Planejamento estratégico para uma produção real, por Rogério Maestri

Soluções de mercado serão perfeitamente inúteis, inclusive o sistema financeiro poderia ser modificado eliminando os bancos privados e colocando somente dinheiro em bancos públicos

Planejamento estratégico para uma produção real

por Rogério Maestri

Para muitos isto pode significar um verdadeiro palavrão, principalmente para os liberais que cada dia se tornam menos numerosos e mais fracos no seu discurso, porém se o país como um todo não der uma volta de 180° e pensar, não no planejamento estratégico de empresas isoladas, mas sim do país como um todo, cairemos numa crise que ultrapassará em muito qualquer crise que tivemos na nossa história.

Estou falando de QUALQUER CRISE, desde as convencionais tipo a de 1929 ou a última como também nas crises que tivemos antes, durante e depois de qualquer guerra ou conflito interno, isso não é exagero, pois o mundo inteiro como preveem os grandes grupos financeiros internacionais que pensam em coisas da ordem de perda de 30% do PIB mundial (ou até mais), não estou falando de previsões de economistas brasileiros de instituições financeiras nacionais que falam besteiras como pode ser lida no Correio Brasiliense que fala, achando que está fazendo uma previsão pessimista, de uma perda de 4% no PIB brasileiro, este senhor, um tal de Roberto Padovani prevê uma queda em torno deste valor.

Por que as minhas previsões são muito mais pessimistas do que uma queda no PIB uma década acima das previsões deste e mais outros deslumbrados economistas do mercado que acostumados a fazerem previsões otimistas mais para embalarem os consumidores e investidores do que realmente prever algo de real?

Vamos aos fatos, com as centenas de milhões de desempregados que vão aparecer depois desta crise sanitária passar, a contração do consumo será imensa, não podemos esquecer que no PIB norte-americano aproximadamente 80% é do setor terciário e também mais de 30% do endividamento das famílias norte-americanas é parte da composição do PIB norte-americano e mais ainda em países como a Inglaterra.

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Por que estes dados citados no parágrafo anterior são importantes? Simplesmente porque a modificação na remuneração desses setores e principalmente no modo de consumo dos habitantes do primeiro mundo vão mudar por completo.

A imensa maioria das chamadas classes médias norte-americanas considerando as dívidas estão no vermelho, alguém que não tenha seu carro, sua casa, sua formação universitária e a grande parte de seus valores maiores financiados, ou seja, endividados, é uma minoria da ordem de menos de 5% desta população. Quem quiser ter uma ideia do problema do endividamento da população norte-americana, sugiro que leiam o artigo na revista marxista revolucionária (atenção para quem não sabe o que ironia, a frase anterior é uma ironia) a FORBES o seguinte artigo “It Is Not Healthy When Middle-Class Families Drown In Debt In A Growing Economy”, o artigo era de dois de fevereiro deste ano, não de dois de março!

No artigo fica claro que após 1993 os norte-americanos, devido ao crédito barato se endividaram mais o que desde sempre (ele mostra os dados desde 1968), logo após um segundo baque, que será mais profundo que a última crise, o que vai ocorrer com as famílias norte-americanas que ainda tiverem emprego será o entesouramento, algo que se verificou após a “Japanese asset price bubble” de 1991, sendo realimentada a crise a cada tropeço da economia internacional.

As pessoas não se dão conta que períodos de pobreza, miséria e fome, mesmo que não sejam atingidos por estas mazelas os comportamentos individuais mudam, ou seja, a troca de um celular a cada ano, que muitos fazem sem necessidade passarão a ser trocados quando estes estragarem, ou seja, não adianta oferecer crédito que as pessoas não aceitarão caso não seja essencialmente necessário. Por outro lado, teremos uma tendência da redução dos preços nacionais e internacionais, isto levará de novo uma contração nos lucros e nas despesas e quando as expectativas de lucros diminuem, diminuem os investimentos.

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A única forma de combater esta espiral da desgraça universal é o planejamento estratégico da economia, priorizando não o lucro na bolsa, mas na geração real de produtos que deverão ser protegidos da concorrência internacional e no investimento na modernização da indústria.

Sem uma agenda do tipo CEPAL, porém mais agressiva e mais intrusiva na produção, promovendo inclusive a obrigatoriedade de elementos de auto-gestão para alavancar a produtividade terão que ser tomados.

Soluções de mercado serão perfeitamente inúteis, inclusive o sistema financeiro poderia ser modificado eliminando os bancos privados e colocando somente dinheiro em bancos públicos que tem ainda capacidade técnica de analisar não o fluxo de caixa das empresas, mas sim a capacidade real de um empreendimento físico.

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1 comentário

  1. Os Bancos e Especuladores, que estão quase morrendo de tanta obesidade e, por isso, teriam como ajudar na superação da crise, estão é se aproveitando dela para ficarem ainda mais ricos. Para que grande parte da nossa velhice não fique para trás, a nova geração vai ficar endividada por causa do déficit público. Pior, já morreram e vão morrer muito mais idosos, já que os governos não investem em saúde, e a nova geração ainda vai ficar endividada sem que os idosos sobrevivam ao corona.

    Esses pulhas não investem em saúde e agora dizem que se os brasileiros não morrerem pelo coronavirus, morrem de fome, enquanto se aguarda o achatamento da curva epidêmica.

    O capital especulativo e os bancos são os grandes beneficiários do covid-19.

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