O aplicativo Detector de Corruptos e o major update, por Francy Lisboa

O aplicativo Detector de Corruptos e o major update, por Francy Lisboa

Nessa época de Eleições o velho mote anti-corrupção como o principal entrave ao pleno desenvolvimento brasileiro ganha corpo. Ganha corpo por meio de iniciativas cativantes dentro do contexto da era digital, como por exemplo, a mais nova coqueluche, “O Detector de Corruptos”.

O aplicativo “Detector de Corruptos”, uma iniciativa do Reclame Aqui em parceria com a Agência Grey, traz por meio de identificação facial, a lista de processos, citações, e condenações do politico sob análise. Tudo bonito, até mesmo a cor púrpura indicando o veredito de corrupto dado pelo aplicativo.

O apelo é que o app vai ajudar brasileiros a votar “consciente”. É aí que mora perigo. Todos os dramáticos eventos politicos vivídos pelo Brasil até o momento envolvem muito mais do que a atuação de politicos democraticamente eleitos, porém, a natureza de Simão Bacamarte dos brasileiros ainda não enxerga, ou parece não querer enxergar, que a atuação política vai além do Executivo e Legislativo.

O aplicativo nasceu com a mesma percepção generalizada no pais, de que os politicos são a chaga raíz de todos os nossos problemas. Daí fica fácil para os desenvolvedores dessa ferramenta ter apelo, pois nada mais fazem do que jogar a ração que temos aprendido a comer e saborear desde os primórdios.

Mas a janela de oportunidade aberta pela incapacidade do Judiciário brasileiro de se comportar dentro da Constiuição quando o assunto é Lula e seu partido vem fazendo muita gente se perguntar: por que não uma ficha dos juízes e promotores?

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Se para os políticos temos as fichas trazidas pelo aplicativo, poderiamos ter a lista de juízes e promotores que recebem acima do teto permitido por lei, poderiamos ter a lista de juízes e promotores que palestram  e ganham por isso, assim como seus patrocinadores.  E que tal as ligacões dos juízes e promotores? Há como coletar essas informações? De certo há, mas a facilidade de ter um database somente para politicos mostra claramente que a famosa caixa preta do Judiciário tem forças que vão além da compreensão dos valentes desenvolvedores do Detector de Corruptos.

Como dica para desenvolvedores, bons databases para fazer um Detector de Corruptos,  versão expandida para o Judiciário, poderiam ser aqueles do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Corregedoria do Ministerio Publico.

Infelizmente, há quem acredite que o Estado de Direito deva ser interpretado como “se há fumaça, há fogo” ou “se tá apanhando é porque tem motivo” apenas, e somente apenas, quando se trata de políticos. O tal “Detector de Corrputos” pinta de roxo investigados e citados, um julgamento sumário feito por uma base de dados que convenientemente não inclui juízes e promotores, os homens da capa preta, os controladores incontrolados.

Porém, com esperança, há hoje na sociedade brasileira a pulga atrás do orelha de que existe algo de podre no reino dos administradores e alimentadores da base de dados dos “politicos corruptos”. Há questão é: quem terá coragem de aumentar o escopo do aplicativo? Quem terá coragem de mostrar que o Legislativo e o Executivo são poderes corruptos que pelo menos podem ser trocados?

Ansioso por esse major update…

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