O passado nos condena, por Izaías Almada

Gostamos de fingir por aqui períodos progressistas, experiências sociais mais humanistas, mas acabamos invariavelmente a bater na tecla do conservadorismo, do passadismo, mesmo que isso possa vir fantasiado com a máscara da modernidade.

O passado nos condena

por Izaías Almada

Como seria, caro leitor, fazer oposição num país governado por meliantes? Como seria fazer oposição num país em que pelo menos 30% da população considerasse que esses meliantes haviam sido eleitos para combater a corrupção? 

Como seria fazer oposição num país em que o poder executivo autorizasse a compra, com alguns milhões de dólares, dos votos de boa parte de canalhas, desculpem, de honestos cidadãos do poder legislativo para aprovar uma reforma que retiraria inúmeros benefícios da sua população mais pobre, dos que mais precisam?

Sem justiça não há paz (no justice, no peace). 

Aqui no Brasil, por exemplo, cujo governo recém eleito está instituindo uma nova política, um novo jeito de governar, esse aforismo, embora verdadeiro, não carece de muita credibilidade. Pelo menos é o que se constata quando passamos os olhos pela nossa história política dos últimos cento e cinquenta anos.

A Lei Áurea, a Proclamação da República, as tentativas de rebeliões militares nos anos 20 do século passado, a “redemocratização” de 1946, o suicídio de Vargas, os governos de Jango e Juscelino, a ascensão do Partido dos Trabalhadores, foi tudo uma quimera a se desfazer com a constante presença de cortes autoritários em defesa do capital, da posse da terra, mesmo que por simples grilagem, e o privilégio adquirido por seus donos e prepostos desde as Capitanias Hereditárias. Em meio a tudo isso, que não é pouco, os bancos… Ah! Os bancos…

Gostamos de fingir por aqui períodos progressistas, experiências sociais mais humanistas, mas acabamos invariavelmente a bater na tecla do conservadorismo, do passadismo, mesmo que isso possa vir fantasiado com a máscara da modernidade. E, sobretudo, ao contrário do país imaginário do primeiro parágrafo acima, somos bastante criativos na nossa hipocrisia… E na maneira de fazer oposição.

Criamos, com muito orgulho até, essa canalhice chamada de Lava a Jato, para muitos a maior operação anticorrupção no Brasil. Bobagem: um jogo de cena para encobrir, isso sim, o cotidiano corrupto de uma nação em que grande parte de seus cidadãos mais abastados e não só praticam a corrupção, sempre e quando defendida por uma justiça também ela corrupta.

Atenção cidadãos brasileiros: a CORRUPÇÃO NÃO COMEÇOU COM Lula e o PT. Já pensaram a sério sobre isso? Não sejam tão ignorantes assim. Não passem atestado de burros perante o mundo. Algum dia, por acaso, leram sobre a construção de Brasília, para ficarmos num simples exemplo?

A operação Lava Jato, consequência direta (ou indireta?) da tal Operação Banestado, o maior escândalo praticado por milionários contra o país, é uma farsa enfiada goela abaixo da nação para desviar a atenção de toda a sociedade para os verdadeiros corruptos: aqueles que sempre fizeram do Brasil um país de segunda mão, repito, desde as Capitanias Hereditárias. 

Ouro, açúcar, café carne, soja, petróleo, tudo para favorecer aos nossos concorrentes no mercado externo, com uma sonegação de impostos incalculável, além do imenso lucro obtido que, no mais das vezes, foi enviado para paraísos fiscais.

No caldeirão da hipocrisia nacional foram adicionados ingredientes de fazer inveja ao nosso Macunaíma, herói sem nenhum caráter, de Mário de Andrade… Onde, há cinco séculos, elogiamos a esperteza e o jeitinho do brasileiro como um valor cultural da nossa maneira de estar no mundo. 

Os portugueses que aqui chegaram em 1500 compraram muitos de nossos longínquos antepassados com algumas bugigangas e depois mataram e esfolaram escravos capturados em África para os seus mais recônditos propósitos… Com o tempo esse caldeamento criou a sua própria cultura: mando e submissão. A esperteza confundida como sinal de inteligência.

O momento atual é, com certeza, um dos piores momentos da nossa história pelo simples fato de que é nele que vivemos. Uma coisa é saber pelos estudos históricos o que se deu no passado, seja remoto ou recente. Outra, bem diferente, é ser testemunha do que ocorre ao nosso lado enquanto vivemos.

A democracia, dirão muitos parafraseando Winston Churchill, o estadista inglês, ainda é o melhor dos sistemas políticos já criados pelo homem. 

Eu prefiro a magistral definição do jornalista norte americano H.L Mencken: “A democracia é a arte e a ciência de administrar o circo a partir da jaula dos macacos”.

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