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O império dos bárbaros covardes e selvagens, por Eduardo Ramos

Fabio Pozzebom - Agência Brasil

por Eduardo Ramos

Comentário sobre o artigo “Sobre o caráter do jornalismo e das instituições brasileiras“, de Luis Nassif

Leio com tristeza o artigo em que o Nassif refresca nossa memória com o que tivemos de melhor (um passado perdido…) e o que temos de pior (todo o esgoto de violências, selvagerias, perversidades e covardias de um passado recente e um presente que parece não terminar, no jornalismo e nas instituições brasileiras).

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Quando falo do tempo presente, em que o próprio Nassif ressalta que muitos jornalistas – e podemos acrescentar juristas, políticos, etc, parecem fazer um “mea culpa” – mudaram seu comportamento, é ele o primeiro a reconhecer que, se os ventos mudarem mais uma vez para o antigo inimigo, Lula, PT, esquerda, não terão escrúpulo algum em mudar o leme e seguir o modismo da truculência e do ódio mais uma vez.

O que vimos de modo mais grotesco e vulgar no bolsonarismo, NADA MAIS É DO QUE TUDO O QUE ASSISTIMOS NO LAVAJATISMO, com a única diferença que um trazia um verniz cínico e caricato de “civilizado”, de “representar o bem”, de “combate ao mal e à corrupção”, ou, como disseram doze desembargadores do TRF4 de modo inacreditável sobre todas as violências de Moro ao Direito e à Democracia: “aprovamos tudo, porque tempos de exceção exigem medidas de exceção” – corroborando assim com o poder absoluto exercido pelo ex-juiz e os procuradores da Lava Jato.

É preciso, por uma questão de justiça e amor à verdade, não nos esquecermos de quem nos trouxe a Bolsonaro, às quase 600.000 mortes de brasileiros, a esse pântano de incivilidades, a esse país desprezível que mais parece um sanatório geral, um arremedo de nação civilizada, párias, na verdade, desprezados em todo o mundo, que nos olha com vergonha, desprezo e, alguns, talvez, compaixão! E dentro dessa verdade, encontraremos o fato de que muitos que hoje gritam contra Bolsonaro e a ditadura, são exatamente os mesmos que apoiaram, celebraram e até se orgulharam, como alguns jornalistas, de “terem sido íntimos de Moro e o pessoal da Lava Jato” – portanto, todos estes, agentes político-sociais ativos de todo um processo que nos trouxe ao inferno atual. Não há inocentes entre a corja que apoiou a Lava Jato, defendeu Moro, apoiou o calou-se diante da onda de ódio a Lula e ao PT, aplaudiu o desmonte de toda uma cadeia de indústria civil e de petróleo e gás, com a perda de milhões de empregos diretos e indiretos, e o desmonte da Petrobras e do pré-sal a preço de banana. Assemelham-se aos pré-nazistas que “queriam o nazismo, mas sem Hitler”, queriam o nazismo, “mas sem a tragédia de uma guerra mundial” – como se algo ou alguém pudesse conter uma sociedade, uma vez soltas a besta e a serpente do ódio, do fanatismo, do fim do Direito e da Democracia, como fizeram, Globo, STF, MPF e outros, “antes-de-ontem”. Para agora, HIPÓCRITAS, gritarem por todos os valores que eles mesmos pisotearam e estimularam a sociedade a gritar, no meio de nojos e ódios, apenas para que Lula e o PT fossem massacrados.

Lembro de Felipe Moura na Veja, rindo e defendendo que as pessoas atacassem Mantega e outros petistas nos hospitais, afinal, “estavam recebendo o que mereciam”…. – e a maior revistado país achou isso normal.

Lembro de Reinaldo Azevedo (o novo “Paulo”, convertido… – sic…) atacando o Nassif e sua família como um cão raivoso, com termos que não ouso me sujar repetindo…

Lembro de Nelson Mota, um gentleman com todos, escrevendo uma das crônicas mais abjetas da história do jornalismo, atacando e debochando de dona Maria, falecida esposa de Lula, tratando-a como “galega” o texto todo, e fazendo ilações perversas e covardes – penso na imundície psíquica de uma sociedade capaz de transformas Nelson Motta em uma pessoa tão desprezível…

Lembro do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, orgulhoso, em entrevista, rindo e comentando que “Moro era bonzinho demais, deveria ter conduzido a mulher de Lula coercitivamente também”…. – claro, em sua mente sádica, covarde e psicótica, porque não humilhar igualmente a esposa do inimigo odiado, já que era pouco a invasão de sua casa à seis da manhã por policiais armados até os dentes….

Lembro da juíza Carolina Lebbos determinando que Lula fosse transferido para São Paulo, mas “nada de cela especial, é desnecessário, que seja colocado em cela comum desde que se atente para a higiene e cuidados com o preso” – uma sentença de morte para Lula, a humilhação e degradação em último grau, algo que só uma mente doentia e canalha poderia planejar…

Centenas de páginas não dariam conta da multidão de exemplos, de baixarias, de violações da Lei, da Constituição e do Direito em geral, defendidos e praticados na última década. E não é que, de repente, alguns desses personagens tornaram-se amantes de tudo o que, “ontem”, destruíram?!?

Somos uma nação enferma e destruída!

Maquiagem, bandaids nas feridas abertas e profundas, silêncios costurados por políticos, empresários e jornalistas, NÃO CURARÃO ESSAS FERIDAS!

Achávamos que 1964 estava curado. Deu no que deu! Veio Globo, veio Lava Jato, veio esse STF covarde e um MPF criminoso, uma presidente digna foi deposta, um ex-presidente inocente, massacrado, humilhado, julgado de um modo cínico por um juiz amoral e desembargadores pusilânimes, e preso por 580 dias.

Ou a sociedade abre todos esses horrores, todos os erros, os crimes, as incivilidades, as distorções, as patologias sociais, a arrogância da Globo, a ignorância de nossas elites e classes médias, e enxergando nosso verdadeiro rosto, escolhemos um novo caminho, um novo rumo, ou estaremos apenas adiando um novo tempo das mesmas abominações.

Apenas o advento de uma democracia VERDADEIRA nos trará o ambiente sócio-político em que essa construção de um Brasil novo e moderno será possível.

Democracia em todas as suas formas, tem que ser a nossa palavra de ordem mais intensa e urgente.

É ela a mãe de todas as transformações.

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