Presente-se, por Alcilene Oliveira Santos

Nossas universidades se encontram num estado deplorável, onde o básico é tido como luxo, sofrendo a cada dia um tipo de retaliação.

Presente-se

por Alcilene Oliveira Santos

Democracia, universidade pública e conhecimento científíco no Brasil contemporâneo, existe ou não? Se existe onde erramos? Se erramos, onde podemos consertar?

No momento em que o Brasil vive atualmente, não conseguimos pensar no futuro, pois ele é incerto. A impressão que temos é que nossa democracia nunca existiu, e se existiu, foi em tempos bem remotos. Vivemos em tempos obscuros. Nossas universidades se encontram num estado deplorável, onde o básico é tido como luxo, sofrendo a cada dia um tipo de retaliação. A universidade pública hoje vive momentos de insegurança total, não sabemos até quando ela vai aguentar. Mas sabemos que  haverá luta. Aprendemos durante uma vida acadêmica, que temos direitos. Que existem leis e que elas precisam ser respeitadas. Quando um representante é escolhido de forma democrática, acredita-se que ele vai seguir e respeitar a constituição do seu País, pensando sempre nos seus cidadãos de forma humanitária. A democracia existe para que as pessoas possam se expressar sem serem intimidadas, expondo seus ideais chegando num senso comum.

No Brasil de hoje a democracia está sendo colocada em xeque-mate. Um presidente que não respeita seus cidadãos, não respeita seu país. Esse mesmo presidente fala que os universitários das universidades federais vivem na esbórnia e  não reconhece nada do que essas instituições representam. As universidades públicas hoje são referência no mundo. Os conhecimentos adquiridos dentro delas são reconhecidos através de suas descobertas e estudos na área das ciências, tecnologias, artes, saúde e humanidades.

A universidade pública hoje sofre enquanto espaço físico de educação e democracia, seus discentes e docentes não conseguem mais imaginar como será seu futuro acadêmico. O governo quer implantar um sistema de educação baseado na vontade do mercado, onde um fundo de investimento privado vai financiar o que dá lucro para as indústrias. Com a desculpa da meritocracia, alegam que aqueles que tiverem melhor desempenho serão melhor recompensados, ignorando a dívida histórica que o país tem com os negros e pobres, que em sua imensa maioria não tiveram estudos básicos de qualidade. Além disso, alegam que esse sistema dará à universidade autonomia e capacitação, esquecendo na verdade que a autonomia já foi tirada quando o governo resolveu indicar os representates dessas instituições. Ou seja: rasgam mais uma vez a constituição! É importante salientar, que o programa vai acabar também com o plano de carreira dos professores universitários, vai ser implementada uma “uberização” de professores e funcionários.

O Future-se, programa que vai acabar com as universidades públicas, é algo almejado desde os anos 90. Estão tentando implementá-lo novamente. Essa tragédia já vem sendo anuciada há anos. O verdadeiro objetivo do Future-se é sucatear o ensino público superior e fortalecer e proliferar as universidades privadas, alimentando um mercado bilionário de ensino. Não estão visando o direito ao ensino em si. No Future-se, torno a falar, não existe democracia, existe sim: imposição.

Alcilene Oliveira Santos – Graduanda da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia em Bacharelado Interdisciplinar em Cultura, Linguagens e Tecnologias aplicadas, turma 2019.2

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