O vírus expôs nossas mazelas, por Romyna Lanza

O coronavírus escancarou as desigualdades do nosso país. As classes mais baixas são as mais atingidas, como prevíamos.

Foto Correio Braziliense

O vírus expôs nossas mazelas

por Romyna Lanza

O coronavírus escancarou as desigualdades do nosso país. As classes mais baixas são as mais atingidas, como prevíamos.

Como se prevenir de um vírus, cujas principais recomendações são a higiene e o isolamento, em locais onde falta água encanada, onde falta água, onde cinco, seis moradores dividem o mesmo cômodo da casa? E o dinheiro para o álcool em gel e para as máscaras? “Ah, mas máscara é barato”. Não raro, no nosso país, cinco reais podem definir se naquele dia alguém irá comer ou passar fome.

Ainda há a questão do trabalho e renda. Seja por desespero e/ou pressão, essas pessoas saem de casa e se arriscam. Pequenos comerciantes que dependem da lojinha do bairro, do bar ou da mercearia pra sobreviver abrem as portas. Tivemos essa semana um pai e dois filhos que morreram por Covid, porque o pai insistiu em abrir o bar na Baixada Fluminense. Desculpem-me, mas duvido muito que o motivo tenha sido APENAS ignorância. Há muito de situação financeira aí também. Tem-se ainda aqueles que são obrigados a se arriscar para trabalhar em locais onde se despreza a vida humana e onde o lucro é a única e possível finalidade. Vide os serviços de telemarketing, que em “negociação” com o empregado propõem “ou trabalha ou é demitido”. Esse é um problema real pro trabalhador brasileiro. Ele não quer perder a vida, mas não pode de forma alguma perder o emprego. Não julguem essas pessoas. São vítimas, não vilões.

O coronavírus ainda expôs a fragilidade dos sistemas de saúde em todo o mundo. No Brasil, nosso SUS sofre com a falta de leitos. E quem não tem condições de pagar por um plano de saúde ou por um tratamento particular terá que contar exclusivamente com o SUS, tão desprezado, corrompido e sucateado, principalmente, nos últimos quatro anos. No Maranhão, 100% dos leitos já estão ocupados. Não sei se Ceará, Pará, Amazonas e Pernambuco já atingiram esse índice, mas estavam com mais de 90% de ocupação dias atrás. No Rio, faltam 1.100 leitos. Chegamos ao colapso.

O vírus expôs ainda a violência policial. As operações policiais nas favelas do Rio foram interrompidas devido à quarentena. Com isso, houve uma redução de 60% de mortes por policiais nesses locais.

Na Educação, os estudantes de escolas públicas sofrem com a interrupção das aulas, por falta absoluta de condições de alunos e também de escolas/professores manterem aulas à distância. Enquanto isso, a classe média segue firme nos estudos. Veremos as consequências do vírus na Educação escancaradas nos resultados do Enem.

Entenderam que não estamos todos no mesmo barco?

2 Comentários

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Rogerio Faria

- 2020-05-07 19:14:00

O COVID da pindorama terá algo de positivo (será), está revelando as entranhas intestinas de nossa doentia sociedade. Estive nos EUA e lá somos conhecidos por um povo "feliz", carnaval e futebol reforçam este estereótipo. Somos um dos países mais injustos e desiguais do mundo. O posto ipiranga prega o "Estado mínimo", qual a novidade nisso??? é só ver a foto da capa para confirmar que já temos a teoria dos "Chicago boys" implantada neste País e que nem os governos petistas conseguiram erradicar. Pobre Brasil, tão rico com um povo tão miserável e ignorante.

alfredo machado

- 2020-05-07 13:27:24

É exatamente como o descrito. Pela primeira vez na história, os que mais precisam fazem parte do Orçamento, mas a reclamação contra os 600 reais é significativa, pois o andar de cima tupiniquim, o pior do mundo como sempre digo, não se incomodou com os 1,2 trilhão dados de bandeja à banca, sem exigir qualquer tipo de contrapartida, mas na hora da classe F, assim como ocorreu com o BFamília, a conversa sempre será outra. Os 28 bi do BFamília para 40 milhões de pessoas não podiam, mas os 170 bi da Selic para a meia dúzia não tinha problema. Esta insanidade composta por racismo, hipocrisia, ódio a negros, machismo, pouco caso com as mulheres sempre com salários mais baixos e sei lá o que mais, parece fazer parte do DNA do brasileiro, principalmente a turma que só falta gozar quando faz pouco do seu país, a mesma que já foi algumas vezes a Paris e Londres mas nunca foi ao Pão de Açúcar. Sempre ouço que, depois que esta etapa se encerrar, darão ênfase ao saneamento básico que tanto se critica e pouco se conhece - saneamento básico é atribuição dos municípios, existem os recursos mas os prefeitos, como bons brasileirinhos que são, não se preocupam com o assunto por dois motivos:1) é obra que não fica à vista, mas enterrada, ou seja, a população não consegue ver, 2) o prefeito da vez não fará obra para o próximo inaugurar. Existe município na Baixada Fluminense que não tem nenhuma rua com rede coletora de esgoto e o prefeito não está nem aí, só pensa na reeleição. Quanto à Educação, o país comandado pelo boçal voltou à idade das cavernas, ou seja, de acordo com o pensamento do andar de cima, haja vista a rapidez com que o miliciano mentecapto destruiu os inúmeros programas criados pelo analfabeto e pela guerrilheira. Ao menos se tem algo de bom, o país possivelmente será o primeiro do mundo em quantidade de óbitos por consequência do coronavírus.

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