Grande imprensa, uma neutralidade de um lado só, por Michel Chebel Labaki

Creio que a seguinte frase popular nunca foi tão verdadeira para a imprensa: “Uma coisa é ter jogo de cintura, outra coisa é não ter espinha dorsal”.

Grande imprensa, uma neutralidade de um lado só

por Michel Chebel Labaki

As críticas de Bolsonaro a imprensa, estão mostrando um lado patológico, não de Bolsonaro, isto seria chover no molhado. Mas, da própria imprensa.

Fico impressionado com os jornalistas da rede Globo e da Globo News especificamente, mas também das outras emissoras.

Elas e eles conseguem transmitir as notícias sobre Bolsonaro sem mexer uma sobrancelha, uma única ruguinha de preocupação na testa, um olhar um pouco mais espantado, um movimentar das bochechas, sei lá, alguma coisa para mostrar que não está tudo bem, que Bolsonaro não é normal, que não é normal o Brasil ter um presidente tão desqualificado.

Noticiam que o governo vai contratar temporariamente 7.000 militares para suprir as deficiências do INSS, sem qualquer expressão de espanto. Sem falar que Bolsonaro e Guedes extinguiram o Ministério da Previdência Social, esvaziaram o INSS, e as filas, que haviam sido extintas desde o governo Lula, voltaram com tudo. Nenhum comentário que os militares, que já foram protegidos na reforma da previdência e já têm remuneração razoável, receberão um adicional de 30%.

Noticiam que Bolsonaro pretende acompanhar algumas caravanas pelo Brasil em prol do seu partido Aliança pelo Brasil, como se fosse normal um presidente desenvolver atividades partidárias utilizando-se de dinheiro público, numa clara campanha eleitoral antecipada.

Noticiam que Bolsonaro criticou a indicação do documentário Democracia em Vertigem ao Oscar. Claro que Bolsonaro não poderia mesmo ficar contente. Mas, os jornalistas não fizeram nenhum comentário quando Bolsonaro falou que o filme não era um documentário e sim uma ficção. Normal, tudo normal, Bolsonaro é normal.

Noticiam que Bolsonaro diz que está “apanhando” porque quis reduzir a conta de energia elétrica para as Igrejas, como se fosse uma notícia normal, normalíssima.

Leia também:  Nunca um presidente foi tão vulgar com uma mulher. Espere o efeito bumerangue, por Carla Jiménez

Na grande imprensa escrita vejo uma exceção na Folha de São Paulo. Depois de ter participado ativamente do golpe, inclusive distorcendo manchetes na época do impeachment, a Folha continua abrindo espaço para cronistas de diferentes correntes de opinião, além dos bolsonaristas e dos neoliberais. Cito alguns exemplos: Celso Rocha de Barros, Elio Gaspari, Fernando Haddad, Gregorio Duvivier, Ivan Marsiglia, Janio de Freitas, Nelson Barbosa e muitos outros. São cronistas de centro, de esquerda ou independentes, mas que mostram que ainda pode haver vida dentro do jornalismo.

Já os jornalistas das redes de rádio e televisão parecem aquelas pessoas que se arrumam para ir a algum enterro, apenas por obrigação social. Não demonstram a menor emoção. Têm que parecer “neutras”. Uma neutralidade de um lado só. A do bolsonarismo.

Enfim, creio que a seguinte frase popular nunca foi tão verdadeira para a imprensa:

“Uma coisa é ter jogo de cintura, outra coisa é não ter espinha dorsal”.

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7 comentários

  1. Estranhamente pipocaram diversas reportagens informando que o filme brasileiro não tem chance nenhuma no Oscar……ora, porcalhões, o filme cumpriu seu ideal…..nas capas dos DVDs sempre há o lembrete de “indicado ao Oscar”…..a indicação por si só é um prêmio, ganhá-lo é detalhe….
    Mas, é a mídia porcalhona cumprindo o seu papel de ser capacho dos grandes interesses do capital em detrimento do povo e do país…..

  2. Que artigo fantástico, cheio de verdades, de visão e sem medo ser coagido. Parabéns, precisamos de brasileiros cultos e corajosos .

  3. Se não ganhar… já ganhou!
    Tipo as vaias que a ministra da agricultura levou na Alemanha, hoje…
    A mídia nativa e domesticada, fala para o público interno, mas esquece da globalização, das “não fronteiras” da http://WWW….e é aí que ela vai definhando, sem perceber??
    Morro e não vejo tudo.

  4. È a definição de amoralidade. Na época do impeachment, e durante todo o governo Lula, Bonner havia vários discursos morais sobre a corrupção endêmica. Defendiam a condução coercitiva mas apenas noticiaram que Queirós se recusou a ir depor sequer mencionaram que o MP ou o judiciário não decretou condução coercitiva. Depois de fazer o que fizeram com Erenice no governo Dilma, agora se calam até mesmo com caso Wajngarten, que os atinge diretamente. Com relação a Guedes e o lucro fantástico de seus ex sócios, em cada uma das manobras na economia e nas privatizações e ou suas interferências no MEC em prol de seus grupos privados de educação. Ministros laranjas. O silêncio da mídia só não é mais ensurdecedor do que o silencio e a omissão do campeão da Justiça Moro.Flavio Bolsonaro só serve para fazer propaganda da Kopenhagen.

  5. Ridiculo mesmo eh que o Ladrao Ruim da biblia, a saber, Divaldo Franco, nao tem uminha critica a esse governo depois de latir “bolsa esmola, bolsa esmola, bolsa esmola” e “corrupcao, corrupcao, corrupcao” durnte TODO o governo petista…

    Quem pariu Mateus que o embale e embalsame, FEB.

  6. “Na grande imprensa escrita vejo uma exceção na Folha de São Paulo. Depois de ter participado ativamente do golpe, inclusive distorcendo manchetes na época do impeachment, a Folha continua abrindo espaço para cronistas de diferentes correntes de opinião, além dos bolsonaristas e dos neoliberais. Cito alguns exemplos: Celso Rocha de Barros, Elio Gaspari, Fernando Haddad, Gregorio Duvivier, Ivan Marsiglia, Janio de Freitas, Nelson Barbosa e muitos outros. São cronistas de centro, de esquerda ou independentes, mas que mostram que ainda pode haver vida dentro do jornalismo.”

    Na verdade, a Folha, abrindo espaço para os divergentes não está demonstrando que “ainda pode haver vida dentro do jornalismo”. Ela apenas está fazendo o necessário contraponto para fortalecer a situação.

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