O parlamentarismo é por perpetuação no poder, diz Barbosa

Jornal GGN – Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu entrevista a Maria Cristina Fernandes, do jornal Valor. Mesmo não falando sobre Judiciário, Supremo e Lava-Jato, condições dadas por ele, a jornalista conseguiu montar o perfil de Barbosa, três anos depois de sua saída do STF.

Barbosa fala sobre o grande tema protagonizado por Gilmar Mendes e Michel Temer. Alfineta. “Essa gente é tão sem escrúpulo que vai tentar impor o parlamentarismo para angariar a perpetuação no poder e se proteger das investigações. Esse é o plano. Seria mais um golpe brutal nas instituições”.

Lembra que em dois plebiscitos, feitos nos últimos 50 anos, a ideia foi abortada pela população, por exótica à organização institucional brasileira. “Seria uma irresponsabilidade absurda testar um experimento exótico desse, como se fosse um brinquedinho, um ioiô”, diz ele.

Atribui a baixa aceitação de Temer, por parte dos governos no mundo, à balbúrdia institucional que se instalou no país. “Nosso país foi sequestrado por um bando de políticos inescrupulosos que reduziram nossas instituições a frangalhos. Em nenhum país do mundo um chefe de governo permaneceria um dia sequer no cargo depois de acusações tão graves quanto aquelas que foram feitas contra Temer. O Brasil entrou numa fase de instabilidade crônica, da qual talvez só saia em 2018”, opinou.

Sobre o fato de Moraes, no STF, ter engavetado os pedidos de impeachment de Temer, Barbosa soltou o verbo sobre o Congresso e Supremo: “Eles instauraram no Brasil a ordem jurídica deles, e não a das nossas instituições. O Brasil teve um processo de impeachment controverso e patético e o mundo inteiro assistiu. A sequência daquele impeachment é o que estamos vendo hoje. Não há parâmetro de comparação entre a gravidade dos fatos. Michel Temer deveria ter tido a honradez de deixar a Presidência”.

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E, para ele, os brasileiros não se mexem para tirar Temer por estarem cansados de tudo isso, da instabilidade e da manipulação. “A prioridade é sobreviver”, diz ele.

Quanto a ser candidato, Barbosa nega. E nem precisa decidir agora, já que os candidatos terão que ser anunciados a seis meses da disputa. Mas Barbosa, em pesquisas, alcança Marina Silva. Diz ele que já foi procurado por emissários de Marina, Lula e dirigentes do PSB, além das lideranças evangélicas. “Não sei como são feitas essas pesquisas em que colocam meu nome, mas não sou hipócrita. Ando nas ruas, nos aeroportos e por onde vou as pessoas me abordam. Percebo que há esse potencial, mas não incentivo nem tomo qualquer iniciativa para alimentar isso”, diz.

Não descrê da possibilidade, mas não abraça a causa. Ele acha que o PT não o procuraria, pois não abre mão de lançar um candidato. Além disso, há o ódio petista contra ele, desde da sua atuação na AP 470, o Mensalão. Mas ele é o perfil mais próximo de Lula, pela origem, e o mais próximo do desejo do povo em ter alguém ligado ao famoso duo “lei e ordem”.

Comenta a atuação do presidente do TRF4 Carlos Eduardo Lenz, que disse que sem ler os autos considerava a sentença do juiz de piso Sergio Moro como ‘irretocável’. Não se surpreende. Mas entende que a turma de Curitiba está apressando o relógio para pegar Lula, pois que nos trâmites normais, em tempo normal, o processo não o impediria (a Lula) de concorrer. Mas ele acha que Lula não deveria ser candidato, pois vai rachar o país mais ainda. “Só que o estão empurrando para ser candidato, com essa cruzada que o coloca contra a parede. É um ódio irracional esse que apareceu no país”.

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Defende a saída do Estado como sócio majoritário de empresas, mas condena a possibilidade de aquisição de ativos públicos com recursos do próprio Estado. “O Brasil precisa de uma dose de capitalismo de verdade, não esse capitalismo de Estado, à base de subsídio”, diz ele.

Fala ainda de contribuição sindical, previdência social, e volta de um presidente eleito, forte, pelas mãos do povo. Não acredita que 2018 traduza-se em disputa entre os que querem retirar direitos e os que querem restabelecê-lo. Encara a discussão como o debate sobre o tamanho do Estado e o combate à corrupção.

Das reformas, a que mais teme é a política, principalmente pela volta do financiamento privado de campanhas, cuja proibição ele capitaneou no Supremo. E disso se orgulha. “A principal causa é a corrupção, é a motivação número um para as vocações políticas no Brasil. O que motiva boa parte dos líderes é o acesso ao dinheiro. Por isso estão sedentos para reinstituir o financiamento privado”.

Leia a entrevista na íntegra. “O  nome da trégua“, por Maria Cristina Fernandes

 

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16 comentários

  1. Adoraria dizer “cala a

    Adoraria dizer “cala a boca,Ofelia”.  Impossivel.

    Alguem pise nessa barata e termine sua agonia, POR FAVOR.

  2. Farsante em nova versão cientista politico!

    O menino pobre afrodescendente a salvar o Brasil (revista veja), imagem vendida e por ele alegremente comprada via globo/pig, consistência de uma bolha de sabão e fedor de um pum, ruiu drasticamente quando do apagar dos holofotes que a casa grande disponibilizou para o tempo de validade daquele ap430 e da jabuticaba domínio do fato.

    O menino pobre afrodescendente a salvar o Brasil (revista veja) depois de emporcalhar o já sujo sistema do judiciário pátrio adentra na sua mais nova especialidade, dar pitaco sobre sistema politico!

    O menino pobre afrodescendente a salvar o Brasil (revista veja) continua menino pobre culturalmente, afrodescendente que a casa grande utilizou e descartou a tempo, bobalhão para acreditar que as suas opiniões serão levada em consideração.

    RIP menino pobre afrodescendente agora merecidamente no ostracismo.

  3. Nefasto

    Esta criatura é um dos responsáveis pela tomada do poder por uma quadrilha. É um pioneiro. Agora quer fazer de conta que nada tem com o assunto… Tartufo. Só reclama porque a orcrim que ele ajudou a colocar lá quer impedir que ele possa tomar o poder através de eleições, já que ele imagina que a classe média veja nele uma espécie de reserva moral da nação. Não se elegeria: naq primeira bravata seria desmascarado. Que esperneie.

  4. Inacreditável a hipocrisia.

    Inacreditável a hipocrisia. Barbosa colaborou decisivamente para o pontapé inicial do golpe. Deixou-se usar alegremente na caçada ao PT e a Lula. Ocupava um  cargo que lhe permitia defender um Estado de Bem-estar social mas preferiu ser boneco de ventríloquo das castas privilegiadas, agindo como um capitão do mato. E continua a defender um Estado dominado pelo mercado. Barbosa é sim um autêntico traidor do povo.

  5. Máfia fhc! Esgoto a céu aberto desde 2002…antes era na moita!

    Os golpistas continuam tão a vontade, com sobra de espaço transbordando pelas beiradas, que todo dia aparecem descendo o cacête nos seus parças, conforme script. Essa encenação do barbosinha com o gilmarzinho começou no mensalão. Roubaram nossos 55 milhões de votos e deveria estar na cadeia, coisa que ainda assistiremos assim que as coisas voltarem ao normal, saindo das mãos desses psicopatas criminosos.

                  

  6. Erros do Lula

    J.B. ao lado de Dilma foram  os maiores erros de Lula presidente , se acovardou no mensalao e agora faz cara de paisagem !

    Curioso é que Dilma tambem deu uma entrevista ontem na Record a uma reporter que ano passado , ainda presidenta jogou na sua cara o livro de FHC !

    • Concordo. Das dezenas de

      Concordo. Das dezenas de nomeações desastradas do grande Lula. Essas duas foram as piores.

      E pra ganhar do procurador gurgel e do aires brito parecia difícil.

       

  7. Cala a boca, Joaquim!

    Será que ele pensa que nos esquecemos o papel dele no famigerado mensalão?

    “Reduziram nossas instituições a frangalhos”. Quem não te conhece que te compre.

  8. Ué! Não era o PT que se

    Ué! Não era o PT que se perpetuaria no poder?

    E essa figura e seus colegas destruiram as lideranças do PT através da exdrúxula caricatura do domínio do fato. Agora fala em balburdia institucional? País rachado?

    Agora é tarde.

  9. Não sou careca de saber

    Estou ficando careca de velho mesmo mas, fico a pensar, será que o Alckimin, o Álvaro Dias, o Bolssonaro, a Marina, o Maia, o Joaquim e sei lá quem mais, queiramos ou não tendo lá  os seus liderados, fazendo já seus movimentos, vão querer ser presidente  do primeiro ministro Meirelles ou este ser presidente do primeiro ministro  A. Fraga?

  10. É para rir?
    Este senhor é um dos causadores da presença do Temer no comando da desgraça.
    É muita cara de pau nos tirar para idiotas.Nós sabemos o que ele fez e quão covarde foi.
    Golpista ordinário.

  11. + comentários

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