Ignorância Inaceitável versus Humor Indispensável, por Jorge Alexandre Neves

O ministro Moro é hoje um constrangimento para o sistema brasileiro de justiça e para as universidades públicas onde estudou

Ignorância Inaceitável versus Humor Indispensável

por Jorge Alexandre Barbosa Neves

De modo geral, gosto muito dos artigos de Eliane Brum e, inclusive, em outra coluna aqui no GGN, fiz referência a um texto dela. Todavia, nesta sua última coluna do El País intitulada “Cem Dias sob o Domínio dos Perversos, ela coloca algo do qual discordo totalmente. Afirma ela que:

“… o problema do ministro da Justiça, Sergio Moro, não é o fato de ele falar ‘conge’ em vez de ‘cônjuge’, como fez por duas vezes durante audiência pública no Senado. Ridicularizar os erros das pessoas na forma de falar é prática das piores elites, aquelas que se mantêm como elite também porque detêm o monopólio da linguagem. Poderia se esperar que Moro falasse a chamada ‘norma culta da língua portuguesa’ de forma correta, já que teve educação formal tradicional. Mas a disputa política deve se dar no campo das ideias e projetos.”

Falar “conge” é apenas um dos muitos indicadores do escandaloso nível de ignorância do ministro Moro. Por uma série de razões, ele não tem o direito de ser tão ignorante!

Primeiramente, porque sua limitação intelectual e cognitiva atrapalha sobremaneira sua atuação como ministro da Justiça, como demonstrei em outra coluna aqui no GGN. Em segundo lugar, porque ele foi, ao longo de sua vida adulta, beneficiário de um vultoso investimento público ao realizar o Bacharelado, o Mestrado e o Doutorado em universidades públicas. Ninguém tem direito de gastar recursos públicos tão vultosos com sua formação educacional superior e continuar sendo um mentecapto. Em terceiro lugar, o ministro Moro recebia até recentemente uma remuneração mensal de dezenas de salários mínimos como magistrado, uma função que exige algo que ele já demonstrou de forma profícua que não tem, qual seja, uma elevada capacidade intelectual. Talvez também por isso, ele tenha feito tanto mal ao nosso hoje mais do que cambaleante sistema de justiça.

O ministro Moro é hoje um constrangimento para o sistema brasileiro de justiça e para as universidades públicas onde estudou e, inacreditavelmente, onde conseguiu se tornar Professor Adjunto! Como alguém tão obtuso conseguiu tantas conquistas acadêmicas e profissionais é algo que nos deve levar à reflexão.

No mais, desta vez, vou preferir a companhia de Ariano Suassuna e Mollière que, segundo o primeiro, dizia que “não existe tirania que resista a uma gargalhada que dê três voltas em torno dela”. Assim como outras figuras de nossa história, o ministro Sergio Moro é um tirano estúpido e sua estupidez precisa, sim, ser exposta e, de preferência, com muito humor. Assim como no caso da autoproclamação presidencial do ator José de Abreu, farei questão de me alistar ao lado dos que tocam a vida nesses dias tão amargos com uma indispensável pitada de humor.

Jorge Alexandre Barbosa Neves – Ph.D, University of Wisconsin – Madison, 1997.  Pesquisador PQ do CNPq. Pesquisador Visitante University of Texas – Austin. Professor Titular do Departamento de Sociologia – UFMG – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas

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7 comentários

  1. Algum curioso tinha que escarafunchar isso aí…..

    São muitos títulos para um cidadão que se expressa tão mal, e o pior, que teve nas mãos a tal força tarefa que destruiu o pais….., não tem muito segredo…..nesse meio ser lojista é questão de sobrevivencia……mas os motivos dele ser escolhido é que causa espanto……..

    Hoje teve uma julgamento no tjd, dá uma olhadinha em quem está por lá…….não é a toa……..

    • Segundo o silas sá lafraia, deus escolhe entre os piores para que “nenhuma carne se vanglorie diante dele”
      Foi assim que ele ungiu o bozo.
      O magistrado-ministro está entre os escolhidos justamente pelas suas qualidades divinas.
      https://youtu.be/pbLPGvUi6NI

  2. Concordo com muita coisa, MAS criticar alguém pelo uso da lingua é sim REACIONÁRIO. Essa pretenesa “norma culta” (pretensa porque norma culta nao significa estar de acordo com dicionários e gramáticos, o conceito linguístico de norma culta é adulterado quando se faz essa identificaçao). A gente nao deve agir como aqueles que criticamos. Moro é um canalha. Mas nao é por falar “conge” — e nem mesmo por ser ignorante, se é que é.

    • A crítica da ignorância de Moro é, no caso, pertinente. Os coxinhas se vangloriam de sua classe, apontando o “falar errado” como característica da classe “inferior”, ou seja, do proletariado (do qual Lula seria um exemplo).

      Chamando a atenção para o fato de alguém da classe média (e da alta, financeiramente), como é o caso do Moro, demonstrar a mesma, ou pior, ignorância do barnabé, destrói, pelo riso, o sonho de superioridade dessa gentinha. Eles confundem título com mérito. Querem ganhar, dinheiro e respeito, pelo título, e não pelo trabalho realizado em prol da socidade. O lema brasileiro é “consiga um título, e faça tudo o que quiser”.

      Por outro lado, essas palavras, “conge, conja”, rugas em vez de rusgas, são incompatíveis com o palavreado jurídico da condenação de Lula no caso Triplex, por exemplo. Antes achávamos que sabíamos que Mora redigia os votos da Rosa Weber no STF. Mas agora, podemos pensar que Moro tinha seu próprio (ou sua própria) ghostwriter. Este, ou esta, escrevia, Moro dava um visto como se fosse o autor do parecer, e repassava tudo para a Rosinha. Pai, filho e espírito santo, nessa ordem.

      Uma hipótese possível é a de que a esposa de Moro, mais inteligente que ele (mas sem chegar aos pés dum Gilmar Mendes), é quem escrevia suas teses, relatórios, pareceres e julgamentos. A verificar.

  3. Se Sérgio Moro não fosse ignorante não serviria para o golpe, e aí os golpistas teriam que procurar outro juiz.

    Mas ainda acho que esses erros do léxico podem ser diversionismo. Na ocorrência do “conge” isso ficou muito claro: ele disse a primeira vez, ninguém o corrigiu, ele sentiu necessidade de repetir.

  4. Se Sérgio Moro não fosse ignorante não serviria para o golpe, e aí os golpistas teriam que procurar outro juiz.

    Mas ainda acho que esses erros do léxico podem ser diversionismo. Na ocorrência do “conge” isso ficou muito claro: ele disse a primeira vez, ninguém o corrigiu, ele sentiu necessidade de repetir. A principal ignorância de Moro não está no léxico, está em outros aspectos que, ao contrário do léxico, atingem a todos nós diretamente.

    (***)

    O pessoal costuma dizer que Lula não servia para presidente porque não sabia falar direito. Lula é aclamado no mundo todo não apenas como um dos maiores líderes políticos de todos os tempos como um realizador incansável na busca do bem estar de seu povo. É que no exterior, os tradutores e intérpretes estrangeiros traduziam, aos líderes que o receberam, as ideias e os sentimentos do Lula.

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