Por que a chapa Haddad e Manuela irá vencer?, por Alexandre Tambelli

Por que a chapa Haddad e Manuela irá vencer?, por Alexandre Tambelli

O brasileiro em sua grande maioria é pacato e pouco afeito a extremismos. Dirão, mas a violência no Brasil é enorme matando mais gente em 1 ano que em uma Guerra como a do Iraque em 2003.

Claro que é um fato, mas, fato relacionado ao modelo de sociedade construída no Brasil, nos seus mais de 5 séculos de existência com o processo de escravidão e, também, o patrimonialismo (a ideia do Estado como uma extensão da própria casa das Elites) e a dificuldade extrema em romper com esses dois parasitas e a sua nefasta consequência: as desigualdades sociais extremas.

Porém, o brasileiro comum não faz revolução, não quer confusão, não tem o costume de ir para os extremos e vota pelo Bolso, eleitor que decide, que nos dá o resultado final em 2° turno.

Dito isto, podemos ver que há uma parcela de extremismo em torno da candidatura Bolsonaro, por volta de 20% da população, mistura-se o extremismo religioso e de costumes + a lógica do “bandido bom é bandido morto” e um extremismo de partes da classe média e médio-alta e de nossa Elite, que vivem em defesa de seus próprios interesses e manutenção do status quo, dentro de uma lógica de preconceitos ao diferente, ao pobre, ao que não é modelar como mundo correto de se viver, tudo o que não está dentro da bolha social em que vivem. Eles e seu discurso extremado, reverberado pela velha mídia para vencer o PT, não decidem mais Eleição, o PT ganhou deles nas últimas 4 eleições, com Governo de centro-esquerda testado e aprovado.

A Eleição será decidida pelo BOLSO e não por Bolsonaro, fique claro. E de BOLSO o PT entende, e tem a memória afetiva e histórica (na prática) para cativar a maioria do eleitorado em 2° turno. A imagem de Lula é o BOLSO também. PT que é o Brasil da inclusão e ascensão social na memória do povo trabalhador e dos pobres.

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Esquerda, centro-esquerda e parte do eleitorado do Bolso votarão no PT já em 1° turno e no 2° turno, o eleitorado do Bolso será petista. E vamos ser sinceros, não precisa dizer que é o Haddad o candidato de Lula, sendo do PT todo mundo sabe que é o candidato do Lula.

A exposição exagerada do “Mito” após a facada não lhe rende mais votos, ele é totalmente fora da casinha, rende mais rejeição, mesmo dentro de setores das classes médias, porque seu programa de governo prevê um retorno à Idade Média, não é verdade? É quase uma nova Inquisição misturada com um retorno ao Nazifascismo: mistura de Hitler com Mussolini. E para piorar é ultra mega plus neoliberal.

A direita ao criá-lo, via Lava-Jato, destampou a garrafa da extrema-direita e colocou ela em circulação para acabar com o PT, Lula e dar o Golpe em Dilma, porém, quebrou o pilar de sustentação do antipetismo circundado na candidatura do PSDB por mais de 2 décadas, dividiu a direita em várias e criou uma extrema-direita fanatizada, mas não capaz de vencer a Eleição, apenas de se manter em torno dos 20% de votos. E, para derrubada do PT exagerou na dose do “combate à corrupção” e jogou seu partido protegido de 2 décadas, os tucanos, na boca do povo de maneira negativa, sua blindagem ruiu e suas administrações caóticas e corrupções bilionárias vieram à tona.

Em 2014 a direita com Aécio e Marina obteve 54% dos votos válidos no 1° turno. O Sistema estava em pleno processo de destruição da imagem do PT e de Lula e Dilma induzindo a população a crer que o Governo era corrupto e que a economia patinava, e votar na oposição naquele momento, tendo toda a mídia brasileira em uníssono na campanha de desestabilização do Governo Dilma ajudou nessa votação, o que não significou a vitória da direita, porque o eleitorado de Marina não é só anti-petista fanático, tem diversidade nele, e Aécio não tinha pinta de honesto, nunca teve e a Internet fez o papel de, já em 2014, desmascará-lo perante a população em 2° turno.

Aécio sem programa de Governo a mostrar, praxe no PSDB do neoliberalismo radical, perdeu no final para quem tinha realizações governamentais a mostrar e um Governo com a menor taxa de desemprego da História: 4,3%.

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O povo brasileiro não embarcou em Aécio nem Serra nem Alckmin depois que o PT venceu em 2002. O povo não é neoliberal. O Golpe veio, única forma de chegar ao Poder a Direita comandada pelo PSDB, prometeram até um oásis, pós-Dilma, o que não aconteceu, apenas se consolidou a extrema-direita e todos os golpistas perderam fôlego enlameados na corrupção e destruição da economia brasileira capitaneada pela “camarilha” de Temer. O Sistema capitaneado pela Globo & Lava-Jato perdeu espaço para os antissistema. 

Hoje, temos a direita dividida em pelo menos 5 candidaturas e 1 candidato consolidado na extrema-direita roubando parcela significativa dos votos tradicionais da direita. Em 2014, a direita se concentrou em 2 candidatos: Aécio e Marina, hoje, tem 7, contando Bolsonaro e Ciro pelo centro, para 1 vaga no 2° turno. Vejamos:

Marina, Alckmin, Amoedo, Álvaro Dias e Meirelles: direita neoliberal e pelo centro Ciro Gomes. 6 candidatos a dividirem com brancos, nulos e abstenções 40% do eleitorado que não é Lula/Haddad (40%) e Bolsonaro (20%).

Haddad, o candidato de Lula, irá vencer a Eleição. Esses 40% consolidados no PT e Lula já colocam Haddad no 2° turno e a direita dividida em 5 candidatos + Ciro Gomes ao centro, que rouba alguns votos da direita eleitoral, ajuntados do caos governamental e rejeição quase de 100% do Governo do Golpe: Temer, tende a manter brancos, nulos e abstenções e voto no Bolsonaro em alta no campo que não vota no PT, e o motivo é porque está o eleitorado antissistema nesta Eleição.

Sistema é o Governo Temer, a direita neoliberal associada a ele não tem chances de ir nem para o 2° turno.

Haddad e Manuela juntos têm a favor a imagem de jovialidade e a leveza e o sorriso nos lábios, são modernos, para complicar para a direita, e Bolsonaro não tem, digamos assim, penetração eleitoral, para além de um radicalismo doentio e social (de classe) contra o PT e de parcelas da sociedade conservadoras nos costumes e religiosas e alguns herdeiros do malufismo, é um conservador reacionário.

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Até dentro das classes médias anti-petistas clássicas o voto pode ir para Haddad/Manuela, porque Bolsonaro é um extremista e assusta por seu discurso retrogrado no comportamento/costumes e na ideia de ingerência sobre a Vida das pessoas, dos liberais e dos democratas e dos anti-censura e anti-Ditadura e militarismo.

Hoje, a direita se dividiu em vários candidatos, os 50 tons de Temer, que disse o Boulos no primeiro debate eleitoral, e a extrema-direita, que tem votos, mas é um Temer radicalizado no econômico e que não vai render votos, para a além dos radicais de direita, porque o voto pelo BOLSO não comprará Bolsonaro.

O Tríplex: Lula, Haddad e Manuela irá vencer, apesar de tudo e de todos os Golpistas da Globo & Cia., do Judiciário modelo Morista, do Executivo e Legislativo do Golpe, do “Mercado” e de ingerências do Imperialismo e de Trump, de falas de alguns membros graduados das Forças Armadas, apesar de parcelas do empresariado e das corporações comandadas por brasileiros acabarem por apoiar Bolsonaro em 2° turno. Será um jogo de paciência, mas venceremos! Sem Medo de Ser Feliz!

 

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9 comentários

  1. Um adendo

    é simplesmente assustador o número de pessoas a minha volta que irá votar no Bolsonaro. E todos de classe média e escolarizados. E nunca participaram de pesquisa alguma. Então nada de ficar acreditando que será fácil, antes pelo contrário.

    Incapazes de ler meia linha sobre qualquer programa de qualquer candidato. É triste mas é a realidade.

    • A classe média é tão insignificante quanto a classe alta

      Classe média não elege ninguém pois ela é quantitativamente tão insignificante quanto a classe alta.

      O comentário a seguir, feito ao tempo do movimento “Cansei”, é bem antigo mas bem atual:

       

      “Surpresos?
      Mr.Rocks 20/06/2005 22:33

      A classe média se surpreendeu em descobrir que é pouco numerosa. Não que eu seja a favor do Lula, mas não existe “o povo brasileiro” que é comodista e tal. Isso aí é a classe média, e do Rio, da zona sul ainda por cima, que acha que o Brasil são só eles. Eles se acham os portavozes do Brasil. E aí quando se dão conta que o Brasil não seguiu eles, ficam reclamando de comodismo.

      O Brasil não segue eles porque o Brasil não fica na zona sul e nem se resume à diminuta classe média. O Brasil não lê Jornal do Brasil. O Brasil não tem conhecidos na Globo. O Brasil está tão mal quanto nos tempos do FHC, e a razão é econômica, não política. Eles nem estão plugados no Orkut, nem se sentem representados pela classe média carioca da zona sul, muito menos quando esta se escandaliza.

      Tem mais gente se sentindo representada pelo MST (não se esqueça de que 40% dos brasileiros estão abaixo da linha da pobreza, da forma definida pela ONU) do que pela classe média da zona sul do Rio. É por isso que os movimentos sociais têm força, e a classe média da zona sul do Rio não. Isso não tem nada a ver com o PT, nem com comodismo, nem com desorganização. Isso tem a ver com classe social. E a classe média é cega para isso. Ela jamais enxerga as suas empregadas. Para eles, “o povo” é um conceito vago, formado por gente diferente das pessoas que lavam seus pratos, tomam conta das suas portarias, e moram em suas favelas.

      Também não enxerga que a briga dos parlamentares não lhes diz respeito. A classe média acha que manda no governo. Acha que a democracia depende dela. Isso então é mais risível ainda. A classe média é muito mais uma ficção das novelas do que uma fração importante da sociedade brasileira. Ela é diminuta (como a classe dominante), mas não manda em nada. E nem é numerosa o suficiente para influir na política. Não foi à toa que seus filhos esquerdistas foram liquidados pela ditadura. Eram pouco numerosos.

      Qualquer um que foi aos protestos contra o Collor, se lembrará de que o grosso das manifestações eram alunos de escolas públicas. O Collor, portanto, não foi deposto pela classe média. O Collor foi deposto pelo povo, aqui entendido como a classe trabalhadora, ou pobre, ou proletária. Estes sim, têm força por serem numerosos. E claro, também era interesse dos parlamentares, assim como é agora. Se não fosse por isso, bastava mandar a tropa de choque reprimir, do mesmo jeito que FHC fez com os professores universitários em São Paulo (lembra?).”

      http://www.brasil.indymedia.org/pt/blue/2005/06/320550.shtml

       

      Não tenha medo, Evandro. A maioria da classe média é burra, mesmo quando tem curso superior. Se não fosse burra, não votaria no Bolsonaro nem no Aécio.

  2. O Brasileiro comum não faz revolução?

    Fico com o Arkx. O Brasileiro comum faz revolução, sim, que a sabota é a aristocracia operária, a parte burra classe média, que é maioria, e a classe alta.

    Não adianta o Haddad ganhar e ficar refém nas mãos do Congresso. Tão importante quanto eleger o Haddad, é eleger parlamentares populares.

  3. Só há um problema nesta análise

    Na reta final do 1o turno a direita pode usar do voto útil, como em 2014, quando votaram no Aécio. Se Alckmin se manter com 10% até a reta final ele pode receber o voto útil de parte da direita: basta roubar 6 pontos de Bolsonaro e metade dos votas de Almoedo e Dias para ele ficar competitivo.

    A pedra no caminho de Alckmin é Ciro que, se se mantiver competitivo também pode concentrar o voto util anti-PT, por sua postura centrista.

    Com ambos, Alckmim e principalmente Ciro, Haddad teria muitas dificuldade, mais que o PT teve em 2014. O antipetismo está ainda muito forte, alias eu diria que se consolidou de 2014 para cá, em parcelas significativas da classe média tradicional e da chamada classe C, sem falar na maioria absoluta dos evangélicos.

    O melhor seria evitar que Alcmin fosse ao segundo turno e, para isso, deve-se desconstruí-lo desde já. Não acho que Ciro seja direita nem centro, Ele é mesmo centro-direita e deve ser visto como aliado potencial.

  4. o povo não é neoliberal

    A Eleição hoje será decidida pelo BOLSO e não por Bolsonaro. De fato, o Povo brasileiro não é neoliberal como querem a Mídia na venda do seu discurso. Já sabiamos que o candidato do Lula estaria no segundo turno.Portanto, Haddad, o candidato de Lula, irá vencer a Eleição.

  5. ” A Exposição Exagerada do Mito “

    é muito mito pro meu gosto. Décadas de mito. Por isso, parcela considerável do povo tá inclinada a votar por exclusão, nem um mito, nem outro. Essa glorificação, artigo como do Tambelli, fica restrita ao desejo, a pequeníssimos grupos (assim como essas minhas mal traçadas linhas).

  6. Acredito que o autor do

    Acredito que o autor do artigo está muito otimista e com todo o respeito está com dificuldades de ler o cenário politico atual.

    Na minha modesta opinião o melhor candidato para o Bolsonaro é o Hadadd no segundo turno, somente contra o Hadadd ele tem chances de ganhar. Será a maior polarização da historia um segundo turno Bolsonaro x Haddad, toda a máquina judicial-militar-midiatica-policial irá trabalhar de todas as maneiras para um candidato do PT não ganhar.

    Tudo que foi feito pela justiça até agora não é brincadeira, a quebra da democracia não foi orquestrada para em dois anos o PT voltar para o poder. Tanto é que a besta Bolsonaro está se tornando palátavel para a elite um cara que nem pra sindico serve.

    De todos os projetos politicos o que está mais alinhado com a minha visão é o do Ciro. Espero que o povo dê esse voto de confiança para ele.

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