pena apontar que o Datafolha mostrou variação negativa da Marina, do Alckmin e do Amoedo. 

Ainda que estas variações estejam na margem de erro, todas elas vão na mesma direção e estes votos podem ter ido ao Bolsonaro. Acho que tem um segundo elemento importante: o apoio que o bispo Edir Macedo da igreja universal deu a ele no final de semana. Tem movimentações no apoio a ele difíceis de explicar como o crescimento do voto no Bolsonaro entre mulheres na região Nordeste que ganham até 1 salário mínimo. Acho que só o apoio da universal pode explicar isso.

De outro lado, está ocorrendo na reta final o que muitos temiam. A concentração da pauleira no campo da esquerda. Se juntando à grande imprensa que não teve nem ao menos a dignidade de dar as manifestações do #ele não em primeira página no domingo. Todos bateram no Haddad, que também apanhou do Ciro e da Lava Jato com a liberação da delação requentada do Palloci.

De todas as formas, o fato é que o Haddad estagnou e ainda pior: os apoiadores do Bolsonaro estão ocupando as ruas das grandes capitais do país tentando criar uma onda a favor dele. É preciso urgentemente um pacto de não agressão entre os candidatos da esquerda ou então a esquerda chegará muito fraca ao segundo turno. O momento é de fazer o que o campo conservador fez na última semana, cerrar fileiras em torno do candidato mais viável.

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