General-comandante anuncia nova noite de terror?, por Reginaldo Moraes

 
General-comandante anuncia nova noite de terror?
 
por Reginaldo Moraes
 
O chefe do Exército parece falar com a voz trôpega de um homem ferido pelas circunstâncias da vida. Dramático, atormentado, diz algo entre o enigmático e o tétrico: para agir como querem e para fazer o que acham que devem fazer, os militares precisam da garantia de que não estarão sob a mira de nenhuma nova comissão da verdade no futuro. 
 
A declaração foi corretamente recebida com temor e espanto por muitos dos que viveram os fatos revelados pela antiga comissão da verdade. Muitos viram na frase do general a insinuação de que os atuais soldados iriam repetir os atos dos torturadores da ditadura. 

 
Mas existe ainda algo mais assombroso na frase do general. Ele não apenas quer inteira liberdade para “fazer o necessário” no presente. Ele não quer apenas apagar aquele passado de vergonha. Ele quer uma garantia no futuro – e, pior, parece acreditar que algum Jeová todo poderoso lhe garantirá tal prerrogativa. O general, como se sabe, é uma pessoa frágil, vitima de uma situação que nos deve condoer. Sofre diariamente, no corpo e na alma, a sensação da finitude da vida humana. Mais do que muitos de nós. Talvez não tenha tempo para sentir os efeitos do que prevê. 
 
Seus soldados, porém, precisam saber que ninguém lhes garantirá um sono tranquilo, sem pesadelos e sem remorsos. Os militares brasileiros, mais uma vez, estão sendo chamados a atirar em seu próprio povo, a torturar seus pobres, a defender os indefensáveis, aqueles que bebem e dançam nas festas da corte. E a operar como subordinados de uma ocupação estrangeira que não ousa dar as caras, mas está em todos os atos do atual governo, como beneficiária do desmanche da nação.
 
Pode ser que toda essa cartada de um vampiro decadente seja apenas isso. Um suspiro de um morto-vivo. E que tudo se desmanche. Mas pode ser mais do que isso. Pode ser uma nova mancha, inapagável, daquelas que não precisam de nenhuma comissão da verdade, porque fica marcada na alma das pessoas, mesmo que elas finjam não saber, mesmo que elas sejam intimadas a não dizer, mesmo que elas sejam forçadas a guardar em um porta-malas uma faixa verde-amarela que não podia ser vista no desfile.
 

15 comentários

  1. E com certeza…

    E com certeza os bandidos das favelas são heróicos militantes contra a ditadura…

    O trauma paralisa o tempo e faz você viver no passado. Está repetindo o enredo da repressão dos anos 60 com atores que nada têm a ver com a trama.

    • Preste atenção nesse personagem

      Ele ainda vai dá muito o que falar: Sérgio Westphalen Etchegoyen – Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência do Brasil. A família dele tem tradição no Exército Brasileiro. E como tem!

  2. mas o que esse sujeito quer ?

    perseguir, … matar, …. torturar, …. estuprar, …. tudo isso em nome da #republicadosladroes, ….  e, ainda quer a garantia de não ser julgado, nem preso, … nem responsabilizado,…  ASSASSINO !

  3. O medo de uma nova Comissão da Verdade

    Ao dizerem que precisam “ter garantia para agir sem o risco de surgir uma nova Comissão da Verdade”, os militares não estão preocupados com abusos contra criminosos comuns, contra traficantes, contra os bandidos do morro. E isso é óbvio, pois, infelizmente, essas pessoas já são, cotidianamente, torturadas, assassinadas, chacinadas, sem que nada aconteça, sem que o povo se indigne, sem que a imprensa noticie, sem que o Ministério Público, que tem a missão de exercer o controle externo da atividade policial, adote qualquer providência. Por isso, a exigência de garantias contra uma nova Comissão da Verdade, além de inusitada, burlesca e inadmissível, visa outra fase do golpe, em um momento futuro: após uma possível exclusão da esquerda do processo político (Lula em primeiro lugar), haverá um inevitável confronto com a militância política, com os movimentos sociais, com um provável levante das forças populares. É isso que está escancarado na mensagem.

  4. General quer carta branca para sequestrar, torturar, matar, etc

    O General quer sinal verde para sequestrar, torturar, assassinar e ocultar cadáveres. Só isso explica o medo da verdade.

     

    aram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

    “(…)

    Soldados! Não vos entregueis a esses brutais… que vos desprezam… que vos escravizam… que arregimentam as vossas vidas… que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquinas! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos!

    Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela… de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo… um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

    É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

    Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!”

    Charles Chaplin – 1940

  5. Pois é…..
     
    o exército em

    Pois é…..

     

    o exército em outros paises existe para garantiar a soberania e a paz de seu povo, aqui, se atiram contra o próprio povo para garantir a submissão aos interesses estrangeiros, como diria os estadunidenses: figures!!!

  6. Já vi esse filme em outro canal….

    ….na Síria!!

    Irmãos combatendo “irmâos rivais”  e  para chamar a  atenção colocam crianças, velhos  e  mulheres na  frente  para  servirem  de boi-de-piranha …

    De um lado e  de outro, governistas  e  rebeldes, forjam  ataques sangrentos para jogar  a opinião pública contra o outro lado !!

    É  um eterno jogo  de “perde-perde” aonde  só  restarão   seres despedaçados  humanitariamente  e  o chão,livre  para  ser explorado  por  quem  de “direito”:  os  senhores  do mundo   !!    O dinheiro !     PQP

     

     

  7. Reprise de filme de terror

    Depois da fala do valoroso e preparado general Heleno no GloboNews Painel, reivindicando licença especial aos interventores para liquidar os inimigos, essa fala do General-Comandante é uma ominosa ameaça de reprise de filme de terror.

  8. Quem disse isso sobre “os

    Quem disse isso sobre “os bandidos das favelas” nao fui eu. Nao vivo de tais arroubos românticos. Ponha na sua conta a construção desse espantalho. Não se deve supor que bandidos estejam necessariamente nas favelas nem se deve identificar favelas com bandidos. Salvo engano, Temer e Gedel não moram em Acari. O trauma distorce a compreensão. E para completar, deve ser um engano – a repressão que se menciona no texto não é algo dos “anos 60”. Alias, foi mais forte bem depois, nos 70. Um pouquinho de memória histórica (cura traumas, tente). Caso não tenha notado, quem fez essa remissão aos anos da ditadura foi o general. Foi ele que se colocou entre esses atores. É ele quem está “repetindo o enredo”. 

  9. Derradeira estação
    São Sebastião crivado
    Nublai minha visão
    Na noite da grande
    Fogueira desvairada

    Quero ver a Mangueira
    Derradeira estação
    Quero ouvir sua batucada, ai, ai

  10. O general está esquecendo de
    O general está esquecendo de um detalhe, que violência gera revolta e mais violência. Não estamos em 1964.
    Hoje não se consegue fazer nada escondido, quanto mais uma operação militar.

    A tropa operacional, a ponta de lança, os que vão combater de fato a população, são jovens de origem humilde. A grande maioria deve morar comunidades pobres espalhados pelo país. Se o exército massacrar os mais pobres, esses jovens soldado ficarão vulneráveis em suas localidade. Serão perseguidos e mortos.

    PMs do RJ que moram em comunidades, são obrigados a esconder suas fardas, senão corem o risco de serem mortos. Não duvido que aconteça o mesmo com os soldadinhos do exército.

    Espero que esses milicos tenham bom senso e não massacre a população mais pobre. A revolta contra seus membros pode ser grande.

    • Ninguém é obrigado a obedecer a ordens manifestamente ilegais

      Se um superior hierárquico de um soldado raso lhe ordenar que sequestre, torture, assassine e oculte o cadáver, o soldado não é obrigado a obedecer a ordens manifestamente ilegais. Aliás, se um superior hierárquico ordene q qualquer subordinado que cometa crime, o subordinado deve relatar o fato à autoridade competente.

  11. General-comandante anuncia nova noite de terror?

    Caro General,

    somente os PRÓPRIOS MILITARES podem garantir que amanhã NÃO HAVERÁ uma nova COMISSÃO da VERDADE, basta agir dentro dos limites que as LEIS nós IMPÕEM.

    VIU como é SIMPLES.

  12. Os Parasitas avisam através do seu porta-voz militar que quer

    agir mas que lhe seja garantido que não haverá uma comissão da verdade para apurar suas ações, aceita apenas um comichão da mentira..

    Tinha razão o Paul Lafargue:

    “O proletariado arvorou a divisa:|Quem não trabalha, não come; Lyon, em 1831, levantou-se pelo chumbo ou pelo trabalho, os federados de 1871 declararam o seu levantamento a revolução do trabalho.

    A estes ímpetos de furor bárbaro, destrutivo de todo o prazer e de toda a preguiça burguesas, os capitalistas só podiam responder com uma repressão feroz, mas sabiam que, se tinham conseguido reprimir estas explosões revolucionárias, não tinham afogado no sangue dos seus gigantescos massacres a absurda idéia do proletariado de querer infligir o trabalho às classes ociosas e fartas, e foi para desviar essa infelicidade que se rodearam de pretorianos, de polícias, de magistrados, de carcereiros mantidos numa improdutividade laboriosa. Já não se podem ter ilusões sobre o caráter dos exércitos modernos, são mantidos em permanência apenas para reprimir “o inimigo interno”; e assim que os fortes de Paris e de Lyon não foram construídos para defender a cidade contra o estrangeiro, mas para o esmagar no caso de revolta. E se fosse preciso um exemplo sem réplica, citemos o exército da Bélgica, desse país de Cocagne do capitalismo; à sua neutralidade é garantida pelas potências européias e, no entanto, o seu exército é um dos mais fortes em proporção da população. Os gloriosos campos de batalha do bravo exército belga são as planícies do Borinage e de Charleroi, é no sangue dos mineiros e dos operários desarmados que os oficiais belgas ensangüentam as suas espadas e ganham os seus galões. As nações européias não tem exércitos nacionais, mas sim exércitos mercenários, que protegem os capitalistas contra o furor popular que os queria condenar a dez horas de mina ou de fábrica de fiação.”

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