Nem tão sabático assim, em recuperação, por Rui Daher

Nem tão sabático assim, em recuperação

por Rui Daher

Cacete! Peço e prometo um mês sabático nas escritas e já me entrego. Precisava dedicar-me a fechar o ano do meu ganha-pão, pelo menos, no ponto de equilíbrio. Cheguei perto, mas não o consegui. Meus investidores, à direita, se despediram (ou a mim – não cheguei ainda a uma conclusão). À esquerda, como nunca usei pseudônimos, dizem que bati de frente. A ninguém importa os interesses negociais e profissionais e meu ideário político. Como poetou Geraldo Vandré, não misturo dor (negócios) com amor (política). Também que não me cobrem o fato de as escritas abusivas neste GGN, na CartaCapital, e no “Dominó de Botequim”, não darem camisa a ninguém e não receber convite para uma camiseta impressa com um cifrão. Faço o que gosto.

Se preferem o modelo clássico, leiam Roberto Rodrigues ou Ronaldo Caiado, incomparáveis, mas saibam: num lerão murais de louvação; noutro interesses ruralistas inconfessos.

Neste mês natalino estou vendendo tudo. Menos a família, os amigos e as cachorrinhas Filó e Duda. No mais, temos violinos, relógios, isqueiros, joias, óculos de marca dos tempos de bonança. Vendemos barato. Também, coleções de “O Pasquim”, “Movimento” e “Opinião”. Todas “Revista Civilização Brasileira”, “Temas”, “Debates” e mais de cinco mil livros que, se meus descendentes não quiserem, escolham alguém que os mereça e doem.

Mas o que me traz aqui, além do “puro” que a filha Mariana trouxe de Cuba, o “Cream” tocando “Sunshine of My Love” e um Puglia Primitivo Luccarelli, que ganhei de uma moça querida, são dois editorais de “O Globo”, mas publicados no “Valor”, sua sucursal em São Paulo.

Um deles, li apenas em parte. O título mencionava algo como o PSDB lidar com dificuldades para reaver seu favoritismo. Qual? Aquele que obteve em 2014? O que o ministro Gilmar Mendes concede aos meliantes do partido? Ou o conquistado no provincianismo paulista?

Já o outro editorial, mais recente, está na edição que engloba (êpa) os dias 9, 10 e 11 de dezembro. Título: “Lula só confunde e nada explica nas caravanas”.

Como exemplo, lembra as de 2002, “que tinham um certo romantismo” – talvez, John Wayne e Katy Jurado num comboio de diligências rumo ao oeste dos EUA.

“Nada explica”. Não? Precisa? “Posa de vítima”. E por acaso, não é?

“Por que dizer que voltará a ser o ‘Lulinha Paz e Amor’”? Ah, não pode? Vai que a viuvez de Dona Marisa Letícia o faça repetir Fernando Henrique Cardoso depois da perda de Dona Ruth?

O editorial ainda condena Lula por mencionar “um certo referendo revogatório”, que anularia a “recuperação da economia”.

Chega! Que recuperação? Dos rentistas? Como estamos cansados de ler, em xadrez, listrado ou floreado, neste GGN, existe uma “Fake News” a insistir que a economia está se recuperando em níveis inabaláveis. Com ortodoxia que sangra o trabalho e entrega patrimônio e soberania. Dão mérito à dupla Temer (logo será descartado) e Henrique Meirelles (aposta para 2018).

A sanha se assanha quando joga nas implicações de Lula com a Justiça sua impossibilidade de candidatura. Sabe que o Judiciário tem partido.

Não lembro de político que tenha mais se explicado desde que se tornou Presidente da República. Pode ter confundido a seus opositores, mas não ao povo, que nas pesquisas lhe dá a vitória em 2018, em todas as situações.

Repito: se os editoriais do “Valor”, depois que o jornal passou a ser das Organizações Globo, ainda forem escritos por Vera Brandimarte, ela deixou de ser a boa jornalista que foi.  

 

 

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