Hy-Brazil: viva a Revolução!, por Arkx

A palavra "Revolução" até hoje continua estigmatizada, com sua simples menção se tornando uma heresia, mesmo no âmbito da Esquerda.

Hy-Brazil: viva a Revolução!, por Arkx

anteriormente em Hy-Brazil: abaixo a Ditadura!

tão antiga quanto o início da jornada humana na Terra, aquela entidade esticou sua mão retorcida, com pele enrugada e unhas amareladas, para então sussurrar num tom incisivo:

“- Parem de reclamar que estão em tempos de muita escuridão. Vocês não poderiam estar mais enganados. Vivemos em tempos de muita luz. Tanta luz que tudo aquilo antes oculto nas trevas agora está revelado.”

antes do Golpe de 1964 a discussão da Revolução Brasileira estava na ordem dia, apesar de muitas vezes sob a ótica de uma Revolução Democrática Burguesia.

para silenciar este debate e impedir suas consequências práticas foi necessário uma Contra-Revolução, sintomaticamente auto-denominada de “Revolução de 1964”, seguida por 25 anos de Ditadura Civil-Militar.

como resultado a palavra “Revolução” até hoje continua estigmatizada, com sua simples menção se tornando uma heresia, mesmo no âmbito da Esquerda.

extremistas! muito cuidado! agitadores! radicalismo! românticos sem noção da realidade. adeptos do quanto pior melhor. infiltrados fazendo o jogo da Direita. malucos irresponsáveis! imaturos! ingênuos! aventureiros!

nem mesmo o processo de redemocratização foi capaz de promover o resgate de um tema sem o qual nenhuma mudança efetiva se imporá no Brasil.

na Nova República a política permaneceu circulando nos limites impostos pelos anos de chumbo, sendo este um dos principais motivos de termos chegado ao atual estado de devastação.

os Porões da Ditadura jamais foram trazidos à luz do dia, ficando como células dormentes em compasso de espera para reconquistar as prerrogativas perdidas com a exoneração pelo Ditador-Presidente Ernesto Geisel, em 1977, do então Ministro do Exército Sylvio Frota.

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após sua demissão, Frota divulga um manifesto para expor sua incompatibilidade com Geisel, tendo em vista “a deformação e o abandono dos objetivos da Revolução”, como relaciona:

– estabelecimento de relações com a República Popular da China;

– voto de abstenção, quanto ao Ingresso de Cuba, na Organização dos Estados Americanos;

– reconhecimento precipitado do governo comunista de Angola;

– voto anti-sionista de caráter discriminatório;

maldosas campanhas de descrédito dos órgãos de Informações e segurança, visando a apresentar seus componentes como bestiais torturadores.

– existência de um processo de domínio, pelo Estado, da economia nacional.

qualquer coincidência com os Generais Bolsonarianos não se trata de mera semelhança. a Ditadura nunca acabou e o entulho autoritário jamais foi removido, e sim aperfeiçoado.

se agora a Nova República revelada está como um cadáver putrefato tornando o ar nauseabundo e irrespirável, na verdade nunca deixou de ser esta monstruosa criatura mórbida a escarrar e vomitar continuamente em nossas faces: não haverá nenhuma democracia política sem democracia social e econômica.

se a Lava Jato & Associados e seu combate a corrupção estão expostos como não mais que um grande negócio corrupto, mais visível se torna ser a corrupção endógena ao Capitalismo: não há como combater a corrupção sem também combater o Capitalismo.

com a luz plena iluminando todas as frestas das trevas, é impossível não enxergar os motivos pelos quais a Nova República finda por nos arrastar de novo a uma Ditadura.

o principal motivo de estarmos sob intenso ataque contra-revolucionário, como no pré 1964, é justamente para neutralizar e capturar a energia da revolta liberada por Junho de 2013, antes dela ser organizada por uma vanguarda revolucionária.

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longe de ser a arte do possível, esta fórmula medíocre e esterilizadora, a política vem a ser justamente o contrário: a arte de tornar o impossível uma das possibilidades.

toda grande mudança é filha das idéias e da cultura. toda superação de situações adversas se inicia com um amplo debate, tanto para formular propostas quanto principalmente para formar a vanguarda política capaz de concretizá-las.

chamemos de “Nova Democracia” ou de “Revolução Brasileira”, sejamos revolucionários ou reformistas, mas nos coloquemos em movimento.

nenhum tempo temos mais a perder, enquanto teremos um mundo a ganhar.

Nova Democracia: https://jornalggn.com.br/nova-democracia/

Revolução Brasileira: https://revolucaobrasileira.org/

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2 comentários

  1. E a leitura estava, surpreendentemente, concordável, até o mito da rebeldia de 2013, que me fez pensar: onde estão, nos 6 anos que nos separam daquele mistificado tempo, os tais hellbadies? Opções galhofeiras (inspiradas em querido Rui Daher): 1 – escondidos com os Smurfs numa floresta azul-psdb, ou amarelo-CBF, ou verde-oliva, ou branco-fantasmagórica; 2 – capturados pelo Gargamel que agora trabalha para Steve Bannon, prestes a salvarem a si mesmos e ao mundo; 3 – em viagens alucinógenas na Caverna do Dragão; 4 – covardemente esperando que o PT ou alguma esquerda corajosa volte ao poder para exercer sua descomprometida e irresponsável revolta juvenil autorreferente, vaidosa e inútil.
    Um avanço: já não fez de Lula o bode expiatório do fracasso dos midiáticos, mistificadores e oportunistas descontentes de 2013 – estão tão mansinhos com o Vergonhoso no poder, onde anda tamanha fúria e vontade de salvar o Brasil? Onde anda o Gigante que acordou em 2013? Preferiu tomar um chá de sumiço para descansar a imagem? “Desculpem pelo transtorno, estamos mudando o país”… Felizes com o resultado? Acabou a verba para a reforma ou a coragem para a rebeldia? É tão perigoso para a luta pela democracia acreditar na balela de 2013 – que tal uma autocrítica, ou só o PT fez merda nessa merda de país? – quanto o foi para a nova república acreditar na Anistia. Chega de mitos como mentiras e mistificações. Revolução se faz com o povo e não com um bando de classe média metida a besta e pretensiosa.

    Sampa/SP, 20/07/2019 – 13:08

  2. Junho de 2013 continua como a devoradora esfinge numa encruzilhada fatal da Esquerda.

    compreendo sua posição a respeito. não vou me contrapor.

    primeiro, por já ter feito isto aqui no GGN inúmeras vzs. para cada argumentação sua, já postei a devida refutação, sempre fundamentada em dados e fatos.

    depois, e mais importante, porque não se trata em absoluto em tentar mudar sua opinião.

    trata-se de uma questão de perspectiva, exato como estarmos vivendo em tempos de escuridão ou de muita luz.

    outro exemplo: estamos mesmo num marasmo? mas a qtde. de greves desmente isto, como já o fez em 2013, anunciando Julho.

    qtde. de greves cfe. o SAG-DIEESE:

    2018: 1.453
    2017: 1.568
    2016: 2.114
    2015: 1.964
    2014: 2.085
    2013: 2.057
    2012: 879

    link: https://www.dieese.org.br/balancodasgreves/2018/estPesq89balancoGreves2018.pdf

    exato agora, nas bases há sinais de vida. no sapatinho, o povo se reagrupa e se organiza numa miríade de iniciativas, baseado numa poderosa consciência de que “é nós por nós”.

    há toda uma nova vanguarda política se auto-gestando. seria a vanguarda de uma revolução? ao menos levantariam as bandeiras de um reformismo radical?

    seja como for, longe de ser jogo jogado, os dados ainda estão rolando – mesmo que em perspectivas diferentes daquela que assumimos em nossas análises.
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