O legado de Bolsonaro, por Fernando Castilho

Se não tentar um golpe e não criar um artifício para inverter o jogo contra Lula, sairá derrotado em 2 de outubro e do governo em 31 de dezembro.

Foto: Ricardo Stuckert

O legado de Bolsonaro

por Fernando Castilho

Jair Messias Bolsonaro, o presidente que antes das eleições anunciou a que viria, deixará certamente um legado para o Brasil.

Antes que tenham um enfarte devido ao susto com a frase acima, esclareço que legado pode ser algo bom que uma pessoa deixa para a posteridade, ou algo ruim. No caso do capitão é algo terrivelmente ruim.

Ele avisou durante a campanha de 2018 que viria para destruir.

Deu tantos avisos quantos fossem necessários para que o Brasil inteiro soubesse que ele é homofóbico, racista, misógino e autoritário.

Deixou clara também sua posição de saudoso da ditadura militar, de adorador de um torturador sanguinário e de desrespeito aos direitos humanos e ao meio-ambiente.

Eleito, tratou de demonstrar o quanto pode sua ojeriza pela Constituição, pelo Estado de Direito e pelas instituições da República.

Deixa transparecer diariamente que de cristão não tem nada e que conheceu a mentira e dela gostou.

É um embusteiro, enfim.

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Se não tentar um golpe e não criar um artifício para inverter o jogo contra Lula, sairá derrotado em 2 de outubro e do governo em 31 de dezembro.

Mas o legado ficará. E é aí que mora o perigo.

Lula encontrará um país semidestruído e todos sabemos como é muito mais difícil reconstruir do que destruir. Será uma tarefa hercúlea em todos os sentidos e em todos os campos.

Mas talvez o pior seja o legado em termos da horda que ele deixará.

Os cerca de 30%, talvez menos, realmente incorporaram o capitão. Pensam como ele, desejam as mesmas coisas que ele, enfim, são seres vis como ele.

Bolsonaro pode até sumir, ser preso ou morrer. A horda já caminha por conta própria.

A extrema-direita saiu do esgoto para ficar na superfície e nunca mais voltar para ele.

Já testemunhamos todos os dias políticos legados ao capitão falando abertamente sobre golpe, sobre fechamento do STF e sobre alteração da Constituição, acabando com o sistema de freios e contrapesos garantido pela independência e harmonia dos três poderes, como o senador Luís Carlos Heinze e outros.

Será extremamente necessário que o polo progressista eleja a maioria dos deputados e senadores para contrabalançar essa onda autoritária que se instalou no Congresso nacional.

Sem isso, mesmo para um homem com a força de vontade que Lula tem, será quase impossível governar e reconstruir o país.

É preciso que nos unamos para garantir a Lula um mínimo de a energia que ele precisará para tornar o Brasil de novo uma nação.

Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor

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1 Comentário

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Paulo Cavalcanti

- 2022-06-22 04:16:55

De fato, o inominável deixará um legado negativo sem precedentes. O que há de pior nesse legado são seus seguidores que agora afloraram como praga por todos os lugares. Realmente, Lula não terá vida fácil na sua gestão.

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