Espero que esteja errando nos meus cálculos!, por Rogério Maestri

Países muito mais ricos e mesmo com sistemas de saúde pública não tão subfinanciado como o brasileiro e uma rede privada não tão deficiente como a nossa ou entraram em falência

Espero que esteja errando nos meus cálculos!

por Rogério Maestri

Talvez para motivar para que todos aqueles que se motivarem pelo medo vou fazer um cenário que está aparecendo para daqui a poucas semanas, é um cenário que tenho imaginado já há mais de dois meses e cada vez ele fica mais real, a deterioração do sistema hospitalar brasileiro que as embaixadas da Itália e de outros países estão enxergando e procuramos minimizar ao máximo o horror que poderemos com grande probabilidade estarmos todos sujeitos em pouco tempo, a deterioração do sistema hospitalar brasileiro com cenas dantescas que ocorrerão em todos os hospitais, públicos, privados e militares.

Países muito mais ricos e mesmo com sistemas de saúde pública não tão subfinanciado como o brasileiro e uma rede privada não tão deficiente como a nossa ou entraram em falência como o italiano e espanhol ou tiveram perto disto como o francês, inglês e atualmente o japonês.

Países orgulhosos como a França e Inglaterra de um sistema que foi num passado bem mais robusto passaram por uma crise que ainda não terminou e pode inclusive a vir a se agravar no momento do desconfinamento da população. Outros países que adotaram posturas “cidadãs”, ou seja, os cidadãos que se virem, como o Japão e daqui há poucas semanas o Sueco, já viram que a abordagem da chamada imunidade de rebanho não está dando certo e talvez tardiamente devam adotar medidas bem mais drásticas. Os únicos sistemas hospitalares que aguentaram o tranco, foi o chinês com uma imposição marcial de quarentena e o alemão com um aumento de recursos econômicos já anterior ao Covid-19.

Qual a característica desta epidemia que está aniquilando os sistemas hospitalares, uma letalidade relativamente baixa comparada com grandes pestes que matavam rapidamente os infectados e não lotavam os hospitais, a China, por exemplo, mesmo com uma rígida quarentena com comando militar, dois meses após passar o máximo de sua epidemia ainda tem 1100 casos de pessoas ainda hospitalizadas rescaldo do surto que atingiu um ponto máximo de 58000 infectados, ou seja, mais ou menos 2% dos pacientes em referência ao máximo continuam em tratamento dos meses depois de uma rigorosa e absoluta quarentena.

A França que adotou no ocidente a quarentena mais forte, não do mesmo nível da China, passou pelo dia 3 de abril por um número de pacientes infectados de 23.000 e luta sem muito resultado em diminuir no dia de hoje (13 dias após o máximo) a reduzir o número de novos infectados e não consegue diminuir de 4.500 casos por dia, ou seja, quarentenas mais frouxas diminuem o pico, mas não garantem uma diminuição de pessoas em tratamento que no caso francês não baixou de 31.700 hospitalizados e 6.500 em reanimação.

Supondo que tivéssemos o mesmo progresso que a França, com uma população quatro vezes maior do que aquele país e o grau de quarentena fosse tão rigoroso como o francês, teríamos não no pico, mas depois de passado o pico, 18.000 pacientes por dia, 126.000 leitos de hospital ocupados e 26.000 em reanimação, isto depois de passado o pico.

Como a quarentena está sendo boicotada pelo governo federal, como a adesão média da população está sendo menor do que 47% e o grau de subnotificação estimado pela Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul, que é um estado com um bom resultado de acompanhamento em nível de Brasil é de 4 para 1 (4 doentes para 1 notificado), podemos sem medo de errar que o número de 29.000 casos na verdade pode ser considerado 145.000 casos. Sabendo os dados do crescimento da doença, que tem um incremento de aproximadamente 9% ao dia, podemos supor que em quatro semanas com esse ritmo vamos chegar a 1.600.000 de casos. Se continuarmos na mesma tendência de cada subnotificado 0,5% são pacientes graves em UTI (1.600.000/4)*0,005 (sem considerar o estoque de não curados e UTI) teremos daqui a quatro semanas 2.000 pacientes em UTI. Calculando de outra forma, considerando a mesma taxa incremental de doentes para pacientes em UTI e considerando somente os internados em São Paulo (1132), sem considerar o longo período de internação necessário chegaremos aproximadamente em 4.700 pacientes em UTI (taxa incremental de São Paulo 6,1% por dia). Segundo informações da imprensa, sabendo que até ontem restavam somente 20% dos leitos disponíveis para o coronavírus, à medida que 60% está sendo ocupado por outros casos. Se for feita os cálculos exatos, daqui a três semanas os leitos públicos de UTI terão sido totalmente ocupados e cada paciente que necessitar, morre.

As pessoas que têm planos de saúde ou tem dinheiro para pagar um hospital particular, a lotação deverá chegar não daqui a três semanas, mas sim em cinco ou seis semanas, assim também para os hospitais militares.

Trocando em miúdos em três semanas ou quatro, o sistema de saúde público entra em colapso e mais duas ou três semanas o sistema privado também entrará, ou seja, como quarentena ou não, passaremos no máximo em cinco semanas a uma taxa de mortalidade de 10% a 12% como ocorreu na Itália, ou seja, de um número acima de 1.600.000 pacientes (passando rapidamente a 3.000.000) com uma necessidade de tratamento intensivo da ordem de 0,0045% dos milhão e meio que adoecerem 6.750 vão morrer acima dos usuais 1% que morrem, ou seja, 82.500 (se parasse em 3.000.000 de casos) mas podemos num cálculo otimista pensarmos que teremos somente 10 vezes esse número trinta milhões de casos (desde assintomáticos a fatais) para uma população de duzentos e trinta milhões.

Em resumo, pensando de forma otimista, caso não se ache um remédio altamente eficaz nos próximos seis meses, uma estimativa de um milhão de mortos não é exagero.

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