Pesadelo, por Rogério Marques

É impossível ignorar que o discurso de ameaças e de ódio, que se repete quase diariamente, continua fascinando boa parte dos brasileiros.

Pesadelo

por Rogério Marques

O que mais assusta nesse momento triste que o Brasil está vivendo não são os arreganhos fascistoides da família Bolsonaro — intimidar jornais, ameaçar fechar o STF, baixar um novo Ato 5, elogiar a ditadura sangrenta de Augusto Pinochet.

O que mais assusta é o pressentimento de que, no caso de uma aventura autoritária, essa família e outros políticos que pensam como ela terão o apoio de boa parte da população brasileira.

Não dá para esquecer que Bolsonaro, seus filhos e outros do mesmo naipe foram levados ao poder sem jamais terem escondido aberrações como a defesa da tortura, do extermínio de opositores, o desejo de fechar o Congresso.

Não dá para esquecer que o deputado estadual mais votado do Rio foi Rodrigo Amorim, aquele que em um comício de campanha quebrou e exibiu ao público uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco, assassinada com seu motorista Anderson Gomes. E que depois de eleito esse deputado emoldurou metade da placa quebrada e pendurou em seu gabinete, como um troféu macabro.

Não dá para esquecer que milhões de brasileiros elegeram essa gente, e que outro tanto lavou as mãos, mesmo sabendo disso tudo, ou justamente por saber disso tudo.

É impossível ignorar que o discurso de ameaças e de ódio, que se repete quase diariamente, continua fascinando boa parte dos brasileiros.

É isso o que mais assusta diante dos arreganhos autoritários da família Bolsonaro.

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4 comentários

  1. Sabe aquela segunda personalidade…aquela que a pessoa tenta escondê-la de sí próprio, e isso causa muita angustia e a pessoa sente sufocada e precisa de um ambiente, espaço ou pessoas de mesmo perfil por perto para se sentir segura , se apoiarem!!!Então, o lugar comum chegou para milhões dessas personalidades reprimidas, esse lugar comum chama-se FAMILIA BOLSONARO E SUA FORMA DE AGIR E PENSAR!!
    Aproveitem, vivam e se sintam livres e cheio de direitos, externem suas mais sinceras vontades em relaçaõ ao PRÓXIMO, AO SER HUMANO!!!POR FALTA DE LÍDER QUE NÃO É!!!!
    Edno Ganacim – Maringá

  2. Isto se chama onda fascista, ou melhor, neofascista. Infelizmencote, boa parte da população brasileira está tomada, no plano político, pelo que chamo de sujeito paranóico, tomado por delírios fascistas que dividem o mundo entre o bem (as pessoas de bem) e o mal: os bodes expiatórios aos quais se atribuem a imoralidade do mundo, que são os petistas-“comunistas”, religiosos do candomblé e umbanda, LGBTs, feministas, ambientalistas, criminosos comuns, dependentes de drogas etc.

    E a única “utopia” dessa gente é a destruição e a morte, como se a aniquilação fosse capaz de purificar o mundo do mal. E em na versão neoliberal do fascismo nacional, a destruição do estado e das políticas sdes ociais funciona como mais um aspecto da purificação: o estado dos comunistas-petistas deve ser restrito ao mínimo em favor da pureza do mercado. O próprio neoliberalismo entrou em simbiose com o câncer fascista, funcionando como uma fantasia “do bem”, na qual as virtudes do mercado devem sobrepujar os vícios do estado. E tome destruição do já tênue estado do bem estar nacional, somado à destruição das próprias instituições burguesas do estado de direito.

    Tanta destruição não dura muito. Na Alemanha e Itáiia a onda fascista durou 15, 20 anos? E mesmo assim porque havia uma política econômica neokeynesiana e uma guerra mundial para expandir a destruição para fora. No Brasil vai durar menos. O problema é que, onde o fascismo reina, mesmo que não chegue às últimas consequências, como são a guerra e o holocausto, não sobra pedra sobre pedra. A destruição é imensa e o sofrimento também. A herança dos anos Bolsonaro serão terríveis…

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