Por que Trump emula o ISIS ao ameaçar destruir sítios históricos do Irã?, por Jeanderson Mafra

Destruir o passado árabe e persa, bem como o de outros povos desta sofrida região, tem como objetivo criar uma situação de "narrativa única".

Por que Trump emula o ISIS ao ameaçar destruir sítios históricos do Irã?

por Jeanderson Mafra

“Quem controla o passado, controla o futuro. Quem controla o presente, controla o passado.” (George Orwell, no livro 1984)

Vocês ouviram a estranha ameaça de Trump em destruir sítios culturais do Irã? Pois é, ele disse que destruirá 52 monumentos históricos do Irã, numa ameaça de ataque em larga escala ao país persa. Sabe o que isso lembra? Lembra o suspeito ‘modus operandi’ do tão afamado “Estado Islâmico” (que nunca foi um “Estado” e muito menos “islâmico”), uma organização terrorista criada pela própria CIA e Mossad para desestabilizar o Oriente Médio e justificar intervenções militares na região a pretexto de combate ao terrorismo. Pois, para isso são criadas tais organizações: para legitimar as ações terroristas de EUA e Israel no Oriente Médio e manter sua hegemonia.

Uma das cenas mais surpreendentes que assisti desse grupo ianque-sionista-terrorista foi a destruição de sítios históricos e arqueológicos no Iraque. Monumentos colossais de reinos e impérios milenares que comprovavam os povos e a cultura antiga destes nos países devastados por essa organização.

De forma chocante e lastimável, a história do Iraque foi neutralizada e “pulverizada” (pra usar uma expressão do livro 1984 de Orwell) por explosões precisas de dinamite e demolidas uma a uma por retroescavadeiras de empresas européias e demais ferramentas “ocidentais” nas mãos destes “apagadores da História”. O Ministro do Exterior iraniano, Mohammad Javad Jarif, foi enfático às declarações de afronta no domingo, dizendo: “Um lembrete a quem tem alucinações sobre emular crimes de guerra do Estado Islâmico, atacando nosso patrimônio cultural: ao longo de milênios da história, bárbaros vieram e devastaram nossas cidades, arrasaram nossos monumentos e incendiaram nossas bibliotecas. Onde eles estão agora? Nós ainda estamos aqui, firmes e fortes.”

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Sem mais delongas, há um sentido para todas essas ações e vou direto ao ponto. Destruir o passado árabe e persa, bem como o de outros povos desta sofrida região, tem como objetivo criar uma situação de “narrativa única”. Um ambiente na “História”, onde somente as “lendas sionistas” tenham fundo, cenário e materialidade de “verdade”.

Na Palestina histórica, para seguirmos o fio da meada, toda a Arqueologia é controlada pela “interpretação sionista” e deles é que vem a negação do direito do povo palestino a seu território milenar. Baseados no “mito-história-bíblico” todas as “descobertas” de sítios históricos e arqueológicos na Palestina servem apenas para justificar um pano de fundo, construído para legitimar a ocupação e negar aos palestinos a sua terra.

Como bem denunciaram os próprios historiadores israelenses dissidentes Shlomo Sand (A Invenção Terra de Israel ) e Illan Pappe (A Limpeza Étnica da Palestina), a negação da pátria palestina e dos direitos humanos de seu povo passam também pela “limpeza” de seu passado. É mister, para a colonização sionista, que tudo leve a crer, na base da mais perversa e descarada mentira, a inexistência de um passado palestino. E é a isto que serve destruir sítios históricos, culturais e arqueológicos: para tomar e espoliar terras dos povos autóctones desta região, destruindo-lhes o sonho de soberania e dignidade, com a eliminação do seu PASSADO!

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