Ler de forma produtiva. Mas como?!, por Eliana Rezende

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Ler de forma produtiva. Mas como?!

*por Eliana Rezende

Muito se tem dito e escrito sobre a qualidade dos leitores em tempos de tantos estímulos digitais. Desconcentração e desinteresse tendem a encabeçar quase todas as listas. A seguir e bem de perto estão a preguiça, dificuldade de retenção e compreensão do que se lê.

Sem entrar nos méritos da alfabetização ou sua ausência, do analfabetismo funcional e problemas com o ensino desde sua base, algumas sugestões podem e devem ajudar quem, de fato, quer ou precisa ler e ainda não aprendeu como.

Aqui a sugestão é para leituras técnicas ou de conteúdo profissional e que necessitam de uma outra forma de leitura daquelas que destinamos a romances e entretenimento de horas de lazer.

Vamos ver se consigo:

  • Crie o hábito de tracejar o que lê. Isso mesmo! Use um lápis (nada de marcadores e canetas! Estes estragam seu livro). Procure um lápis macio (6B ou mesmo um integral seriam fantásticos).
  • Munido desta ferramenta aprenda a sinalizar o que lê. Encontre uma sinalética que te dê pistas se o assunto é interessante, repetitivo, se você já leu em outro lugar, etc.
  • Não grife parágrafos inteiros! Escolha palavras que sintetizem a ideia do parágrafo. Assim quando bater os olhos na página não terá que ler todo o conteúdo novamente.
  • Procure anotar títulos que te façam saber do que o parágrafo ou a página tratam.
  • Relacione a leitura desta página com outra que a complemente, ou mesmo outra obra e autor.
  • Estabeleça uma relação com o autor. Faça-lhe perguntas e procure encontrar as respostas enquanto lê. Dessa forma ficará atento e a concentração será consequência deste diálogo silencioso.
  • Este recurso também pode ser usado quando lembrar do argumento de outro autor. Interpele o atual sobre o que o outro disse e tente encontrar uma resposta satisfatória.
  • Tenha sempre um dicionário por perto. A leitura é fantástica para descobrir novos significados para as palavras, bem como seu emprego na construção de uma ideia.
  • Achou uma palavra nova? Não a perca! Escreva ao lado dela o seu significado. Você provavelmente não decorará de primeira.
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Logo nas primeiras páginas pergunte-se:

  1. Qual é o objetivo do autor? O que o autor quer com seu escrito? Ele está vendendo uma ideia ou um produto? É importante descobrir qual é o seu objetivo para que ao término da leitura você possa qualificar de boa ou má sucedida sua obra em relação a você. Isto será importante para que você seja capaz de argumentar se gostou ou não do que leu e o quanto ficou convencido pelo exposto.
  2. O que ele está defendendo?
  3. Com quem ele fala? Conversa ou rebate a ideia de outro autor? Ou tenta expor e propor uma nova ideia ou conceito?
  4. De onde o autor fala? Ele é do mercado de trabalho, da academia ou é um empreendedor? Atentar para isso pode ajudar a compreender seus argumentos. Ele procurará falar aos seus pares e saber quem são lhe ajudará a ter mais ferramentas para compreende-lo.
  5. Qual a data da publicação? Essa é uma pergunta interessante, já que se for um autor contemporâneo trará temas mais recentes. Mas às vezes é uma publicação escrita há décadas! Talvez seja um clássico, ou uma leitura obrigatória dentro da área de conhecimento. Saber quando uma obra foi escrita evitará que cometamos erros de interpretação, ou mesmo notar ausências de abordagens, pois estas só ocorreram muito mais tarde.
  6. O autor consegue convencer você ao final? Veja, o convencimento aqui é você cruzar o que era o objetivo inicial dele e como ele foi conduzindo você. Ao final, valeu a pena o percurso? Ele conseguiu cumprir o objetivo que se colocou?
  7. Suas ideias são claras ou já viu outros autores explicando melhor? Tente fazer estas conexões. Isto significará que você não está mais na superfície e que sua leitura está ganhando consistência.
  8. Ao concluir a leitura de um tópico ou capítulo, pergunte-se: “o que mesmo o autor falou?”. E neste momento escreva em duas ou três linhas o que respondeu. Isso lhe ajudará a ir fixando as partes importantes de cada capitulo, sessão ou tópico. Ao término da leitura poderá se arriscar a ler tuas anotações e fazer a mesma pergunta só que para o livro todo e redigir um parágrafo síntese.
  9. Pode parecer bobagem, mas fazer isto pouco a pouco o ajudará a ir fixando o conteúdo e imprimindo sua compreensão ao que leu. Com certeza você irá mais longe em sua compreensão.
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Se prestou atenção, os recursos para ler um livro físico são os mesmos que você também pode usar em um livro ou paper digital. A via é a da comunicação. É preciso estabelecer uma relação de troca com o texto, com o escritor. Fale com ele! Feito isto não há leitura que seja difícil ou dura.

Será que quer aplicar comigo estas dicas que falei?
Experimente! E depois me conte!

 

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* Post publicado originalmente no meu Blog, o Pensados a Tinta

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3 comentários

  1. Não sei, não entendo, não consigo.

    Já vai quase meio século que trato das letras. Impressas e digitais. Nunca fiz uso de marcadores ou coisas do tipo. Não consigo e não entendo os que assim o fazem. Sorte minha? Não sei, apenas detesto o método.

    Cada cabeça uma sentença. Cada par de nádegas com seu ânus.

    Fui!

  2. inviável, porque

    quem não tem, desde infância, o hábito de ler, ler mesmo, com vagar, reler livros que merecem atenção, os que instigam, não os populares de auto-ajuda ou assemelhados. Não são fórmulas, conselhos e dicas que, apesar de muito válidas, só atingirão aqueles. A deficiência de nossos sistema educacional conduz ao mau uso de tecnologias. Lembro de um especialista em tecnologias que visitou a Finlândia (quase sempre em 1º lugar no PISA quanto a leitura, compreensão e interpetação, o que exige reflexão e tempo, e ócio –  nada a ver com Domenico de Massi com suas obviedades). Ele se surpreendeu com as escolas finlandesas onde pouco se usam computadores. Não à-toa, celulares, smatpones estão sendo proibidos na França, etc

  3. Ler sublinhando

    Sou aficcionado pela leitura e por teorias sobre a leitura, o hábito de ler etc.

    Por isso, fui com sede ao texto acima.

    Entretanto, quando cheguei na dica de sublinhar… foi uma desilusão completa.

    Sou apaixonado pelos livros. Tenho com esses seres inanimados uma relação de completa veneração.

    Por isso, não consigo ler rabiscando. Nunca rabisquei um livro!

    Logo, não compartilho da dica e sugiro substituí-la pelo seguinte hábito: hoje em dia, ninguém se desgruda de um smartphone, o qual, geralmente, tem acesso a e-mail.

    Assim, quando inicio a leitura de uma livro, abro um bloco de anotação sobre a leitura.

    E minha ferramenta é o e-mail. Isso mesmo. Você anota no e-mail trechos interessantes e indica a página. Se for um trecho longo, você fala o assunto, algo que lhe remeta ao treco e indica a página. Assim, quando quiser reler ou relembrar do livro, pega as anotações e vai direto na página, no próprio livro, sem precisar rabiscá-lo, sujá-lo etc.

    Observação: crie uma pasta em seu e-mail para envio dessas anotações (ou melhor, várias, para as diversas finalidades) e só envie o e-mail após o fim da leitura. Pode manter o e-mail somente como rascunho, tendo cuidado para não apagá-lo, que ele salva as alterações automaticamente.

    Essa “técnica” tem a vantagem de poder ser acessada em qualquer lugar do mundo. Ou seja, seu e-mail pode ser uma enorme fonte de armazenamento gratuito nas nuvens. No meu caso, utilizo o Yahoo.

    Sobre a prática de não rabiscar e/ou sublinhar livro: sempre considero que um livro não é um objeto de uso exclusivo, pois pode ser lido por outras pessoas. Como não gosto de livro rabiscado, sublinhado etc., imagino que os demais leitores também não. Além disso, os sublinhados acabam direcionando sua leitura.

    Fica a dica!

     

     

     

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