Resumo da semana: a escalada de agressões do governo Bolsonaro

Afonso Benites, em artigo para o El País Brasil, traça um resumo da semana, desde a ofensa a jornalista da Folha até o envio de Forças Armadas ao Ceará

Jornal GGN – A semana foi de escalada de agressões. Iniciando com o presidente Jair Bolsonaro, que atacou de forma machista a repórter da Folha de S.Paulo, continuou com o general Heleno ofendendo parlamentares de chantageadores e o ex-presidente Lula que foi submetido a um interrogatório em acusação de infringir a Lei de Segurança Nacional, a mesma que durante a ditadura de 1964-1985 perseguiu opositores do regime autoritário.

E o senador Cid Gomes, que foi baleado enquanto usava um trator contra um motim de policiais militares, que culminou, finalmente, “em uma espiral de ataques entre os políticos e a decisão de enviar o Exército” às ruas do Ceará. Esse foi o resumo feito por Afonso Benites, em artigo para o El País Brasil.

Toda essa escalada, contudo, deve passar sem grandes sobressaltos. “Em outros tempos, poderia se imaginar que o país estaria à beira de uma convulsão. Nos dias de hoje, contudo, a tendência é que esses fatos sejam esquecidos durante a farra carnavalesca”. Porque este final de semana começa o carnaval no Brasil.

Cid Gomes, que é opositor de Bolsonaro e apoiador do governo de Camilo Santana (PT), no Ceará, usou a retroescavadeira para atingir um quartel de policiais militares que estavam em motim em Sobral. Em resposta, a polícia militar disparou dois tiros em seu tórax. Foi, como disse o sociólogo Renato Sérgio de Lima, diretor do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, “um momento de insanidade coletiva”.

Às vésperas do feriado, a adesão da população ao motim era incerta, até que policiais encapuzados cercaram uma via da cidade, com o contingente militar insuflado pelo presidente Jair Bolsonaro, que por sua vez, usou uma de suas transmissões ao vivo pelo Facebook para celebrar o envio de Forças Armadas ao Ceará por meio da Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

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Na ocasião, Jair Bolsonaro fez sua defesa pública da imunidade para matar dos militares, o excludente de ilicitude: “É uma irresponsabilidade. Até 30 anos de cadeia nesse garoto que tem uma namorada, que tem um time de futebol, que tem uma vida social, que é um inocente. E que por estar com um fuzil, é atacado muitas vezes e reage. Vai que morre inocente, porque pode morrer inocente. De quem é a responsabilidade?”, assim expôs.

Quando as declarações oficiais de governo atingem este patamar, o ministro de Bolsonaro, general Augusto Heleno, disse “foda-se” ao Congresso Nacional, ao dizer que “esses caras [os parlamentares] estão chantageando a gente o tempo todo”. A “chantagem” mencionada pelo militar é a articulação para garantir 30 bilhões do Orçamento do governo federal a emendas impositivas.

Para não se falar dos “impropérios de cunho sexual que o presidente disparou contra a jornalista Patrícia Campos Mello”, lembrou o articulista.

“Nesse cenário, de rompantes de um lado e de outro, cresce o debate a sobre os perigos impostos à democracia. Algo que o Bolsonaro refuta. Na semana em que o presidente se fecha no Palácio do Planalto entre um quarteto de ministros militares, sem prévia experiência na política, ele sentenciou pelo seu Twitter: “A democracia nunca esteve tão forte”. Será?”, questiona Afonso Benites.

Contraditoriamente não tendo tanta simpatia pela festa popular nacional Carnaval, o governo de Jair Bolsonaro precisará recorrer a ela a espera de uma tranquilidade do cenário no país.

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