O que seria o “fanatismo social”?, por Eduardo Ramos

Em um país normal, de pessoas normais e instituições idem, o CLAMOR seria o oposto do que percebemos. As pessoas, mesmo que perplexas e decepcionadas, até mesmo frustradas por terem sido enganadas de modo tão vil, reconheceriam seus equívocos

Foto Reuters

O que seria o “fanatismo social”?, por Eduardo Ramos

Quando uma sociedade interioriza UM SENTIMENTO oriundo de conceitos em que acredita piamente, a ponto de NEGAR A REALIDADE DOS FATOS porque estes vão contra aquele “sentir”, temos então uma sociedade imersa no que chamo de “FANATISMO SOCIAL”.

É uma das tragédias do Brasil de hoje. Como a sociedade foi massacrada com bombas semióticas estimulando o desprezo, o NOJO e até mesmo o ódio a Lula, ao PT, e às políticas e programas da esquerda em geral, na mesma proporção em que Moro, Dallagnol foram interiorizados como HERÓIS, além da Lava Jato ser “sentida” como “uma operação redentora do país” em relação ao flagelo da corrupção, tais SENTIMENTOS se sobrepõem INCONSCIENTE E AUTOMATICAMENTE à qualquer verdade, por mais cristalina e concreta, que afronte esses paradigmas psicossociais.

Por isso, por esse grau de ENFERMIDADE SOCIAL, todos meio que intuímos, “está presente no ar”, essa sensação de que muitos ainda DESEJAM Lula preso, porque seus raciocínios estão BLOQUEADOS pela FORÇA desses sentimentos de “NOJO DE LULA”, tornados permanentes no inconsciente coletivo… Lula não é um mero adversário político, é “o chefe da quadrilha”, o mentiroso, o enganador, tornou-se o “SATANÁS” na alma dos brasileiros que comungam dessa “RELIGIÃO FUNDAMENTALISTA” – o antipetismo!

Na mesma proporção, lhes causa um SOFRIMENTO INDIZÍVEL ver o herói maior, o justiceiro, o “homem bom”, Sérgio Moro, se esfacelando diante de seus olhos. Um caso típico em que a razão NEGA VEEMENTEMENTE OS FATOS, optando pela “verdade do que o meu coração me diz”… – ou seja, a essência do FANATISMO.

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Em um país normal, de pessoas normais e instituições idem, o CLAMOR seria o oposto do que percebemos. As pessoas, mesmo que perplexas e decepcionadas, até mesmo frustradas por terem sido enganadas de modo tão vil, reconheceriam seus equívocos, enxergariam o óbvio, que Lula foi condenado e preso de forma injusta – e até criminosa!… – e, na verdade, estariam INDIGNADAS com Moro, Dallagnol, o STF que bancou a farsa o tempo todo, e lutariam nas ruas, por verdade, justiça, seriedade e dignidade do sistema Judiciário brasileiro.

Perceberiam o quanto foram MANIPULADAS à exaustão pela Globo e a grande mídia, e os execrariam por isso.

Nada do que escrevo como “as reações que seriam normais” se aproxima do que vemos e sentimos à nossa volta.

O fato de Moro e Dallagnol estarem livres e não presos, o fato de a sociedade receber meio que em estado de “catatonia” e “normalidade” o escândalo obsceno do conteúdo dos vazamentos do The Intercept, nos HUMILHA enquanto nação minimamente ética, justa, educada, civilizada, e em cognição com a realidade.

Levará muitos anos para que deixemos de ser o país onde impera essa doença, o FANATISMO SOCIAL.

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