Europa pode estar diante de uma onda verde, por James Jackson

Irlanda, Alemanha e agora França: os partidos de cunho ambientalista estão ganhando terreno. Sua influência na política pode marcar uma era - e, para isso, eles não precisam necessariamente estar no governo nacional.

Verdes celebram a vitória na cidade francesa de Bordeaux

do Deutsche Welle

Europa pode estar diante de uma onda verde

por James Jackson

Atualmente, o mundo enfrenta duas crises que definirão uma era. A pandemia do coronavírus afeta o dia a dia, restringe as liberdades e prejudica a economia. Mas a outra crise, a que aquece rapidamente o planeta, pode ter efeitos ainda piores. Este mês de maio foi o mês mais quente já registrado, e partes do Ártico recentemente viram temperaturas de 38 graus Celsius. Embora no momento esteja se falando pouco do movimento Fridays for Future, os partidos e políticas de cunho ambientalista estão finalmente se aproximando do governo em toda a Europa.

O Partido Verde francês acaba de conquistar uma vitória histórica nas eleições para as prefeituras de grandes cidades como Marselha, Bordeaux, Lyon e Estrasburgo. E a prefeita de Paris, a socialista Anne Hidalgo, foi reeleita em uma plataforma para fazer da congestionada capital francesa uma Amsterdã – ou seja, um paraíso para ciclistas.

Todas as três maiores cidades da França têm agora prefeitos apoiados pelo Partido Verde. Macron respondeu prometendo 15 bilhões de euros (16,9 bilhões de dólares) para medidas de combate às mudanças climáticas. Isso é impressionante para um partido que, na França, só ganhou sua primeira prefeitura em 2015.

Na Irlanda, os verdes tiveram seu melhor resultado de todos os tempos no início deste ano, nas eleições gerais de fevereiro, e decidiram se juntar ao primeiro grande governo de coalizão do país – na condição de que o governo se comprometa a reduzir as emissões de carbono em 7% a cada ano. O país, um dos maiores emissores de carbono da Europa, pode finalmente estar ficando mais verde, mas o partido ambientalista deve ter cuidado para não ser usado como fachada para as políticas de austeridade fracassadas de seus parceiros de coalizão.

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Na Alemanha, a longa marcha do Partido Verde em direção à respeitabilidade está quase completa. A legenda percorreu um longo caminho para se tornar um partido de protesto, tendo agora governado em quase todos os estados, bem como em nível federal. As pesquisas têm mostrado consistentemente o Partido Verde em segundo lugar em nível nacional – ou mesmo em primeiro – durante o ano passado, substituindo os social-democratas como o segundo partido da Alemanha, e um provável parceiro para a próxima coalizão governamental.

Uma ascensão meteórica considerando que eles foram o menor partido nas eleições para o Parlamento em 2017. As relações entre os verdes e seus antigos inimigos, a CDU de Angela Merkel, está descongelando mais rapidamente do que as calotas polares, com os líderes verdes parabenizando os democrata-cristãos por seu 70º aniversário. Um convite sutil à coalizão?

Será que o movimento verde vai virar uma verdadeira força política, a social-democracia do século 21? É pouco provável que isso aconteça da noite para o dia. Eles ainda não têm uma base leal que possa se comparar com os trabalhadores industriais e os sindicatos. Os partidos verdes são populares entre os trabalhadores do setor público com educação nas grandes cidades. Estes são, muitas vezes, ativos em questões de estilo de vida como o ciclismo e a reciclagem, mas silenciosos sobre políticas sociais, educação, segurança e outros temas importantes para o governo. Eles podem, inclusive, ser anticiência em questões como vacinação, homeopatia e energia nuclear. Pode ser difícil para eles se livrarem dessas crenças bobas sem alienar seus principais apoiadores.

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Mesmo que não acabem liderando os governos nacionais tão cedo, os verdes podem governar as cidades mais habitadas e empurrar as partes à sua esquerda e direita para enfrentar adequadamente o maior desafio deste século, o aquecimento global. A resposta do presidente Macron no dia seguinte às eleições prova isso.

Ela também mostra que o planeta vence quando os verdes governam, ou quando seus rivais são forçados a adotar ideias outrora verdes. Os verdes estão crescendo e, embora nunca possam ser dominantes, eles podem se tornar uma força vital na política do futuro.

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3 comentários

  1. A alguns anos que tenho lido sobre a aproximação do partido verde alemão aos partidos de direita, buscando soluções que resolvam o excesso de emissões de carbono, mas sem tocar em temas como a justiça social e a distribuição de renda. Agora, leio aqui que eles também não se preocupam com a educação. Não se pode acreditar na dissociação de temas que trariam o verdadeiro equilíbrio ambiental, desconsiderando o acesso a uma grande parte da população a uma vida melhor, com boa alimentação, moradia digna, meios de transportes confortáveis e oportunidades para uma educação sem diferenças sociais.

  2. Ecologia só para os bichos. O animal homem que se dane.
    Quando é que os verdes vão entender que é o modelo de produção capitalista que emporcalha e destrói o planeta? E não me venham argumentar com China e URSS stalinista, porque ambos, o tempo todo, só fizeram copiar o modo capitalista de produzir, com muito desperdício, pouca reciclagem, muita exploração da mão-de-obra.
    Nunca vão entender isso, porque, ao menos na minha experiência pessoal, quase todo verde acha o resto da humanidade uma porcaria, não conseguem entender que pessoas submetidas a um sistema social feito para criar poluidores e para poluir jamais serão outra coisa, em sua imensa maioria. Os poucos que pensam diferente são só isso, uma minoria que pensa um pouco diferente (já que pouco ligam para a ecologia humana, distribuição da riqueza e do poder, etc, etc, etc).
    A prova cabal do que digo está nas alianças que eles fazem, quase sempre à direita, quase sempre com o neoliberalismo selvagem que é a antítese da defesa da natureza, vide governo Bolsonaro.

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