Fim da Copa: que tal pensar num novo Brasil?, por Izaías Almada

Fim da Copa: que tal pensar num novo Brasil?

por Izaías Almada

Uma vez esgotadas as possibilidades institucionais para o ex-presidente Lula deixar a prisão e candidatar-se novamente à presidência da república, ingenuamente respeitadas por seus advogados, ele próprio e o Partido dos Trabalhadores, a indagação que toma conta de muitas mentes é a seguinte? Se assim for, o que fazer?

E por que tanta ingenuidade? É sempre bom lembrar que o governo atual do Brasil é ilegítimo, fruto de um golpe de estado. Respeitá-lo é compactuar com o que de pior o Brasil tem em seu frágil arcabouço democrático.

É preciso lembrar que o atual governo é perversamente entreguista e dilapida o patrimônio nacional, tornando o país refém dos grandes agiotas internacionais comandados pelos Estados Unidos da América. E isso com o inexplicável silêncio de nossas Forças Armadas. Talvez elas devessem reler o artigo 142 da Constituição antes que o Poder Judiciário acabe de rasgá-la.

Se Lula, grande esperança de milhões de eleitores, não se apresentar como o candidato tão esperado para a retomada da dignidade, da confiança e da esperança do povo brasileiro, quais seriam a possibilidades de ainda tornar esse desejo uma realidade?

Falando o português claro, começam a se afunilar tais possibilidades, quando já estamos a três meses das eleições presidenciais.

O Brasil acovardado e submetido aos interesses do capital improdutivo, esses que escorregam entre as bolsas de valores, os bancos e as viagens de algumas personalidades sabujas a Washington e Nova York, esse Brasil acovardado – repito – ainda por cima tem a proteção desse pessoal todo ele pomposamente vestido de negro, figuras de dar medo em Dráculas e Frankensteins.

Corremos o risco de não encontrar saídas dentro do arcabouço institucional e democrático, sobrando pouquíssimas possibilidades de se resolver a questão.

Já vimos esse filme com outros roteiristas, diretores e atores. Narrativas diferentes, peripécias diferentes, finais diferentes, pois nem sempre o mocinho vence.

Se em todas as pesquisas eleitorais feitas já em 2018, o ex-presidente Lula tem a preferência dos eleitores, porque impedi-lo de se candidatar? Porque ele está preso e ainda responde a outros processos, dirão muitos, em particular a classe media paulista, essa patuleia organizada em torno de ideias medievais. Massa ignara e belicosa.

Mas preso por quê? Porque prevaricou no exercício do cargo… Mas e as provas?

Provas? Não são necessárias as provas. Basta repetir uma mentira mil vezes ou algumas “convicções” do Ministério Público, de juízes de segundo grau ou sem nenhum grau… E da turma de preto.

Claro! Tudo isso não deixa de ser previsível, pois grande parte do povo brasileiro não entende o que se passa à sua volta. Muitos ainda sequer distinguem entre Lula e Bolsonaro, creditando a esse candidato falsos valores de tempos que não conheceram: o da ditadura civil/militar.

A volta de Lula é necessária não só por ser ele o candidato mais preparado para enfrentar a crise em que os canalhas meteram o Brasil, mas também por falta de candidatos que possam conseguir essa façanha com um mínimo de credibilidade.

Manuela D’Ávila e Boulos, à esquerda, ainda precisam de maior experiência para enfrentar a tigrada dos bancos, do mercado financeiro, do agronegócio e a oposição dos bandidos que estão no governo atual, sem falar num possível congresso ainda repleto de débeis mentais e um judiciário que, quando não apoia os poderosos, fica mais perdido que cego em tiroteio.

Candidatos como Ciro Gomes, Alckmin, Meirelles, Marina Silva são mais do mesmo e não trazem em seus currículos atrativos de que se possa esperar alguma mudança no país, a não ser – é claro – para pior.

E mais: considerar, como já se fala a partir da carta escrita por Lula há dias, que ele não será candidato, mas assim que indicar e apoiar alguém em seu lugar, esse alguém terá a possibilidade de ir ao segundo turno e vencer as eleições. Permitam-me ter cá as minhas dúvidas.

Isso é desconhecer a história política do povo brasileiro. Suas poucas e inglórias lutas contra a força do poder econômico nacional, da Casa Grande, e do capital financeiro internacional. Isso desde Tiradentes. Os mais velhos, com certeza, lembram-se muito bem do suicídio de Getúlio Vargas.

Acacianamente podemos dizer: Lula é Lula, outro candidato é outro candidato. Seus oito anos de governo fizeram história no Brasil e no mundo. Não por acaso deverá ser indicado ao Premio Nobel da Paz.

Já está mais do que na hora de reverter essa palhaçada que fizeram com o Brasil a partir de 2016. Já está mais do que na hora de recuperar a Petrobrás, a Embraer, a Base de Alcântara, de garantir o pré-sal, de reorganizar os programas sociais e fortalecer os Ministérios da Saúde, da Educação e da Cultura.

Já está mais do que na hora de libertar Lula e recomeçar o que foi interrompido por uma súcia de incompetentes, entreguistas e notórios corruptos. Esses, sim, deveriam estar presos.

Lula livre e presidente da república. O resto é “fake news”…

 

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