Entre brigas de Botafogo e funcionário de Bolsonaro, Banca ameaça com golpe, por Charles Leonel Bakalarczyk

Como cobrar de Bolsonaro uma ação governamental contra a pobreza se os dois estão engajados na aprovação da reforma previdenciária, que vai ampliar o exército de miseráveis – com idosos, o que é mais dramático e desumano – e a concentração de renda?

Entre brigas de Botafogo e funcionário de Bolsonaro, Banca ameaça com golpe

por Charles Leonel Bakalarczyk

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), vulgo “Botafogo”, magoado com a prisão de Moreira Franco, o “Gato Angorá”, esposo de sua sogra, afirmou que a direita, agora alojada no Planalto e liderada pelo presidente Bolsonaro, tem de apresentar um projeto para combater a pobreza.

Enxerto aqui pequeno fragmento para ilustrar. A dor de Botafogo, exposta sem constrangimentos na mídia: Gato Angorá foi preso pela Lavajato em represália ao tratamento que o presidente da Câmara conferiu ao “funcionário do Bolsonaro”, o superministro da Justiça Sérgio Moro, na refrega sobre o andamento do pacote anticrime. Moro cobrou agilidade de Botafogo. Botafogo disse que só falaria com o chefe, mas já adiantou que o projeto enviado por Moro é um plágio. Esse é o nível de interação daqueles que agora comandam o país!

Retomando. Maia cobrou de Bolsonaro programas de inclusão social. Disse que se o PT fez inclusão social, a direita tem de fazer também – e melhor.

Maia é néscio ou cínico. Ou os dois. Ora, o presidente da Câmara gaba-se do seu irrestrito apoio à reforma previdenciária de Bolsonaro – inclusive faz a defesa do “remédio amargo” com mais ênfase que o presidente da República. Ocorre que a proposta da “Nova Previdência” é um projeto de exclusão social, que ao longo do tempo vai jogar milhares de idosos na miséria, com proventos de fome!

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O cinismo de Maia – que é o cinismo histórico da nossa elite econômica – chega a ser constrangedor! Como cobrar de Bolsonaro uma ação governamental contra a pobreza se os dois estão engajados na aprovação da reforma previdenciária, que vai ampliar o exército de miseráveis – com idosos, o que é mais dramático e desumano – e a concentração de renda?

A segunda fase da reforma, tão esperada pela Banca (mercado financeiro), é a implantação do regime de capitalização e tem por principal traço o fim da contribuição patronal para a Previdência. Ou seja, o Capital só usufruirá da “Nova Previdência”, já que a Banca é quem vai administrá-la (vai dispor dos depósitos nas contas individuais), cabendo ao Mundo do Trabalho financiá-la por completo!

Esse modelo, concebido na Escola de Chicago, vai trazer dor e miséria para as futuras gerações quando forem idosos. No Chile, que adotou o sistema com Pinochet, aproximadamente 80% das aposentadorias pagas hoje estão abaixo do salário mínimo (ver aqui).

Engana-se, porém, quem pensa que os desentendimentos entre Botafogo e o funcionário de Bolsonaro – e outros ruídos decorrentes da falta de articulação política no Congresso (leia-se “liberação de dinheiro para emendas e nomeação de apaniguados em cargos na Administração federal”) colocará a “Nova Previdência” bolsonaristas na gaveta.

O compromisso com a reforma da Previdência – em especial com a sua privatização via adoção do sistema de capitalização – foi a contrapartida assumida pela dupla Bolsonaro e Guedes com a Banca. É dívida de jogo, não será perdoada.

De qualquer modo, a Banca já vai mandando seu recado: Bolsonaro deve cumprir a agenda de entrega da Previdência para os bancos ou não termina o mandato. Fala-se abertamente em golpe ou renúncia, aparecendo Mourão como a alternativa, já que ele “evoluiu”.

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Encerrando, Maia não está preocupado com o combate a pobreza ou com as pessoas, mas em cumprir o seu papel diante da Banca, consistente em aprovar a reforma previdenciária. Com ou sem Bolsonaro. Com Gato Angorá preso ou solto. O que importa, no final, é a Banca se sair bem, porque aí a recompensa será grande, quem sabe uma futura cadeira no Planalto.

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1 comentário

  1. Cínicos, néscios, fascistas.
    Essa foi a gente que a chamada classe média escolarizada apoiou e elegeu.
    Para salvar o país do comunismo !!!! Ignorantes.

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