O belíssimo Natal de Temer e o ano Lula, por Vinicius Torres Freire

 
Jornal GGN – E Lula vai partindo para os 30 anos nas disputas presidenciais e, nem isso, animou seus adversários na busca de uma agenda mais social, nem como estratégia nem por cinismo pragmático. Alerta dado por Vinicius Torres Freire, em seu artigo na Folha. De acordo com o articulista, ainda há tempo para um discurso menos reacionário para esta eleição fugindo do recurso de algibeira, de lançar criatura midiática, marionete ou fazer contas abstratas sobre os efeitos do PIB na eleição. 
 
Michel Temer afirmou ontem que o Brasil terá um Natal belíssimo. É fato, diz Vinicius, afinal a economia conseguiu se arrastar para fora do buraco em que foi jogada, crescendo uns 1,5%. Mas o que é sucesso, no frigir dos ovos, é a memória dos anos Lula e seu discurso atual fazendo picadinho das reformas e do governo Temer.

 
E o povo não está feliz, lembra o articulista, e 60% do eleitorado diz que tudo piorou. Isso no Datafolha. CNI/Ibope já aponta uma fatia de 84% dos eleitores contra políticas de Temer frente ao desemprego. E 74% considera um governo péssimo, e 69% não vê chances de melhorar.
 
Leia o artigo a seguir.
 
da Folha
 
 
por Vinicius Torres Freire
 
Fernando Collor mal aparecia nas pesquisas de dezembro de 1988. Nas citações espontâneas dos eleitores, tinha 1%, no Datafolha. Não constava das tabelas dos candidatos mais prováveis a presidente. Ali, o líder era Leonel Brizola (1922-2004). O segundo lugar era disputado por Silvio Santos, Lula da Silva e Mário Covas (1930-2001). Collor foi eleito em 1989, batendo Lula no segundo turno.
 
A imagem e a votação de Lula melhoram nas pesquisas de opinião desde meados do ano. Seus adversários mais relevantes tropeçam. Vai durar?
 
Lembrar o que os candidatos fizeram nas eleições passadas não é uma tentativa de enunciar uma lei do declínio dos presidenciáveis de sucesso precoce, um disparate. Lula pode minguar ou chegar a 50% dos votos. É imprevisível. A conversa é outra.
 
Para começar, no ano que vem Lula deve completar 30 anos como finalista nas disputas presidenciais. É a figura política nacional mais longeva da República. Deveria ser o bastante para que seus adversários tivessem entendido a necessidade de imaginar estratégias de conversar com os desvalidos, mesmo por cínico pragmatismo.
 
Para quem se habilita a aparecer com alguma conversa menos reacionária para esta eleição, ainda há tempo. Até agora, porém, o recurso de algibeira é lançar uma criatura midiática, uma marionete, ou fazer contas abstratas sobre os efeitos do PIB na eleição. Seja lá o que se entenda por melhora econômica, nem sempre vale o mote do marqueteiro americano, “é a economia, seu burro!”.
 
Michel Temer disse ontem que o Brasil terá um Natal “belíssimo”, com economia e comércio melhorando. Sim, o varejo saiu da tumba em meados do ano. Ainda assim, as vendas per capita do comércio caíram uns 12% no biênio 2015-2016. Neste ano, devem apenas se arrastar para fora do buraco, crescendo 1,5%, por aí. O que faz sucesso, porém, é a memória dos anos Lula e o ex-presidente fazendo picadinho das reformas e do governo Temer.
 
O povo está fulo. Para 60% do eleitorado, a situação econômica do país piorou, deu no Datafolha. Pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quarta-feira mostra que 84% dos eleitores desaprovam o que Temer faz quanto ao desemprego; 85% desaprovam o que faz em relação a juros. Para 74%, seu governo é péssimo e, para 69%, assim será o restante de seu mandato.
 
Há reviravoltas rápidas na opinião política, claro, algumas lastreadas em estelionatos eleitorais (Cruzado, 1986), revertérios econômicos (FHC, 1995) e outras ainda misteriosas (Dilma, Junho de 2013). Do ponto de vista de hoje, na melhor das hipóteses a economia (PIB) vai estar rodando a um ritmo anual de 2,5%, mas com indicadores socioeconômicos ainda deprimidos. A rejeição das reformas liberais, contaminadas pelo temerismo, deve persistir.
 
Um candidato prudente do governismo e entorno deveria, vejam só, pensar no que vai e no que pode ir pela cabeça do povo. Há reviravoltas. Em dezembro de 1994, José Sarney e Paulo Maluf disputariam um segundo turno na eleição de 1995, à frente de FHC, o vitorioso. Em dezembro 2001, Ciro Gomes e Roseana Sarney vinham atrás de Lula, que enfim disputou e venceu o segundo turno de 2002 com José Serra.
 

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