Militares, corrupção e os coxinhas insanos, por Altamiro Borges

Militares, corrupção e os coxinhas insanos

por Altamiro Borges

em seu blog

Contaminados pela mídia golpista com sua escandalização da política, setores da classe “mérdia” saíram às ruas para exigir o “Fora Dilma”. Vestidos com as camisetas da “ética” CBF e portando os patinhos da Fiesp, eles ajudaram a alçar ao poder a quadrilha de Michel Temer. A promessa de que a vida melhoria de forma “instantânea”, como bravateou o escravocrata Flávio Rocha, dono da Riachuelo, não vingou e muitos até estão arrependidos – como atestou recente matéria da revista Época. Agora, pendurados na brocha, esses “midiotas” voltam às ruas para exigir “intervenção militar”. Trocam a camiseta amarela pela farda. Durante a greve dos caminhoneiros, que atestou o colapso do covil golpista, alguns “coxinhas” ergueram faixas e fizeram atos diante de quartéis. 

Patéticos e idiotas, eles parecem desconhecer que não haveria manifestações públicas em uma ditadura. Questionados sobre sua proposta insana, eles juram que os militares no poder eliminariam a corrupção no país. Ao invés de rosnar seu ódio, esta turma devia estudar história. Vários livros e reportagens comprovam que houve muita roubalheira durante a ditadura militar no Brasil. Ela só não teve maior repercussão porque a mídia estava censurada – ou era cúmplice dos generais. Muitos dos que denunciaram a corrupção foram presos, torturados ou mortos. Matéria da Folha deste sábado (2) revela apenas uma parte desta sinistra história. 
Segundo a reportagem, assinada por Daniel Buarque, “documentos confidenciais históricos do governo do Reino Unido revelam que a ditadura brasileira atuou para abafar uma investigação de corrupção na compra de fragatas (navios de escolta) construídas pelos britânicos nos anos 1970. Os fatos narrados nos papéis ocorreram durante os governos dos generais Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) e Ernesto Geisel (1974-1979). Segundo os registros, em 1978 o Reino Unido estava disposto a investigar denúncia de superfaturamento na compra de equipamentos para a construção dos navios vendidos ao Brasil e se ofereceu para pagar indenização de pelo menos 500 mil libras ao Brasil (o equivalente a quase 3 milhões de libras hoje – ou R$ 15 milhões)”. 

“Em vez de permitir o inquérito que seria do interesse do Brasil, o regime militar abriu mão de receber o valor e rejeitou os pedidos britânicos para ajudar na investigação – que foi recebido com estranheza em Londres. ‘Os brasileiros claramente desejaram manter o assunto de forma discreta’, diz um dos documentos. ‘É evidente que não gostariam que mandássemos um time de investigadores e não iriam colaborar com um, se ele fosse. O embaixador concluiu que o risco de sérias dificuldades com as autoridades brasileiras, o que poderia ser levantado por uma investigação, não deve ser assumido’, diz outro trecho dos despachos diplomáticos a que a Folha teve acesso”. 

Leia também:  Resposta ao artigo "Em defesa de um Ministério Público legítimo"

“Há um mistério até hoje não resolvido, e só agora revelado. Por que, diante de uma investigação detalhada ao Brasil, o governo brasileiro resolveu não apenas impedir a vinda de autoridades britânicas, como não quis o dinheiro que tinha líquido e certo para receber?”, questiona o pesquisador brasileiro João Roberto Martins Filho, responsável pela descoberta dos documentos. Martins Filho é professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e desenvolveu sua pesquisa nos arquivos da diplomacia britânica sobre a ditadura brasileira durante o período no King’s College de Londres”. 

No clima de insanidade que tomou conta do país, alguns coxinhas mais tacanhos devem achar que a matéria da Folha é coisa de comunista e que o professor citado é um esquerdista. Eles seguiram rosnando pela “intervenção militar”. Topam até umas sessões de tortura, com pau de arará e choques elétricos. Haja imbecilidade!

 

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

5 comentários

  1. A mídia demonizou a esquerda

    A mídia demonizou a esquerda de tal forma, que os teleguiados simplesmente não conseguem admitir a sua volta ao poder, mesmo com todas as evidências que indicam melhorias em todos os indicadores econômicos e sociais nos governos do PT.

    Pediram “Fora Dilma” para colocar no seu lugar uma quadrilha de ladrões, pois “qualquer coisa é melhro do que o PT”.

    Se arrependeram e agora pedem “Intervenção Militar”, pois “qualquer coisa é melhor do que o PT”.

    Se forem atendidos, quem sabe daqui a uns 20 anos, quando acabar o prazo da “intervenção” (estou me baseando na duração da “intervenção” anterior), quem sabe peçam “Intervenção Alienígena”, “Arrebatamento”, ou algo assim, pois “qualquer coisa é melhor do que o PT”…

  2. Se os Militares derrubassem o Temer e ocupassem o seu lugar…

    O que aconteceria se os Militares derrubassem o Golpista Temer e tomassem o seu lugar na Presidência?

    Os Coxinhas acham que os Militares iriam facilitar suas vidas, baixando e congelando o preço do diesel?

    Ora, os Militares não têm compromisso com a população brasileira, mas com os Acionistas da Petrobrás. Portanto, eles não iriam se sujar com os grandes investidores para ficarem bem na foto com os Caminhoneiros. O que poderia acontecer é que os Militares continuariam a beneficiar os Magnatas que investem na Petrobrás e aliviariam a barra dos Caminhoneiros, mas para aliviar a barra dos Caminhoneiros, os Militares teriam que aumentar os preços dos combustíveis para quem não tem motor movido a diesel, a fim de compensar a redução do preço do diesel.

    Resumindo: Os Militares Golpistas tapariam o rombo dos Caminhoneiros mas aumentariam o rombo dos proprietários de veículos que não usam diesel.

    Os Golpistas não têm saída a médio prazo nem, menos ainda, a longo prazo.

  3. O estado sem estado (ou, pelo menos, mínimo)

    A turma pensa que as Forças Armadas não têm partido, que não são “políticos”.

    “Depois do sucesso d’A Escola Sem Partido, d’O Político Sem Partido e até d’O Partido Sem Partido, vem aí o novo salvador da pátria: O Exército Sem Partido! Estréia em breve na sua telinha.”

    Porque é que o golpismo arranjou para que os militares não se levantassem nesse momento?

    Sem partido, ok. Mas sem ideologia? Qual é a ideologia dos sem partido? Qual é a política dos não-políticos?

  4. PAPA FRANCISCO (homilia de

    PAPA FRANCISCO (homilia de 17/05/2018)

    – “Criam-se condições obscuras” para condenar a pessoa (…) “a mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas”. Depois chega a justiça, “as condena e, no final, se faz um golpe de Estado”

    – “Esta instrumentalização do povo é também um desprezo pelo povo, porque o transforma em massa. É um elemento que se repete com frequência, desde os primeiros tempos até hoje”

    Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa-francisco/missa-santa-marta/2018-05/papa-francisco-missa-santa-marta-unidade.html

    ***

    ATENÇÃO COM A RALÉ:

    1. HANNAH ARENDT, uma das mais influentes e importante filósofas do Século XX. Alemã de origem judia explica em seu importantíssimo e clássico  livro “Origens do Totalitarismo” que:

    – “A ralé é fundamentalmente um grupo no qual são representados resíduos de todas as classes. É isso que torna tão fácil confundir a ralé com o povo, o qual também compreende todas as camadas sociais.  Enquanto o povo, em todas as grandes revoluções, luta por um sistema realmente representativo, a ralé brada sempre pelo ‘homem forte’, pelo ‘grande líder’. Porque a ralé odeia a sociedade da qual é excluída, e odeia o Parlamento onde não é representada”- 159

    – “… a contínua expansão da ralé moderna – isto é, dos declassés proveniente de todas as camadas – produziu líderes que, sem se preocuparem com o fato de serem ou não os judeus suficientemente importantes para se tornarem o foco de uma ideologia política, repetidamente viram neles a ‘chave da história’ e a causa central de todos os males…” –

    Fonte:

    “Origem do Totalismo”, p 159 e 35, respectivamente.

    2. PEDRO SERRANO (Professor de Direito Constitucional na PUC/SP, um dos mais respeitados constitucionalista do país) sobre a ralé expõe:

    “A mídia que construiu esse fenômeno – onda de opinião – o qual se dá o nome de RALÉ [9:30]. A RALÉ não é um substrato econômico inferior. É uma parte do povo que parece povo mas não é [9:40]. Povo numa democracia entende a sociedade como uma sociedade fraturada de interesses [9:49],  conflitada e a democracia deseja resolver esse conflito de forma pacífica [9:54] através de uma disputa controlada e que se dê por decisões da maioria [10:00], a RALÉ não, a RALÉ procura o líder populista ou um estamento populista como é o caso da América Latina, para encontrar a ordem, para encontrar a purificação [10:08]

    Fonte youtube – video:

    https://www.youtube.com/watch?v=pbCh-NozQ-Y&t=1027s

     

     

     

     

    • Seria a ralé o lumpenproletariado?

      Segundo Brecht, é preciso limpar as palavras da sua magia de pacotilha:

      “Na nossa época, aquele que em vez de “povo”, diz “população”, e em lugar de terra”, fala de “latifúndio”, evita já muitas mentiras, limpando as palavras da sua magia de pacotilha. A palavra “povo” exprime uma certa unidade e sugere interesses comuns; a “população” de um território tem interesses diferentes e opostos. Da mesma forma, aquele que fala em “terra” e evoca a visão pastoral e o perfume dos campos favorece as mentiras dos poderosos, porque não fala do preço do trabalho e das sementes, nem no lucro que vai parar nos bolsos dos ricaços das cidades e não nos dos camponeses que se matam a tornar fértil o “paraíso”. “Latifúndio” é a expressão justa: torna a aldrabice menos fácil. Nos sítios onde reina a opressão, deve-se escolher, em vez de “disciplina”, a palavra “obediência”, já que mesmo sem amos e chefes a disciplina é possível, e caracteriza-se portanto por algo de mais nobre que a obediência. Do mesmo modo, “dignidade humana” vale mais do que “honra”: com a primeira expressão o indivíduo não desaparece tão facilmente do campo visual; por outro lado, conhece-se de ginjeira o género de canalha que costuma apresentar-se para defender a honra de um povo, e com que prodigalidade os gordos desonrados distribuem “honrarias” pelos famélicos que os engordam.”

      https://resistir.info/brecht/brecht_a_verdade.html

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome