População morre por negligência política, por Gustavo Conde

Vale lembrar: se a pandemia fosse nos governos Lula, este daria um show de combate à pandemia e, ao mesmo tempo, seria fortemente atacado por nosso jornalismo populista.

Foto: Pedro Pardo / Agência France-Presse

População morre por negligência política, por Gustavo Conde

A gente vê a foto do início da vacinação no México e sente um aperto imenso no coração. O processo de vacinação no Brasil foi destroçado pelos governos federal, estaduais e por nossa imprensa, que se nega a ser responsável com as informações direcionadas à população mais pobre do país.

O jornalismo brasileiro é populista, assim como o governo genocida de Bolsonaro.

Mas o que mais dói mesmo é que perde-se o bonde da história. A imagem de uma população inteira sendo imunizada e protegida por um governo que verdadeiramente a representa é muito forte. Depois de 190 mil mortos, a sociedade brasileira se dá ao luxo de ignorar a importância de uma vacinação universal que aplaque o pânico reprimido das pessoas marcadas para morrer por negligência política.

Fosse em um governo democrático, o Brasil iria, neste momento, produzir as imagens mais fortes do mundo em termos do cuidado e do carinho que a soberania pode proporcionar a seu povo. Seríamos felizes vendo a população brasileira se libertar da letalidade de um vírus e do sufocamento classista de nossas elites egoístas.

Seríamos vacinados e assistiríamos ao processo de vacinação, com orgulho e esperança.

Vale lembrar: se a pandemia fosse nos governos Lula, este daria um show de combate à pandemia e, ao mesmo tempo, seria fortemente atacado por nosso jornalismo populista.

Seria acusado de usar politicamente as imagens de vacinação, de privilegiar governos petistas com lotes de vacina, de superfaturar importações das indústrias farmacêuticas e de ideologizar o combate à pandemia.

Mesmo assim, faria tudo com a mais notável competência que sempre caracterizou seus governos, porque se tratava da competência logística e humanística do povo trabalhador brasileiro, que tinha vez e voz na administração pública de outrora. O povo soberano brasileiro se impunha diante da mediocridade jornalística que sempre caracterizou a imprensa brasileira.

Foi assim durante 13 anos.

Que o sabor amargo de não sermos mais governados por ninguém, de não termos um líder sequer que mobilize a autoestima da população – que segue profunda e tragicamente humilhada pelas elites, pela imprensa e por Bolsonaro -, de não podermos contar com a afetuosidade responsável de um governo legítimo que zela pela vida humana nos sirva de lição para que nunca mais brinquemos de votar em torturador nem acreditar em oligopólios midiáticos.

A lição sabemos de cor. Só nos resta aprender.

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