O mecanismo da dominação, por Carlos Motta

O mecanismo da dominação, por Carlos Motta

Cancelar a assinatura da Netflix, como fiz, por causa da canalhice produzida por eles sob o disfarce de uma série televisiva, é apenas uma atitude simbólica – mesmo que outros milhares façam como eu, a Netflix continuará a existir, a faturar bilhões de dólares e a produzir obras de propaganda do american way of life, pois afinal, ela existe para isso.

Num chute por alto, 80% de que exibe, seja séries de televisão, dramas, comédias, ficção científica, policiais etc etc, faz parte do que se chama de “soft war”, guerra suave, ou seja, é instrumento de dominação dos Estados Unidos, o grande império contemporâneo, sobre os outros povos e culturas.

Os americanos fazem isso desde que o cinema foi inventado, desde que se iniciou o processo de gravações musicais, desde sempre. 

Hollywood é uma fantástica fábrica de ilusões – nela se fabricam os sonhos de que somente os Estados Unidos são capazes de proporcionar às pessoas a liberdade, o luxo, a riqueza, a felicidade, os carrões ultravelozes, as mulheres de tirar o fôlego, a vida esplendorosa, enfim, que todos almejam.

O trabalho de Hollywood e da indústria de entretenimento dos EUA é incomparável. 

Sem disparar um tiro real, subjugou nações inteiras, bilhões de almas e corações, para a ideologia que evidencia o self made man, a “meritocracia”, o egoísmo, a democracia representada por dois partidos quase gêmeos, a supremacia do homem branco sobre os de outra cor de pele, o destino inexorável de ser o dono do planeta.

E transformou, a bel prazer, quem nada contra a corrente, em inimigos desprezíveis, abjetos, monstruosos – alguém já viu, por exemplo, um russo que não seja mafioso, violento, um verdadeiro facínora, nessas produções hollywoodianas?

A série sobre a “corrupção” brasileira, que mereceu forte investimento publicitária em seu lançamento, nada mais é do que uma peça desse enorme mecanismo de dominação cultural – e econômica, é bom lembrar – americana.

Os seus autores apenas trocaram os papéis dos vilões – saem os russos, chineses, iranianos, norte-coreanos e muçulmanos, e entram os esquerdistas brasileiros, esses seres corruptos até a medula. 

É um enredo que dá sono, de tão batido.

 

 

10 Comentários

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Chico Palito

- 2018-03-29 02:44:09

Mais uma resposta de um idiota

Não conhece luta de classes?

É uma perda de tempo, idealizada por Marx, para uma sociedade do século XIX, mas que imbecis anacrônicos adoram propor um debate entre os lixos e a escórias, que são os ricos e os pobres desta merda de país.

TA NA HORA DE BRASILEIRO CALAR A BOCA, SE AINDA QUER LUTAR POR UM FUTURO MELHOR.

MAS A DEFICIÊNCIA INTELECTUAL SEVERA DOS LIXOS DOS BRASILEIROS IMPEDE TAL ATO.

NÃO É A TOA QUE SÃO TODOS LIXOS TERCEIROMUNDISTAS DE MERDA.

John Rios

- 2018-03-27 14:59:43

Meca
Geraldinho. Estar sobre as paixões, que situação confortável. Acho que realmente acredita nisto. Voce nunca ouviu falar de Luta de classes, esta escancarado, mas voce não vê, não entende, não acredita, não interessa.Essa neutralidade é fantástica, é divina. Pobre senhor.

Geraldo Lino

- 2018-03-27 13:06:38

Não me alinho nem com

Não me alinho nem com "coxalhas" nem com "petrinhas", pelo que me considero isento para comentar o assunto.

Salvo no caso de espectadores ofuscados pelas inclinações ideológicas, não dá para entender a histeria com a série, que no conjunto é muito boa. E, embora centrada na corrupção dos governos petistas, não deixa de demonstrar que a "oposição" é igualmente corrupta, sendo o seu o candidato presidencial, visivelmente inspirado em Aécio Neves, rotulado como "bandido" pelo personagem de Selton Mello (a propósito, criticar os atores da série por terem trabalhado nela ultrapassa os limites do ridículo para entrar no terreno da idiotice).

A questão central é que petistas e simpatizantes têm demonstrado uma enorme dificuldade de aceitar que os governos do PT aderiram sem grandes questionamentos aos esquemas de captura do Estado brasileiro por grupos de interesses privados, que têm sido a marca registrada da "Nova República". Vale recordar a célebre entrevista em Paris, em que Lula admitiu que o PT estava fazendo "o que todo mundo fazia", isto, depois de passar duas décadas prometendo que seria diferente quando chegasse ao Planalto, motivo que levou dezenas de milhões a acreditarem e o colocarem lá (a raiva que muitos demonstram diante das revelações da Lava-Jato, independentemente de quaisquer motivações que a acompanhem, se deve em grande medida ao ressentimento pelo que consideram como uma "traição" a tais promessas). O PT não inovou nos métodos de cooptação e corrupção, mas os recebeu e aprofundou, vide Marcos Valério e Alberto Youssef, que foram operadores de esquemas corruptos do PSDB e transferiram-se de armas e bagagens para o governo seguinte. Na Petrobras, onde já vigoravam os esquemas do PMDB e do PP, acrescentaram a camada do PT sem mexer nas outras, de modo que a empresa foi politizada pelo menos até o terceiro escalão hierárquico, não se podendo nomear um simples chefe de departamento sem uma indicação política.

O Caso Banestado, de proporções pelo menos idênticas ao "Petrolão" e também citado na série, antecede os governos petistas, mas foi devidamente enterrado já em 2003, provavelmente, graças a um "acordo" entre o grupo político que saía e o que entrava, que compartilharam boa parte do "know-how" da estrutura de evasão e lavagem de dinheiro, e até mesmo alguns de seus operadores, como o já citado Youssef.

De fato, a corrupção política nacional não começou em 1 de janeiro de 2003, apenas ganhou uma nova coloração partidária, levando a reboque grande parte da já existente. Doa a quem doer, isto precisa ser devidamente entendido, se quisermos extrair lições úteis dessa tenebrosa etapa da história nacional. E a derrocada de Lula & cia. sinaliza que não devemos ficar esperando que algum "salvador da pátria" nos mostre o caminho da reconstrução da Nação. Se não assumirmos a tarefa de construção de uma Nação Decente, cada qual na sua esfera de possibilidades, dificilmente, superaremos o presente estágio da política como um "balcão de negócios". 

Mario V

- 2018-03-27 02:46:14

Falenews na cara de pau!

Netflix abraça mercado do fakenews. O objetivo não é o povo brasileiro mas a difamçao mundial. “O Cara”, como definido por  um ex-presidente importante, não pode vir da colônia.

Netflix parece seguir a mesma linha de pensamento da empresa de analise de dados em recente escandalo envolvendo uma certa rede social.

Favero

- 2018-03-27 00:37:54

Inocência

Me perdoe mas não vou levar livre este texto! Foi este tipo de pensamento, atrasado uns 40 anos, inocente que entrou dentro da cabeça dos integrantes da esquerda no país! Os americanos vivem matando índios, russos, alemães, japoneses, ingleses e inclusive eles mesmos. Nas suas paródias eles são heróis, mafiosos ou corruptos! E nós com isso? Nada!!! Apresente entretenimento melhor feito aqui no Brasil? Faustão e Huck? Silvio Santos? E os nossos heróis ( Curupira e Mônica) porque pegam mais em relação aos da DC e Marvel? Respondo: Qualidade e porque ninguém quer! O resto é blá-blá-blá!

Naldo

- 2018-03-27 00:16:31

Passou um.dias desses com.o
Passou um.dias desses com.o David Carradine, se não me.engano o primeiro filme do Martim Scorsese. Mostrava os sindicalistas comunistas e perseguidos pela política, ladrões e vagabundos, essa visão foi que, dizem, matou o sindicalismo naquele país.

Aliança Nacional Libertadora

- 2018-03-27 00:08:37

Hollywood nunca foi capaz de ser honesta....

O auge do Macartismo detonou qualquer tipo de independencia cultural e intelectual.....

 

Alguém já viu filme de comunista americano? Então....eles existiram.....

Serjao

- 2018-03-26 23:00:44

Não cancelo

Nunca tive, do mesmo modo que o feicibuque.

Collingwood

- 2018-03-26 22:40:44

E a recepção?

Texto sobre comunicação que não leva em consideração as teorias de recpção nem deveria ser levado a sério. Eu mesmo não levei e nem li. E não irei cancelar o netflix.

Lucio Vieira

- 2018-03-26 22:28:33

Nunca assinei, pois já não tinham o que de bom me apresentassem

#cancelonetflix    #naoadquironetflix

"Mentir sozinho eu sou capaz" Prá que gastar com isto?

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